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Kruzes Kanhoto

Ainda que todos, eu não!

Kruzes Kanhoto

Ainda que todos, eu não!

Meninos rabinos

Kruzes Kanhoto, 01.11.10

Corre na blogosfera afecta ao Partido Comunista uma onda de indignação contra a detenção de alguns jovens – definição actual de meliante, na nossa comunicação social – pela PSP e pelos eventuais maus tratos que alegadamente terão sofrido na esquadra para onde foram conduzidos. Foram, ao que alegam, sujeitos a humilhações várias, entre as quais uma revista mais pormenorizada onde, segundo o que se escreve, terão sido obrigados a tirar a roupa. Toda, ao que garantem. 
O motivo que levou a policia a deter os tais jovens terá sido a tentativa de vandalizar uma parede borrando-a com tinta. Um mural, como eles fazem questão de afirmar, embora a mim não me pareça existir entre um e outro conceito uma diferença substancial. Ainda assim não creio que valha a pena as forças da ordem perderem tempo com este tipo de criancice. Castigo exemplar teria sido deixá-los pintar as suas palavras de ordem e dar-lhes um bom motivo para, daqui por mais uns anitos, sentirem vergonha do que andaram a escrever na sua mocidade. 
Como não podia deixar de ser o episódio tem dado azo às mais variadas leituras. Há quem solidariamente com os aprendizes de comunistas – ou de pintores, sei lá - compare a acção da policia com os métodos das tropas americanas no Iraque. Enquanto isso, outros entendem que a revista a que foram sujeitos se deveu à necessidade de procurar as armas do crime – os pincéis – nos locais mais recônditos da dita rapaziada. 
Por mim acho que esta malta é mimada em demasia. Apesar de os pais levarem a vida a falar de trabalho e de trabalhadores, falharam redondamente na tentativa de passar a mensagem aos filhos. Estes, embora revelem uma imensa generosidade naquilo que supõem ser a defesa dos interesses de quem trabalha, manifestam um profundo desprezo por essa forma de ganhar a vida.