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Kruzes Kanhoto

Ainda que todos, eu não!

Kruzes Kanhoto

Ainda que todos, eu não!

Boicotes

Kruzes Kanhoto, 23.01.11
Dia de eleições é, inevitavelmente, dia de boicote. Há-os para todos os gostos. Razoáveis e compreensíveis uns, parvos e despropositados outros. Principalmente quando visam protestar contra situações que afectam apenas um determinado grupo de pessoas e não a localidade no seu todo, ou quando os motivos que levam à tentativa de chamar a atenção dos centros de decisão são, digamos, idiotas e cobrem de ridículo quem os faz. 
Dos boicotes de hoje, pelo menos dos conhecidos, destaco dois que não abonam em nada a inteligência - ainda menos o bom-senso - de quem os promoveu. Na localidade algarvia de Fuzeta os pescadores acharam por bem boicotar o acto eleitoral por causa da barra marítima lá do sitio que, segundo eles, não reunirá as necessárias condições de segurança. Muito provavelmente terão razão. Agora impedir o direito ao voto a outras pessoas, que na sua maioria não têm nada a ver com isso, é uma atitude de arruaceiros que num país a sério era capaz de dar direito a umas vergastadas no lombo. Para amaciar. 
No âmbito do ridículo - e do parvo, também - temos o protesto de uma aldeia que reivindica a abertura da casa mortuária. Parece que na igreja faz frio, sentem-se desconfortáveis durante os velórios e, pior, falam desalmadamente durante os mesmos. O que constitui uma vergonha. É o que garante uma velhota certamente profunda conhecedora dos comportamentos a ter durante a permanência num templo. Acresce a isto que o edifício alvo da discórdia estará concluído e que apenas não abre porque a Câmara não terá ainda pago ao construtor que, assim, não entrega a obra. 
Acredito que também neste caso os habitantes da aldeia em causa, desgraçadamente não fixei o nome da terra, estejam cobertos de razão. Pena, no entanto, que não protestem com a mesma veemência quando a autarquia paga - se é que o faz, evidentemente - almoços, jantares e lanches aos velhotes, os leva a passear à borla por esse país fora, organiza festarolas com os artistas do momento, contrata os amigos para fazer "coisas" e dá subsídios a associações que apenas existem para organizar almoços, jantares e lanches, levar pessoas a passear por esse país fora ou contratar amigos para fazer "coisas".

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