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Kruzes Kanhoto

Ainda que todos, eu não!

Kruzes Kanhoto

Ainda que todos, eu não!

Eles não se enganam...a realidade é que não acerta.

Kruzes Kanhoto, 05.02.22

Os mesmos comentadores que antes garantiam a ausência de maiorias absolutas e perspetivavam uma luta renhida entre o PS e o PSD, têm agora a certeza absoluta quanto aos motivos que levaram os portugueses a dar a maioria a António Costa. Foi, afiançam cheios de convicção, o medo da extrema-direita. De facto, na rua não ouço falar de outra coisa. Anda tudo aterrorizado com isso. Ninguém quer saber dos problemas na saúde, dos salários baixos ou dos impostos altos. Cenas que, obviamente, para os eleitores não passam de minudências, de tão apavorados que estão com a direita mais extrema.

Excepto o país que vive dentro das redações dos órgãos de comunicação social toda a gente, com maior ou menor dificuldade, percebe que o PS ganhou porque quatro milhões de eleitores vivem à conta do Estado e, naturalmente, estão contentes por lhes aumentarem as reformas, os vencimentos ou os apoios sociais. Também não se afigura difícil de perceber que BE e PCP são partidos de protesto – mais o primeiro que o segundo, é certo – e viram parte significativa dos seus votos ir parar ao Chega. A incapacidade de ambos em cativar o eleitorado mais jovem fez o resto. Aquele discurso da defesa das pensões instituídas e dos impostos, era quase um apelo ao voto dos mais novos na IL.

Estes comentadores também ainda não conseguiram aceitar que o resultado das eleições se traduziu numa viragem à direita. A maioria absoluta permite ao PS livrar-se da extrema-esquerda e, finalmente, poder governar de acordo com a sua matriz ideológica. Não será propriamente bom. Mas, seguramente, será menos mau do que até aqui.

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