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Kruzes Kanhoto

Ainda que todos, eu não!

Coisas (pouco) sérias

por Kruzes Kanhoto, em 20.05.10
Esforço-me por acreditar naqueles que as televisões e outros órgãos de comunicação social escolhem para nos manter informados acerca das incidências da actual crise e das possíveis soluções para a ultrapassar. Acredito que, na sua maioria, são pessoas sensatas e, quase todos, saberão daquilo que falam. Torna-se, no entanto, cada vez mais difícil levá-los a sério e, à semelhança dos membros do governo ou do pessoal ligado ao PS, é crescente o número de supostos analistas políticos, económicos e financeiros a dizer alarvidades. Ora esse era um papel que tinha como reservado para gajos que escrevem em blogues parvos. Como este, por exemplo.
Cito apenas dois casos. O presidente da Confederação da Indústria Portuguesa sugeriu que os funcionários públicos recebessem os subsídios de férias e de natal em certificados de aforro. Medida que, defende, constituiria um incentivo à poupança. E nada melhor que começar pelos trabalhadores do Estado que, à semelhança do patrão, são uns esbanjadores pouco dados a essa coisa de manter um pé-de-meia. A proposta, principalmente vinda de onde vem, é no mínimo suicida. Até porque representaria uma quebra dramática no consumo e acabaria por se virar contra quem a propõe. 
Também Belmiro de Azevedo se saiu, um destes dias, com uma tirada genial. As dificuldades que se avizinham legitimam, segundo o patrão da Sonae, que os pobres roubem para se alimentar. Uma afirmação destas na boca do dono de uma cadeia de supermercados que vendem, nomeadamente, bens alimentares não me parece lá muito sensata…Mas pode ser um bom argumento a usar em Tribunal por um qualquer larápio apanhado a gamar uns “morfes” para o pic-nic. 
A maior evidência dos tempos estranhos que vivemos não veio, quanto a mim, da área económico-financeira. O Presidente da República falou ao país acerca de paneleiros, fufas e actividades correlativas. Quando o mais alto magistrado da nação ocupa uma parte do seu tempo, por mais ínfima que seja, com assuntos de merda – literalmente – como esse, é porque estamos realmente em crise.
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