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Kruzes Kanhoto

Ainda que todos, eu não!

As ruinas, os milhões e outras degradações

por Kruzes Kanhoto, em 11.01.10
Edifícios magníficos, como este, não merecem o estado de abandono e degradação em que se encontram. Os factores que contribuíram para o actual estado de coisas – neste e em milhentos outros casos pelo país inteiro – são muitos, a maior parte conhecidos e poucas vezes de fácil resolução pelos proprietários. Que, diga-se, nem sempre são os principais responsáveis por os prédios se encontrarem neste triste estado.
Num ano em que o Estado gastou larguíssimos milhões de euros a apoiar empresas, sob o pretexto do combate à crise e às suas consequências, sem que dessa fabulosa injecção de dinheiro público se assistam a resultados palpáveis, parece cada vez mais evidente que se perdeu uma oportunidade histórica de recuperar as nossas cidades. Mesmo que não fosse necessário recorrer a uma espécie de nacionalização de todos os edifícios degradados – embora o governo tenha nacionalizado um banco em avançado estado de degradação – haveria de se encontrar uma qualquer solução que permitisse ao Estado promover a recuperação de muito património edificado. Constituiria uma opção geradora de emprego e que, seguramente, dinamizaria muito mais as economias locais do que empreendimentos megalómanos ou alguns apoios que começam a suscitar dúvidas e sobre os quais ainda muito se há-de ouvir falar. Com a inegável vantagem de, passada a crise, voltarmos a ter as nossas cidades devidamente arranjadas e bonitas.
Neste edifício funcionou até ao final dos anos oitenta uma das mais afamadas e finas mercearias da cidade. Frequentada por clientela distinta e onde maltrapilhos como eu não eram bem vistos. Recordo-me de, na única vez que lá fui, apenas terem recebido um cheque como meio de pagamento das minhas compras – algumas garrafas de vinho do Porto – porque um outro cliente, que não conheci de lado nenhum, garantiu que eu não era gajo para andar a passar cheques carecas. Devia estar farto esperar na bicha da caixa…
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