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Kruzes Kanhoto

Ainda que todos, eu não!

Ladroagem

por Kruzes Kanhoto, em 02.10.11

Ontem, pela tardinha, desloquei-me a um terreno agrícola– uma courela, vá – propriedade da família, com a intenção de apanhar os frutosda época que as árvores por lá existentes vão insistindo em produzir. Adeambular pelo local encontrei um indivíduo todo vestido de preto, barbudo, dechapéu igualmente preto enfiado pela cabeça, acompanhado da sua prole e dois outrês cães que, provavelmente, fariam igualmente parte do agregado familiar. Questionadoacerca dos motivos da sua presença numa propriedade privada, isolada e completamentefora de qualquer rota, justificou-se com uma alegada caçada aos ouriços. Ou, nasua linguagem, “aiiiii….andemos aos ouriçuuussss”. Bichos que, diga-se, nuncavi por ali. Deve ser porque os gajos os caçam todos.
De referir que não foi necessária grande insistênciapara que o cavalheiro e seus acompanhantes, de duas e quatro patas, se pusessemao fresco. Tal como não foi preciso muito tempo para constatar que frutos eramcoisa que já não existia nas árvores. Não sei se deva relacionar a visita – estaou outras que notoriamente ocorreram antes – com a ausência das nozes, marmelosou romãs que esperava colher. Se calhar será abusivo da minha parte sugerir quegente vestida de preto, barbuda e de chapéu me anda a assaltar a propriedade. Atéporque nem todos os ladrões estão de luto.  É bem capaz de outros, que se vestem de coresmais garridas e se deslocam em furgões brancos, também irem lá de vez em quandodar uma mãozinha. Pena que não lhe dê para cortar as silvas que, muito mais doque os frutos, vão crescendo a um ritmo alucinante.
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