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Kruzes Kanhoto

Ainda que todos, eu não!

Kruzes Kanhoto

Ainda que todos, eu não!

Equilibrio rigidamente precário

Kruzes Kanhoto, 25.11.25

Tem havido ultimamente uma enorme discussão em torno das alterações que o governo pretende introduzir no chamado pacote laboral. Não é coisa, confesso, que me interesse muito. Até porque faço hoje, precisamente hoje, quarenta e cinco anos de trabalho e, com sorte, dentro de alguns meses tudo o que envolva trabalho deixa de me interessar. Ou, pelo menos, de me dizer respeito.

Por agora, relativamente aos desaguisados que a matéria tem suscitado, foco-me apenas em dois dados. Ambos, aos que julgo saber, bastante fiáveis por virem de fontes credíveis amplamente citadas por gente reconhecidamente sabedora do tema. Um é que Portugal é o segundo país da União Europeia com mais trabalhadores precários. O outro é que o país ocupa a terceira posição, também na UE, entre as legislações laborais mais rígidas. Assim de repente, parece-me, é capaz de uma coisa estar relacionada com a outra. E o melhor, provavelmente, é deixar estar assim. Quando grande parte dos patrões são broncos e quase todos os sindicatos são marionetas de um partido que luta pela sobrevivência política, o mais ajuizado é não mexer. Desequilibrar, seja para que lado for, só vai piorar.

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