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Kruzes Kanhoto

Ainda que todos, eu não!

29 de Fevereiro dia mundial do repouso

por Kruzes Kanhoto, em 01.12.11

Terásido hoje assinalada pela última vez, enquanto feriado, arestauração da independência. Não é que ache mal. Nem a restauração da soberania nacional sobre o território que ocupamos,nem o facto de tal data deixar de estar incluída entre os feriadosque, por enquanto, ainda não vão abaixo. Parece que com a aboliçãodeste - e de mais uns quantos dias de descanso - o país se vaifartar de ganhar dinheiro, o que, como é óbvio, constituirá umforte motivo de satisfação para qualquer português que se preze.
Mas,ainda que mal pergunte e sem pretender com a minha ignorânciacolocar em causa esta nova moda de garantir que temos feriados amais, quem é que vai ficar mais rico por o pagode trabalhar maisquatro dias no ano? O Estado não é certamente. Os quatro futurosex-feriados vão custar aos cofres públicos, só em subsídios derefeição, cerca de doze milhões de euros. Isto sem contar com ostais consumos intermédios – luz, água, telefone, combustíveis,etc – que passarão, nestes dias, a ser consumidos pelos serviçosestatais. Eu também não devo ver a minha fortuna aumentarsignificativamente. Afinal apenas verei o meu pecúlio crescerdezassete euros. Ainda que livres de impostos – do mal o menos –não é lá grande coisa.
Paraser à séria e produzir efeitos que realmente se vissem, devia dehaver coragem, politica e não só, de acabar com o descanso. Porquêtrabalhar apenas oito horas cinco dias por semana?! O horário detrabalho devia contemplar a obrigação de cumprir, no mínimo,dezasseis horas por dia – oito chegam muitíssimo bem pararecuperar energias – trezentos e sessenta e cinco por ano. Descanso– até podia ser o dia mundial do repouso – apenas a vinte novede Fevereiro.
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