Abaixo os feriados!
por Kruzes Kanhoto, em 11.11.11
Oempobrecimento dos portugueses constitui o desígnio nacional, proposto pelogoverno e aplaudido por uma ampla e quase consensual panóplia de paineleirosespalhados pelos canais televisivos de notícias e principais jornais.Secundados, diga-se, por um vastíssimo sector da opinião pública que, vá lásaber-se porquê, acredita que escapará incólume ao retrocesso civilizacional emcurso e que serão apenas os outros, designadamente os funcionários públicos, aficarem mais pobres.
Éneste contexto que surge a ideia de reduzir o número de feriados. Quatro ao queparece. O que, quanto a mim, é manifestamente pouco. Insignificante, quase. Aoque se sabe datas como o natal, a pascoa, o dia de Portugal ou de cada um dostrezentos e oito concelhos, continuarão a ser assinaladas como um dia dedescanso. Mal. Continuar a celebrar oficialmente feriados religiosos constituium insulto às crenças dos cidadãos de outras religiões que vivem entre nós e,no tocante aos outros, nomeadamente aos feriados municipais, acabam por não sercelebrados pelos munícipes que trabalham em concelho diferente daquele onderesidem.
Apesarde tímida e pecar por escassa, gosto desta intenção. Mais. É até com imensasatisfação que aplaudo esta ideia. Principalmente porque me vai permitirauferir anualmente mais dezassete euros - livres de impostos - e me permitirápoupar uns trocos que, às vezes mesmo sem querer, se gastam nos dias de lazer.Não querem acabar com mais? Vá lá. O aumento da despesa pública com o subsídiode refeição anda apenas à volta dos três milhões de euros por feriado. Peanuts.
