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Kruzes Kanhoto

Ainda que todos, eu não!

Enganem-nos que nós gostamos

por Kruzes Kanhoto, em 11.09.11

Como é publico e notório, de tantasvezes que já o repeti, tudo o que é opção de reduzir custos pela via dossalários causa-me uma certa alergia. Dá-me brotoeja, digamos. A recentementeanunciada intenção governativa de reduzir para metade os cargos dirigentes naadministração local não foge à regra e, para além da vontade de me coçar,provocou-me igualmente uma incontrolável vontade de rir. Embora até admita quea necessidade de controlar nomeações nas autarquias é essencial – por este ladoa ideia pode ser vista como positiva – já a parte da poupança prevista meparece completamente tola. Das duas, uma. Ou o governo é ingénuo ou é parvo. Ouentão acha-nos ingénuos e quer fazer de nós parvos. É que, se não forem tomadasoutro tipo de medidas, o dinheiro que não for pago aos dirigentes municipaisque deixarem de o ser – trabalhadores como os outros, recorde-se – não iráficar nos cofres autárquicos. O mais certo é ir direitinho para as contasbancárias do clã Carreira e de outros agentes culturais do nosso contentamento,para fazer obras que apenas servem para alimentar o ego dos autarcas ou paragovernar a malta que, de norte a sul, pulula em redor de muitas associações deutilidade mais que duvidosa.
Veja-se, por exemplo, o que aconteceucom a redução salarial este ano decretada e com o fim do abono de família. Osnúmeros são públicos e demonstram claramente que o facto de os trabalhadoreslevarem para casa bastante menos dinheiro que anteriormente, em nada, mas mesmoem nada, contribuiu para a redução da despesa e do endividamento global dasautarquias. Antes pelo contrário. Estas não pararam de se endividar, de admitirmais “funcionários” e de fazer mais despesa que, se vivêssemos num país sério,devia colocar na prisão quem a autoriza. Daí que anúncios destes me dêem vontadede chamar nomes pouco abonatórios a muita gente. A começar por aqueles que osaplaudem.
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