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Kruzes Kanhoto

Ainda que todos, eu não!

E as crianças nómadas? São menos que as outras?

por Kruzes Kanhoto, em 24.03.18

Um silêncio ensurdecedor este que se ouve acerca da série de reportagens "mães interrompidas", emitidas pela TVI, onde se aborda a retirada de crianças às mães. Ninguém se pronuncia, as redes sociais não se incendeiam e até o Presidente da República continua calado.

Desta temática sei apenas, felizmente, o que ouço dizer. E o que se ouve – antes, ainda, da TVI dedicar algum tempo ao assunto – não é nada abonatório. Pelo contrário. Mas, admito, pode até estar a ser cometida uma enorme injustiça relativamente aos que trabalham na área. Porque, convenhamos, é absolutamente normal que qualquer técnica recomende o uso de roupas e calçado adequado, critique as mães que não sabem fazer uma sopa, defenda que uma criança deve ter um quarto só para si – de preferência com televisão - e que deve viver numa casa com todas as condições.

Mas acho, também, que todas as crianças são iguais. Parece-me, portanto, inadmissível que apenas a algumas seja concedido o privilégio de ingressar numa instituição. Enquanto existirem, no Alentejo por exemplo, crianças nómadas, sem nenhuma das condições de habitação que consideramos minimamente aceitáveis, não se pode considerar que as pessoas ligadas a esta área de intervenção social estão a fazer bem o seu trabalho. É que estas crianças, lá por pertencerem a uma minoria, não têm menos direito à institucionalização do que as outras.

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A morte tem sempre uma desculpa...

por Kruzes Kanhoto, em 23.03.18

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De repente levantaram-se vozes de consternação por o Facebook, ao ceder dados dos utilizadores, ter contribuído decisivamente para a eleição do Trump. Não percebo o problema desta gente. Esta inquietação toda deriva do facto de só terem descoberto agora o que acontece com os seus dados? Ou é por terem sido usados para eleger o outro maluco? Se, como se calhar até já sucedeu, servisse para eleger um esquerdalho qualquer não fazia mal nem dava lugar a nenhuma espécie de consternação?!

Estará, portanto, encontrada a explicação que faltava para justificar a eleição de Donald Trump como presidente dos EUA. Pelo menos aquela que alguns querem ouvir. Por mim podem continuar a acreditar nela. No Pai Natal e no Coelho da Pascoa também, se quiserem. Cada um acredita no que quer. Enquanto isso os eleitores colocarão outros Trump’s no poder. É que, por muito que custe às elites iluminadas, há vida para lá do Facebook e das redes sociais. E dessa sabe o povo.

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O homem do saco

por Kruzes Kanhoto, em 22.03.18

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Ainda bem que quando era puto não havia essa modernice das CPCJ’s. Nem isso nem outros alegados esquemas manhosos de que agora tanto se ouve falar. Devia ser por, na altura, haver gaiatos em abundância. Ao contrário de hoje, que faltam pirralhos e sobram velhos. Talvez por isso, ao que consta, casos haverá em que, ainda nas maternidades, mal são paridos já estarão a ser subtraídos às mães. Há poucos catraios, depois dá nisso. Já quanto aos velhos, como há muitos, é ao contrário. Ninguém os quer. É a vida. Ou o mercado, não sei bem. Só sei que no meu tempo de criança, para prevenir um eventual mau comportamento da rapaziada, os pais ou outros familiares sugeriam que seriamos levados de casa pelo “homem do saco”. Uma figura mítica que nunca ninguém viu mas que, quando mencionada, tinha o condão de acalmar os ânimos ao mais irrequieto. Hoje, se calhar, para obter o mesmo resultado deve bastar ameaçar com uma chamada para a CPCJ mais próxima...

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Vizinho chato

por Kruzes Kanhoto, em 21.03.18

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A convivência entre vizinhos nem sempre é pacifica. Tal como pouco pacifico deve ter sido o relacionamento do destinatário desta missiva com os restantes moradores. Para além de - ao que indicia o remetente - se ter esquecido de pagar qualquer coisa num qualquer lado, não terá deixado saudades entre a vizinhança. Há vizinhos assim. E todos conhecemos um. Ou mais.

