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Kruzes Kanhoto

Ainda que todos, eu não!

Deve ser uma espécie de preconceito

por Kruzes Kanhoto, em 17.10.19

Por alguma razão que me escapa, os portugueses em geral e a humanidade em particular estão convencidos que a esquerda é boazinha e a direita é malvada. A propaganda tem muita força e na arte de propagandear a esquerda é eximia. Nem mesmo as sucessivas falências do Estado, todas protagonizadas por governos de esquerda e consequentes apertos a que temos sido submetidos, são suficientes para demover o pagode desta convicção. Nem, sequer, as trágicas consequências, traduzidas não raras vezes em milhões de mortos, de governações esquerdistas um pouco por todo o globo parecem abalar estas crendices.

Ainda agora, no rescaldo das legislativas, esta patetice está bem presente. A eleição do tal André Ventura provocou elevados níveis de indignação e de outros sentimentos que me escuso de enunciar. Enquanto isso a entrada da fulana do Livre no parlamento não suscita igual preocupação e, pelo contrário, é até vista com bonomia. Isto apesar do discurso da senhora ser assumidamente radical, pouco tolerante e manifestamente desagradável. A única diferença entre ambos, queiramos ou não, está apenas no assumidamente. Mas esperar que a malta esquisita que pulula pelas redações da merda da comunicação social que temos – ou pelas plataformas de informação online – perceba isso ou, vá, revele o mínimo de imparcialidade, é capaz de ser tão parvo como acreditar no Pai Natal.

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