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Kruzes Kanhoto

Ainda que todos, eu não!

Kruzes Kanhoto

Ainda que todos, eu não!

As cinzas dos dias que passam

Kruzes Kanhoto, 19.06.10
Desde ontem que nas televisões nacionais apenas dá Saramago. E, ainda, Mundial de futebol. Dois temas que me causam um aborrecimento desmedido e que contribuem por dar por bem empregue cada euro da factura da televisão por cabo. Não fora a calosidade que se começa a formar no polegar da mão direita – a que movimenta o comando – e nem lamentava que apenas dois temas tão desinteressantes ocupassem tanto tempo da antena televisiva nacional. 
Apesar de não apreciar a escrita do ex-director do Diário de Noticias, admito que alguma qualidade terá. Se assim não fosse a criatura não teria obtido o reconhecimento à escala mundial que obteve. Mas não gosto e, quanto a isso, nada há a fazer. Não vou, ao contrário de muito boa gente, dizer que aprecio apenas para dar ares de possuidor de um intelecto superior. 
Apreciava ainda menos o homem que o escritor. Arrogante e mal educado eram algumas das características que, a julgar pelas aparições televisivas, o fulano demonstrava possuir e que o seu desaparecimento não apaga. 
Manifestamente exagerado me parece também o envolvimento do Estado nas exéquias fúnebres deste senhor. Pagar um avião, só para ir buscar o corpo e levar parte das cinza de volta, quando se coloca a hipótese de encerrar serviços do INEM – que, habitualmente, cuidam dos vivos - por falta de dinheiro é de um descaramento inqualificável. Até porque lá por Lanzarote deve haver quem saiba fazer fogueiras. 
Há, em alturas como esta, quem se sinta na obrigação de vir fazer o elogio do falecido. Não eu. O senhor viveu a sua vida, longa por sinal, e partiu no tempo adequado. Como, dadas as circunstâncias, a expressão não é apropriada não vou desejar que a terra lhe seja leve. Faço apenas votos para que ninguém snife as suas cinzas.

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