Dislike
por Kruzes Kanhoto, em 18.09.11
Alberto JoãoJardim tem sido, principalmente nos últimos dias, alvo da crítica desabrida daesmagadora maioria dos portugueses. Dado como exemplo de como não se devegovernar é apontado a dedo como gastador-mor e um dos grandes responsáveis pelogigantesco buraco – mais um – nas contas deste desgovernado e ingovernávelpaís.
Independentementedas inúmeras tropelias financeiras que o homem tenha, alegadamente, feitodurante a sua já longa governação, não me parece que haja muita gente commoralidade suficiente para o atacar. Isto, claro, no âmbito estritamente dagestão financeira da ilha e do endividamento a que conduziu a região. Quemataca o governante madeirense que olhe para o todo do país ou, se não se quiserdar a esse trabalho e ficar pelas coisas mais comezinhas, para a sua autarquia.Qualquer uma serve. É só escolher entre os trezentos e oito municípios e maisde quatro mil freguesias. De caminho pense um pouco e, para não criticar apenascomportamento alheios, ponha a mão na consciência e reflicta se nunca exigiunada ao seu autarca, se não se congratulou com aquele fantástico espectáculo doCarreira, meteu uma cunha para um emprego lá na autarquia ou andou a espalhar“likes” sempre que é anunciada mais uma obra sem a qual os moradores lá daterra passavam muitíssimo bem e que, por mais estranho que possa parecer, desequilibratambém ela as contas do Estado.
É fácilcriticar, à posteriori, quando estas coisas vem a público. Aí o gajo queautorizou é “um malandro”, ”devia ir preso” e “andou-se a amanhar”. O pior éque muitas vezes fomos nós que exigimos, aplaudimos a sua actuação e, no fim,quando a factura é apresentada, fazemos de conta que não o conhecemos e que nãoé nada connosco. Por isso é bom que se perceba que o descalabro das contasnacionais, incluindo regiões e autarquias, é culpa de todos. Ou os “likes” nascemde geração espontânea?!