 

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Dissertações

por Kruzes Kanhoto, em 20.03.18

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Anda para aí meio mundo indignado por Passos Coelho ter sido convidado para professor numa universidade. Não se me afigura que exista motivo para tanto. Nomeadamente num país onde, a julgar pela ausência de igual nível de irritabilidade, toda a gente parece achar normal que o líder da claque do futebol clube do Porto seja orador em palestras acerca da ética no desporto. Ou que, para além de mim, poucos mais achem um disparate que José Sócrates vá dissertar sobre economia na universidade de Coimbra.

Admito não estar a ver bem a coisa. Se calhar, no caso do macaco e do ex-detido de Évora, a intenção será demonstrar aos participantes nas respectivas iniciativas aquilo que nunca devem fazer. Assim tipo, “estão a ouvir estes senhores? Façam o contrário do que eles dizem e vão ver que o mundo será um lugar melhor”.

Quanto ao Passos Coelho… coube-lhe aquela chatice de tirar o país da terceira bancarrota originada por governos socialistas. Fez, à conta disso, um rol imenso de disparates. Menos, ainda assim, que qualquer dos outros dissertantes acima mencionados. Mas, como forma de expiação, devia era ir dar aulas para uma universidade sénior...

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Caminhos privados...iluminação pública (II)

por Kruzes Kanhoto, em 17.03.18

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Por este país fora não faltarão situações como a que descrevi neste post publicado aqui há atrasado. Serão, provavelmente, mais que muitos os casos de caminhos privados servidos pela rede de iluminação pública. Uns em resultado da xico-espertice tuga, outros do deixa andar das instituições que têm por obrigação estar atentas a estas coisas e, outras ainda, derivadas de motivações várias que não vêm agora ao caso. O certo é que, na hora de pagar, pagam as autarquias. Todos nós, portanto. E a conta não é barata. Daí que, para fazer face a estes custos, talvez não ande longe o dia em que comecemos a pagar uma “taxa de iluminação pública”. A ideia anda por aí…

 

PS: A identidade do canito foi devidamente ocultada. Não quero cá expor a privacidade do bicho!

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Enrolem-se à vontade...mas não aborreçam os outros!

por Kruzes Kanhoto, em 16.03.18

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Não sendo utilizador de transportes colectivos, desconhecia que é possível pessoas e animais viajarem juntos. Cuidava eu que tal misturada era coisa de comédia cinematográfica a parodiar aqueles países atrasados onde galinhas, porcos e pessoas viajam todos todos em alegre promiscuidade. Mas diz que não. Parece que, também por cá, pode ir tudo no mesmo espaço. Seja comboio, autocarro ou avião. Desde que, parece, o bicho vá devidamente acondicionado numa maleta colocada debaixo do banco onde se senta o dono. Como se o animal que viaje nessas condições não mije, cague ou faça barulho. Que incomode, em suma.

Isto a propósito daquela noticia da morte de uma canito que não foi autorizado a viajar de avião junto do dono. A Internet, como seria de esperar, indignou-se. Por mim a companhia de aviação fez muitíssimo bem. O passageiro do lado não tem nada de aturar a presença de um bicho.

Deve ser, presumo, um sinal dos tempos. Ou não, porque gente esquisita sempre houve. A diferença é que antes não nos aborreciam com as suas esquisitices e agora somos nós que somos considerados esquisitos se nos aborrecermos com as suas manias. Por mim, insisto, desde que não chateiem os demais façam o que quiserem com a bicharada. Até coisar e isso, como alguns e algumas já fazem com os de maior porte.

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Salvar bancos agora já é uma coisa boa?!

por Kruzes Kanhoto, em 14.03.18

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Primeiro foi o BPN. Sócrates, contra a opinião do seu ministro das finanças, tratou de o salvar. Opção que, como todos sabemos, nos tem custado os olhos da cara. Depois, com o regresso ao poder dos socialistas, foram o Banif e a Caixa a reclamar mais uns milhões – muitos, mesmo – ao erário público. Agora foi o Montepio. Estava à rasca e, naturalmente, o governo socialista sustentado no poder por comunas e blocas lá deu uma mãozinha. Pelo meio, a mesma gente, resolveu o problema aos lesados do BES pagando-lhes com o nosso dinheiro. E, por falar em BES, só não salvaram esse porque, por sorte nossa e azar do Salgado, não estavam no poder.

