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Kruzes Kanhoto

Ainda que todos, eu não!

Kruzes Kanhoto

Ainda que todos, eu não!

O Alentejo não tem direito ao desenvolvimento?

Kruzes Kanhoto, 24.04.21

Desde há uns anos a esta parte ouço e leio gente extremamente aborrecida com a nova agricultura que se pratica no Alentejo. Tudo, garantem, está mal. Desde a paisagem em mudança até a uma espécie de tragédia ambiental que não se cansam de profetizar. De caminho lamentam a invasão de migrantes – eles podem lamentar, já eu se o fizer sou racista – que, alegadamente, serão explorados por patrões sem escrúpulos e senhorios gananciosos.

Tenho manifesta dificuldade em perceber o que pretende este pagode ou, sequer, a alternativa que sugerem. Se é que sugerem alguma. Provavelmente desejarão que fique tudo na mesma. Como sempre esteve. Seco, desértico e entregue aos bichos. Preferirão, com certeza, um Alentejo sem pessoas e improdutivo. Por mim prefiro o caminho que está a ser seguido. De preferência percorrido em passo mais acelerado, que já nos chegam as décadas de atraso. Venham mais “culturas intensivas”, venham mais migrantes, venham mais turistas e aqueles que não se sentem cá bem “desamparem a loja”.

Um dos argumentos muito em uso é que este tipo de agricultura não cria postos de trabalho. Para além da evidente contradição, quando lamentam o recurso a mão de obra estrangeira, há que ter em conta a riqueza indirecta que tudo isto gera. A começar nas casas que voltam a ser habitadas por estes trabalhadores e a acabar nos profissionais do activismo, que têm aqui um apreciável nicho de mercado. Que habilmente já estão a explorar, diga-se.

6 comentários

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    Kruzes Kanhoto 24.04.2021

    A "humanização" deve ser difícil de alcançar onde não existem seres humanos.
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    Ana Branco 24.04.2021

    É um facto. O Verão aproxima-se e, com ele, o recado camarário: "A água é um bem precioso, não a desperdice. Já agora, pelo sim, pelo não, vai ter de pagar mais qualquer coisa para ajudar nas despesas". Entretanto, ali mais para o lado, 6 a 7 furos por km, bombeiam água para as abençoadas oliveiras.
    Sem água, nem humanos nem oliveiras.


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    Kruzes Kanhoto 24.04.2021

    O Alentejo finalmente tem água, oliveiras, vinhas e outras novas culturas. Que venham muitas mais. E gente para trabalhar, viver, passear...
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    Ana Branco 24.04.2021

    Sim, aproveitem.
    Quem vier atrás que feche a porta.
    Independente de serem nossos filhos, ou netos.
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    Kruzes Kanhoto 25.04.2021

    E a alternativa é...
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