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Kruzes Kanhoto

Ainda que todos, eu não!

Kruzes Kanhoto

Ainda que todos, eu não!

A indignação dos indignados

Kruzes Kanhoto, 30.07.20

Acho alguma piada aos indignados do Facebook. São muitos, indignam-se com inusitada frequência e todos os dias encontram motivo para mais uma indignação. Mas o que me faz rir mesmo com vontade, são os que se indignam com a indignação dos indignados do Facebook. Ou seja, aquele pessoal que ao ler um comentário indignado fica tão indignado que não resiste a expressar, normalmente de forma veemente, a sua indignação com a indignação do indignado.

Confuso? Nada como um exemplo simples. Alguém publica uma foto de um Ferrari verde alface estacionado em frente à câmara municipal. Uma qualquer do Norte, que há lá muitas câmaras e muitos Ferraris. Vem o indignado de serviço, insurge-se contra a cor da viatura e, irónico, alega que até condiz o com edifício. Afirmação que, naturalmente, faz saltar a tampa ao indignado com a indignação do primeiro indignado. Num ápice, responde-lhe que o presidente da câmara é para lá de santo e, quanto à cor do carro, não tem nada que estar para ali a mandar bitaites. Até porque, acrescenta, não consta que seja doutorado em colorimetria. Terminando, em muitas circunstâncias e evidenciando um notório enfado, com aquela expressão parva que ninguém sabe ao certo o que significa, “por amor da santa”.

É também por estas coisas que me insurjo contra a monitorização do chamado discurso de ódio nas redes sociais. Quando os pides da Internet estiverem no pleno exercício dos seus poderes tudo isto deixará de ser possível. Que vai ser de nós sem os indignados e os indignados com a indignação dos indignados? Ou arranjam novas maneiras de puxar lustro ou perdemos este divertimento.

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