Ora, essa coisa de salvar bancos andou durante anos a servir de argumento a toda a gente para malhar do governo. No de então. Dava para tudo. Quando, afinal, o governo que era alvo das criticas não tinha salvo nenhum. Curiosamente este argumentário desapareceu do léxico político. Já ninguém o usa. Logo agora que temos um governo especialista em matéria de salvamento bancário! Mas ainda bem que já não temos um governo da direita bafienta, que apenas se preocupava com o capital e só queria o mal das pessoas.

 

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No limite nem é o Jon Bon Jovi

por Kruzes Kanhoto, em 13.03.18

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Não sei em que pé se encontra aquilo das armas que terão desaparecido de Tancos. As tais que, no limite, nem existiam. Ou, a existirem, não passariam de sucata e o seu sumiço teria até constituído um favor que os alegados gatunos teriam feito à tropa.

Estas, que pela descrição podiam ser as desaparecidas, estavam um sábado destes à venda na feira das velharias cá da terra. Não me parecem, assim à primeira vista, por aí além muito perigosas. Mas nunca fiando. O melhor é não subestimar os estragos que um dvd do Jon Bon Jovi pode fazer.

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Cosmopolitas e matarruanos

por Kruzes Kanhoto, em 12.03.18

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Calhaus pintados? Deve ser uma moderna forma de expressão artística. Isso ou outra parvoíce qualquer. Mas, ainda assim, não tão parva como destruir linhas de água. Devem estar convencidos, os novos campónios, que nunca chove no Alentejo. Ou, então, acham que podem mandar o regato dar uma grande volta. Como têm de fazer os que antes passavam pelos caminhos que os proprietários cosmopolitas, ciosos do seu brinquedo, vão fechando. Com a complacência dos matarruanos autóctones, quase sempre.

 

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Famílias inter-espécies

por Kruzes Kanhoto, em 11.03.18

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Nem me vou alargar em grandes considerandos acerca dos “escritos” acima. Ambos relacionados com aquele moderníssimo conceito de famílias inter-espécies, ou lá o uns quantos doentes mentais gostam de chamar a gente para quem os bichos são como filhos, irmãos, cunhados ou o raio que os parta. Não vale a pena. As criaturas dizem tudo. E o que dizem nem é muito incomum nem surpreendente. Talvez a única surpresa seja as cadelas - ou outras espécies de quadrúpedes - escreverem no facebook.

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Todos igualmente pobres...É o desejo da União Europeia!

por Kruzes Kanhoto, em 10.03.18

Estou confuso. Ligeiramente aturdido, até. Tudo por causa daquela reprimenda que a União europeia deu ao governo do Costa. Parece que os burocratas europeus não apreciaram as mexidas que a geringonça andou a fazer no IRS. E que foi, diga-se, das poucas medidas relativamente aceitáveis levadas a efeito pelos esquerdalhos que tomaram o poder de assalto.

Segundo os patetas da UE, acabar com a sobretaxa e diminuir meio cagagésimo o imposto sobre o rendimento vai agravar as desigualdades entre os portugueses. Pois. Deve ser isso, deve. Dado que metade dos contribuintes não contribuem nada em termos de IRS, só falta dizer que o Passos e o Gaspar andaram quatro anos a promover a igualdade social. Ou seja, pelo ponto de vista europeu, os impostos nunca podem baixar - apenas subir - para a metade pagante ficar cada vez mais pobre e, assim, construir uma sociedade mais igual.

Estranhamente, ou talvez não, o PCP, BE e PS não reagiram a estas críticas das instituições europeias. Antes tão ciosos da tal soberania nacional, acérrimos opositores das ingerências externas na nossa política e mais o diabo a quatro estão agora mais caladinhos do que um rato. E contentes, presumo. Afinal este era o argumento que lhes faltava para não fazerem a única reversão que verdadeiramente importa fazer. Reverter o enorme aumento de impostos. Ou já todos se esqueceram disso?!

