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Kruzes Kanhoto

Ainda que todos, eu não!

Kruzes Kanhoto

Ainda que todos, eu não!

E peixeirada, pode dizer-se?

Kruzes Kanhoto, 21.05.24

Há quem não se canse de dar palco ao Ventura. Qualquer motivo é bom. Como se não fosse isso mesmo que o homem procura de cada vez que abre a boca. A mais recente promoção que lhe estão a fazer é do mais parvo a que já assistimos e, convenhamos, das mais perigosas. É que, assim de repente, demos connosco, cinquenta anos depois de Abril, a discutir os limites da liberdade de expressão. Pior do que isso, a sugerir impor-lhe limites a pretexto de conceitos vagos e quase impossíveis de balizar com clareza. Quantos daqueles que se indignaram com as palavras do líder do Chega, acerca da alegada pouca apetência dos turcos para o trabalho, contaram ou pelo menos acharam muita graça às anedotas de alentejanos em que estes são retratados como inveterados apreciadores da ociosidade e pouco dados ao labor? O mesmo relativamente a piadas mais ou menos jocosas acerca de carecas, louras, padres, coxos, gordos, marrecos, magros, políticos, funcionários públicos e mais uma interminável lista de pessoas ou grupos. Vamos banir tudo isso do nosso discurso? Ou, relativamente a povos estrangeiros, vamos deixar de dizer que de “Espanha nem bom vento nem bom casamento” para não ofender os espanhóis?! Eh pá, vão mas é para aquele cestinho das caravelas…

Se aplicarmos o principio do “olho por olho, dente por dente” acabaremos todos cegos e desdentados. Se calarmos tudo o que não gostamos de ouvir, acabaremos todos amordaçados. Pelos vistos é isso que os defensores de Abril defendem. Não me surpreende.

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