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Kruzes Kanhoto

Ainda que todos, eu não!

As barbas do vizinho já estão a arder...

por Kruzes Kanhoto, em 23.06.12

Queixam-se osresponsáveis pelas instituições de solidariedade social, de certeza absolutacom toda a razão, da falta de meios para apoiar quem a elas se dirige em buscade auxílio. Neste, como noutros campos, os recursos são quase sempre escassose, infelizmente, por maior que seja a boa vontade de quem está à frente destasorganizações, acredito que é difícil satisfazer todas as solicitações que lhessão dirigidas. Não será mesmo de excluir que, com o agudizar da crise e ocolapso social a que estamos a assistir, alguns destes organismos possam,também eles, entrar em ruptura.
Passei um destes dias porperto de um dos locais onde cá pelo burgo é distribuída ajuda alimentar. Aoscidadãos mais carenciados, suponho. E, confesso, fiquei incomodado. Se a crisee a tragédia para onde fomos conduzidos não constituem motivo de grandesurpresa, a sua dimensão – essa sim – mais do que apreensivo, começa a deixar-meassustado.
Vou poupar-me ao trabalhode percorrer o caminho da demagogia. Esqueço, por isso, o facto de um ou outroque dali saía com ajuda alimentar ser cliente assíduo das esquinas e tascos dacidade, onde fuma as suas cigarradas ou emborca umas bejecas. Não virá, daí,grande mal ao mundo e um homem – ou uma mulher – ainda que pobre, também tem direitoaos seus pequenos prazeres. Mas não consigo ficar indiferente quando umaposentado da função pública, com mais de oitocentos euros mensais de reforma,sente necessidade de recorrer a uma instituição para obter bens alimentaresessenciais. Aí é porque a crise já está a bater bem fundo. Será, portanto,tempo de todos nós irmos colocando as barbas de molho não vão elas, um dia destes,pegar fogo.
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