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Indignação selectiva. Multicultural, quiçá...

por Kruzes Kanhoto, em 07.03.18

 

Se há coisa capaz de me aborrecer é a indignação selectiva. Ou seja, perante o mesmo problema, umas vezes o pessoal indigna-se e outras não, conforme o patife que praticou a patifaria. Veja-se, desta vez, o caso dos ciganos de Faro. Abandonaram dezenas de animais à sua sorte enquanto tratavam de arranjar abrigo para proteger o coiro. Animais que, diga-se, apresentavam nitidos sinais de maus-tratos. Ora nada disto suscitou a indignaçãozinha da maioria dos amiguinhos dos animais, por norma sempre tão prontos a reagir na internet a tudo o que lhes cheire a pouca devoção aos “anjinhos de quatro patas”. Ou “patudinhos lindos”, para os mais ateus. Onde andam, por exemplo, aqueles idiotas que chamaram tudo menos pai ao GNR que, há meia dúzia de anos, deu um pontapé a um porco para o afastar da estrada? E aquela meretriz que, em certa ocasião, me telefonou a ameaçar com certas práticas que aqui não reproduzo - embora tivessem, também, a ver com reprodução - se eu continuasse a dizer mal dos animais?! Já terá reagido, a besta?! E a outra, candidata do PAN à Assembleia Municipal de Évora, que soube mandar bitaites idiotas acerca de um post que partilhei no facebook, será que já destilou a sua raiva perante esta barbaridade? Provavelmente não. São ciganos, portanto o melhor é levar isso como algo multiculturalista, ou assim.

Ao que foi divulgado, alguns daqueles animais teriam sido furtados aos verdadeiros donos. Coitados. Dos donos, também. Vamos ver se não terão de indemnizar os ciganos pelos custos que suportaram com a alimentação dos cães...

 

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Quem anda à chuva...

por Kruzes Kanhoto, em 06.03.18

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Parece que o Presidente da Republica era para vir cá – a Estremoz - assistir a qualquer coisa da tropa. Ou a outra macacada igualmente inútil, não sei ao certo. Mas não veio. Diz que foi a chuva que o terá demovido. Mas isso pouco importa. Não veio não abalou, como diria a minha avó. E, acrescento eu, não se notou a falta. Mas, ao contrário do que seria expectável face ao argumento que alegadamente terá servido para a escusa, não ficou em casa. Foi a Beja. E apanhou chuva. Pouca. Que por lá, para azar daqueles compadres, não tem chovido por aí além.

Nisto da presidencial visita que não chegou a acontecer há, apenas, uma questão que me deixa inquieto. O argumento. Ou melhor, o alegado argumento pois nem sei se é verdadeiro. Então o homem é o chefe supremo das forças armadas e tem medo da chuva?! Que diabo, sempre ouvi dizer que chuva civil não molha militares!

 

 

 

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Anormalidades

por Kruzes Kanhoto, em 04.03.18

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Uns quantos ramos de árvore caídos, ruas com um palmo de água e um ou outro telhado que vem abaixo por causa dos alegados temporais não constituem – excepto, obviamente, se envolveram a perda de vidas humanas – qualquer espécie de drama. É normal. Devia ser o pão nosso de cada Inverno. Drama, tragédia, horror e toda a categoria de cataclismos que quisermos é regatos como este, que há cinquenta anos corriam durante seis meses, não correrem agora mais do que seis dias. Se calhar, digo eu, é capaz de ser mais anormal do que as ondas galgarem a marginal quando uma qualquer tempestade coincide com a subida da maré...

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Não gosto que me apontem armas. É uma coisa que me aborrece...

por Kruzes Kanhoto, em 03.03.18

Esta semana Vladimir Putin anunciou ao mundo uma nova geração de armas nucleares que, a acreditar no homem, farão já parte do arsenal da Rússia. Ora, como gajo preocupado com estas coisas, procurei saber a posição do Partido Comunista e, nomeadamente, da sua agência para estes assuntos. Um tal Conselho Português para a Paz e Cooperação. Que, dada a sua intensa actividade em defesa da convivência pacifica, esperava eu já se tivesse pronunciado no sentido de condenar veementemente mais esta ameaça à paz celestial entre os homens. E as mulheres. E os coisinhos, também. Que aqui no Kruzes não se discrimina ninguém.

Tempo perdido. Afinal nem uma palavrinha. Nem o PCP nem a organização palhaça por si patrocinada se revelam preocupados por a Rússia ter apontadas às nossas cabeças mais umas quantas armas. A preocupação da camaradagem é apenas dirigida à Nato e aos patifes dos americanos. Camaradas, pá, Como é que eu vos hei-de explicar isto? Se um maluco de qualquer dos lados apertar o botão e houver uma guerra nuclear, batemos todos a bota. Mas a nós, embora se isso acontecer importe pouco, a arma que nos mata é a dos vossos amiguinhos russos. E a vocês também, mesmo que tenham a foice e o martelo pintados na testa.

