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Kruzes Kanhoto

Ainda que todos, eu não!

Kruzes Kanhoto

Ainda que todos, eu não!

Harmonias

Kruzes Kanhoto, 22.12.11

Bastousurgir a noticia de que o governo se prepara para rever as tabelassalariais da função pública, alegadamente no sentido de asaproximar daquilo que se paga no sector privado, para os comentáriosde satisfação de inúmeros opinadores se multiplicarem. Seja nossites dos jornais que publicaram a noticia ou numa qualquer esquina.Toda essa gente saliva de agrado com a perspectiva de ver osfuncionários públicos sofrerem mais uma quebra dos seusvencimentos. Isto porque – com intenções fáceis de adivinhar - éfrequentemente transmitida a ideia que no sector público osordenados são mais elevados.
Provavelmenteaté serão. Talvez a sua harmonização com os pagos no sectorprivado constitua um factor de justiça social. É que a mim, um gajorelativamente preocupado com os mais desfavorecidos, fazem-meconfusão as listas – públicas todas elas – de atribuição deapoios de âmbito escolar a alunos carenciados. Quase todos, diga-se,filhos de pessoas que trabalham no sector privado. E, não rarasvezes, até a descendência de empresários que todos julgávamos desucesso por lá aparece.
Fará,portanto, algum sentido a satisfação evidenciada por uma certapopulaça que sofre de uma raiva mal contida contra os funcionáriospúblicos. Verem-se incluídos numa lista de pobrezinhos não deveser agradável. Mesmo que os carros em que se locomovem, as casasonde habitam ou os sofisticados telemóveis e outros gadgetsmanuseados pela sua prole, indiciem que vivem numa zona de confortopouco compatível com a sua condição de quase miseráveis.

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