Greve quase geral
por Kruzes Kanhoto, em 23.11.11
Apesarde sobejarem motivos de indignação perante o actual estado decoisas, não vou fazer greve amanhã. Não estou disponível paracontribuir com um dia de ordenado para o governo - o que, admito,levará o ministro das finanças a desejar uma significativa adesãoda parte da função pública – nem sou, como já escrevi por aquivariadíssimas vezes, especial apreciador desta forma de luta.Prefiro o boicote, a sabotagem e outras maneiras mais astutas –mais sacanas, vá - de contrariar as intenções do governo e que nãoenvolvam a diminuição do meu pecúlio em favor do Estado, masexactamente o contrário.
Emboraisso não me cause especial incomodo, desconfio que entre osgrevistas de amanhã estarão muitos com responsabilidade – quenisto, como noutras coisas, não há inocentes – por termos chegadoaté aqui. Nomeadamente aqueles sindicalistas que, há dezenas deanos, contribuíram para abarrotar os quadros da função pública. Éverdade que hoje faz-se o mesmo sem ouvir os sindicatos, mas isso nãobranqueia a verdadeira mancha vermelha que, por exemplo, alastrou porquase todas as Câmaras do Alentejo.