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Kruzes Kanhoto

Ainda que todos, eu não!

"Experiência", dizem eles...

por Kruzes Kanhoto, em 03.08.20

Não há assim tanto tempo quanto isso, alguém da chamada província que se deslocasse à capital corria o sério risco de ser enganado, burlado ou, se tivesse sorte, apenas vitima de uma partida qualquer. Enquanto miúdo ouvi incontáveis histórias que relatavam essas ocorrências. Na época, a malta das grandes cidades considerava-se num patamar acima – ou mais, se calhar - do desenvolvimento humano. Eles eram os espertalhões e nós, os provincianos, uns atrasados quaisquer. E isto não constituia exclusivo de Portugal. Era coisa universal.

Hoje assiste-se ao inverso. Confesso que às vezes até me dão pena e questiono-me como é que alguém consegue tirar partido da idiotice de outro, assim, de uma forma tão descarada. Já nem digo vender um penico, apanhado no lixo, por vinte euros. Ou pêssegos espanhóis como se fossem genuinamente alentejanos. Isso, reconheço, é para meninos. Gozo, partida, burla ou o que se queira é alugar um palheiro, por mil euros a semana, para os turistas pernoitarem. E, ao que parece, está a ser um sucesso.

Não tenho, naturalmente, informação acerca da origem da clientela desta, chamemos-lhe assim, unidade agro-turistica extremamente inovadora. Mas não acredito que alguém que não resida habitualmente numa metrópole, fosse idiota ao ponto de pagar um balúrdio para dormir naquelas condições. Só um parvo o faria. E há muitos a fazê-lo, pelos vistos. Deve ser pela experiência. Que é o que chamam agora àquelas partidas manhosas, em que o pessoal paga para fazer uma coisa que alguém minimamente inteligente não faria nem que lhe pagassem.

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