Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Kruzes Kanhoto

Ainda que todos, eu não!

Kruzes Kanhoto

Ainda que todos, eu não!

Curiosidades da execução orçamental da administração local

Kruzes Kanhoto, 24.07.11
Asíntese da execução orçamental recentemente divulgada pela Direcção-Geral do Orçamento apresenta valores, no que diz respeito à administração local, quesimpaticamente me limitarei a classificar apenas como perturbadores. Istoporque, contrariamente ao que seria expectável, a despesa do conjunto dos municípiosnão está a encolher relativamente ao ano anterior. Bem pelo contrário. Atéfinal de Junho a despesa, do total de toda a administração local, registou umaumento de 2,4 por cento. Isto apesar das despesas com pessoal – os eternosculpados – terem caído, por comparação com igual período do ano passado, em 3,3por cento.
Estesnúmeros não reflectem, na minha opinião, apenas má gestão por parte de quemlidera os municípios portugueses. O caso será muito mais grave do que isso. Oque estes indicadores nos mostram é que estando o poder local muito mais pertodas pessoas lhe é praticamente impossível ir contra o que dele exigem oseleitores e, vivendo os portugueses um estranho estado de negação da realidade,é muito difícil a qualquer autarquia reduzir seja o que for no âmbito das suasdespesas sem ter de se confrontar com a reacção dos que se habituaram a viver,de alguma forma, à conta do orçamento municipal. De resto apenas um totó acreditaráque um autarca, por mais corajoso ou empenhado em prosseguir uma gestãoracional da coisa pública, será capaz de olhar nos olhos os seus munícipes edizer-lhes que a “festa” acabou. Excepto, como os números claramentedemonstram, se os cortes forem no pessoal. Aí ninguém se importa de ser mauzãoporque sabe que a populaça fica satisfeita.
Atítulo de exemplo – podia ser outro, mas este parece-me sintomático – até finalde Junho, foram pagos pelas autarquias mais 9,8 milhões de euros emtransferências correntes - os vulgares subsídios - do que em período homólogodo ano anterior. Ou seja, mais de metade da poupança gerada com a redução dasdespesas com pessoal não serviu para reduzir o défice, equilibrar as contaspúblicas, salvar o país da bancarrota ou, o que me parecia sério, pagar as dívidas.Foi, antes, parar às contas bancárias dos inúmeros subsidio-dependentes,verdadeiros peritos na arte de mostrar trabalho – tipo, sei lá, comer camarão -com o dinheiro que lhes é dado de mão-beijada. Espero que façam bomproveito. Na verdadeira acepção da palavra.

2 comentários

Comentar post