Só mais um pormenor, camaradas. Não sei se já repararam mas a URSS acabou vai para trinta anos. Talvez constitua uma novidade para vocês mas, acreditem, o Putin é tão comunista como o Cavaco. Não consigo, por isso, descortinar razões para terem tanta admiração pelo novo czar. Ou será aquilo do inimigo do meu inimigo é meu amigo?! Poucochinho, se for isso. E, normalmente, dá mau resultado. Vejam o exemplo do Sporting...

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Agricultura da crise

por Kruzes Kanhoto, em 02.03.18

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E pronto, voltámos ao mesmo. Nem, de resto, outra coisa seria de esperar. Estamos de novo a gastar à tripa-forra, esturrando tudo o que temos e, mais preocupante, o que não temos. Em futilidades, de uma maneira geral. Mas não admira. Venderam-nos a ideia que a página da austeridade estava virada enquanto, em simultâneo, nos convenceram que somos ricaços outra vez. Ainda que em matéria de aumento esse conceito apenas se aplique aos impostos. Mas, apesar de tudo, não consigo culpar apenas os políticos por esta tragédia anunciada. Os culpados somos nós. Ninguém nos manda acreditar em caloteiros inveterados com larga experiência em estourar com todos os limites da divida pública.

É por isso que, mesmo em tempo de suposta abastança, vou mantendo aquilo da agricultura da crise. Para não estranhar quando voltarmos a ser pobres. Desde que haja coentros, poejos e pão um alentejano não passa fome.

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Telenovelices

por Kruzes Kanhoto, em 28.02.18

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Constou-se-me que a novela em exibição pela TVI tem como protagonistas uma família de ciganos. Fica bem à televisão exibir produções, principalmente nacionais, que promovam o conhecimento da cultura cigana. É bom para aquilo da inclusão, ou lá o que é. Contudo, ao que me foi relatado, nenhum dos ciganos da historieta recebe o RSI e alguns – confesso que ia caindo do espanto abaixo – até trabalham. Fiquei sem vontade de ver. Gosto de ficção, mas não tanta.

 

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Ele não quer é que a malta se divirta, pá!!!!*

por Kruzes Kanhoto, em 26.02.18

Perante a reclamação dos autarcas acerca da falta de dinheiro para a limpeza da floresta, o ministro da agricultura terá hoje deixado a recomendação para que, se necessário, cortem nas festas. Das duas uma. Ou o ministro não conhece os autarcas e o eleitorado que temos, nomeadamente quanto ao entusiasmo que ambos evidenciam no âmbito do festejo, ou está desejoso de ir gozar a reforma. Mas, reconheço, o homem tem razão. Toda. Apesar do rasgar de vestes a que, não tarda, assistiremos. Seja pela parte de responsáveis autárquicos, de comentadores e povo em geral ou dos profissionais da indignação que habitam as redes sociais, em particular.

Qualquer político orienta a sua actividade tendo em vista a reeleição. Para o que dá votos, portanto. Os autarcas, obviamente, não fogem à regra. Ora sabedores de quanto o povinho aprecia uma boa festarola, de preferência com comes e bebes em abundância e moçoilas aos pinotes, é natural que optem por aquilo que o povo quer. A festança. E o pior é que este pensamento não é exclusivo da classe política. Também haverá – dizem, que eu dessas coisas não sei nada – dirigentes associativos, incluindo daquelas instituições com acrescida responsabilidade social, que utilizam os subsídios das autarquias para a promoção de comezainas diversas e festins manhosos. E, depois, queixam-se da falta de meios, fazem peditórios ou aborrecem-nos com pedinchices várias.

 

*Só para citar uma critica que, já lá vão uns anos, me foi dirigida por um "dirigente" associativo...

 

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O menino guerreiro

por Kruzes Kanhoto, em 24.02.18

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Quem terá envergado esta armadura? Crianças soldado, pigmeus guerreiros ou combatentes de baixa estatura são, assim de repente, as respostas que me ocorrem. Tudo questões pouco inquietantes e que agora não interessam nada. Até porque o seu futuro não passará, de certeza, por um campo de batalha. Pelo menos daqueles para que foi concebida. Mas pode, com inegáveis vantagens, ser usada noutras artes que não a da guerra. Nomeadamente daquelas onde o nível de belicismo é substancialmente mais baixo. Que isto, com as armas de hoje em dia, só servia para atrapalhar. Na retirada, em especial.

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