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Kruzes Kanhoto

Ainda que todos, eu não!

É cultura, estúpidos.

por Kruzes Kanhoto, em 21.08.19

Tenho manifesta dificuldade em perceber qual é o problema com a eventual criação de um museu dedicado ao Salazar na terra de onde o ditador era natural. Para os velhinhos “que lutaram contra o fascismo”, que se consideram uma espécie de reserva moral do regime, constitui, dizem, uma ofensa. Já outros “democratas” abominam a ideia pois, suspeitam, vai enaltecer a figura e o legado do “Botas”, levando a que hordas de fascistas venham a demandar Santa Comba.

Ora, reitero, não estou a ver qual é o drama. A democracia é isso mesmo. Permitir a livre expressão de todas as ideias. Mesmo as dos seus inimigos. É essa tolerância que permite a existência de partidos como o PCP ou que a religião islâmica se pratique livremente.

Há, depois, outra questão que me é particularmente cara. Essa gente pensa que o país é Lisboa. Está-se absolutamente nas tintas para o que se passa no interior. Contudo, mal alguém tem uma iniciativa que possa criar um polo de atracção – nem que seja de apenas meia dúzia de saudosistas – desata aos berros e a mandar palpites acerca do que, a trezentos quilómetros de distância, deve ou não ser feito. Ainda que muitos nunca lá tenham posto os pés, não tenham intenção de pôr e queiram tanto saber do impacto que a iniciativa pode ter sobre a economia local como nada. Para essa tropa tudo se resume a ideologia. É por isso que não passamos da cepa torta.

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