Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Kruzes Kanhoto

Ainda que todos, eu não!

Kruzes Kanhoto

Ainda que todos, eu não!

Adeus batráquio!

Kruzes Kanhoto, 17.01.26

Os blogs do Sapo vão acabar. Nada de surpreendente face às alterações – quase todas para pior, diga-se - que têm vindo a ser introduzidas por quem faz a gestão da plataforma. A medida dever-se-á, provavelmente, ao pouco interesse que os blogs suscitam junto dos consumidores. Ou a outra coisa qualquer, pouco importa. É lá com eles. Não constitui nenhum drama e, para quem gosta de comunicar ou, como eu, de mandar bitaites e alarvidades absolutamente desprovidas de qualquer relevância, há sempre alternativas para o continuar a fazer.

Menos mal que nos dão até ao Verão, que é tempo de dias grandes, para procurar outro poiso e salvar o que anteriormente publicamos. Não é que se perdesse grande grande coisa, mas já tratei de ambas. De ora em diante será o regresso ao Blogger. Tudo o que aqui escrevi desde 2015 já está em kruzeskanhoto.blogspot.com onde não escrevia desde essa altura e sitio em que a partir de hoje quem ainda tem a paciência de me ler pode continuar a encontrar as minhas opiniões irrelevantes, raramente fundamentadas.

O socialismo funciona...nunca!

Kruzes Kanhoto, 14.01.26

Screenshot_2026-01-11-08-30-46-673_com.facebook.ka

 

Há quem não perceba, ou não queira perceber, que o socialismo não funciona. Ainda assim insistem num argumentário rico em verborreia, mas manifestamente longe da realidade. Aquela coisa que se encarrega de destruir, sempre mais cedo do que tarde, os cenários idílicos daquelas terras que prometem o sol a brilhar para todos nós, mas que afinal apenas conseguem dar a noite mais negra. Ou vermelha, vá, para ser cromaticamente mais  rigoroso.

No gráfico pode ver-se a evolução de um país capitalista, a Venezuela, que um bando de malucos resolveu levar a adoptar as práticas socialistas. O outro, a Polónia, fez o caminho inverso. Os últimos dados da comparação são de 2020. Hoje a diferença será bastante maior. Apesar de todas as evidências ainda existe gente que nos quer vender as opções políticas que levaram ao colapso e à destruição daquele país sul-americano. É a estes que recomendo sempre que façam a revolução socialista no respectivo quintal. E, porque não lhes desejo mal nenhum, estimo as melhoras. Com pouca esperança, mas muita sinceridade.

Quando a liberdade encarece a culpa é do ocidente...

Kruzes Kanhoto, 10.01.26

Compreende-se a vontade de controlar – que é como quem diz, censurar e, se possível, calar – as redes sociais. Sem elas saberíamos apenas aquilo que o poder decidisse que era bom para a sua sobrevivência. Ou, como já acontece em Portugal e em boa parte das democracias ocidentais, ficaríamos confinados à versão oficial dos factos. Aquela filtrada, higienizada e explicada pelos activistas que hoje acumulam as funções de jornalista, militante, pedagogo moral e fiscal da virtude alheia. Nada disto é coincidência, sempre que se sentem ameaçados os ditadores já não mandam calar jornais nem desligam o sinal da televisão. Isso é coisa do passado. Agora mandam cortar a Internet. 

Veja-se o caso do Irão. Para a comunicação social portuguesa aquilo são protestos por causa da inflação galopante que está a destruir a economia e o poder de compra da população. Tudo, esclarecem-nos, por culpa das sanções do ocidente. Deve ser mesmo isso, deve. A grande preocupação das mulheres iranianas é, de certeza, o aumento do preço dos tecidos pretos em que são obrigadas a embrulhar-se. Vai daí, foram para as ruas protestar. Nem ele é outra coisa. Está-se mesmo a ver e só um facho é que não percebe esta maquinação capitalista para derrubar a revolução. Nem um facho, nem alguém que tenha o atrevimento de pensar pela própria cabeça.

Ainda assim, admito, essa canalha do activismo jornalistico tem alguma razão quanto a isso do envolvimento da inflação nestas lutas populares. É que o preço da liberdade está pela hora da morte. No Irão, na Venezuela e em todo o lado onde a esquerda e os seu aliados governam. E, se não nos pusermos a pau, também por cá.

O balázio de ano novo - património imaterial da família tradicional

Kruzes Kanhoto, 06.01.26

Há quem ache estranho que, passados todos estes dias, ainda nenhum membro da  “família” que celebrou a entrada no novo ano aos tiros de metralhadora tenha sido incomodado pelas autoridades. Gente mesquinha, evidentemente. Pessoas pequenas, roídas pela inveja, que não conseguem aceitar que há quem se divirta de forma genuína, saudável e profundamente enraizada na tradição oral  e balística  dos seus antepassados.

Querem ver atrás das grades cidadãos de bem que apenas exerceram o seu direito ancestral de transformar o espaço público num campo de tiro improvisado, sem qualquer intenção de fazer mal a uma mosca. A não ser, claro, que por um azar cósmico absolutamente imprevisível, alguma dessas moscas — ou pombos, ou varandas, ou transeuntes — se tenham atravessado na  trajectória de um dos muitos projécteis festivos disparados para o ar. 

Os que defendem que isto é comportamento punível e que pedem mais “acção” policial revelam apenas ignorância. Não percebem o contexto. Não percebem a cultura. Não percebem que o facto de a “família” disparar armas proibidas a civis é um detalhe menor. Quase burocrático, diria. Quem nunca, numa passagem de ano mais animada, sacou de uma arma de guerra para marcar a meia-noite, que atire a primeira bala. De preferência em rajada.

Além disso, sejamos razoáveis. Identificar a “família” seria uma tarefa ciclópica. Apesar de estarem de cara descoberta, numa rua perfeitamente identificável, num vídeo amplamente difundido, é praticamente garantido que ninguém os conhece. Não moram ali, claro. Estavam só de passagem. Foram à festa. Coisa rápida. E, como é evidente, desapareceram logo a seguir porque a casa fica longe e no dia seguinte tinham de acordar cedo para ir trabalhar. 

Pode ser isso tudo. Ou não. Tenho outra teoria. Cá para mim, aquele vídeo é falso. Ou melhor, é coisa criada por inteligência artificial para nos levar a sentir falsas sensações de insegurança. Uma cena muito própria da extrema-direita, ou lá o que se chama aqueles gajos que não gostam de “famílias”. Toda a gente sabe que as “famílias” não se dedicam a actividades desprovidas de enquadramento legal. "Jamé", como dizia o outro. No máximo, vá, a umas burlazinhas no MB Way...

Especialistas que deixaram de querer apenas paz...

Kruzes Kanhoto, 04.01.26

De repente, como cogumelos depois da chuva ou comentadores depois de um conflito internacional, começaram a surgir especialistas especialmente especializados nessa especialidade muito específica chamada direito internacional, que curiosamente ninguém parecia dominar até ontem ao pequeno-almoço. Aquela coisa da Venezuela fez-lhes saltar a tecla. Eu, pelo meu lado, pouco percebo do assunto. O que me coloca, ironicamente, numa posição de enorme vantagem. Daí que me socorra das posições dos apaniguados de um conhecido partido político — aquele cuja relevância pública é rigorosamente inversa à sua relevância eleitoral — já testadas e aprovadas aquando da invasão da Ucrânia. A receita é simples, eficaz, moralmente confortável e resume-se a “eu só quero paz”. O que é preciso é paz. Paz acima de tudo. Se é que aconteceu alguma coisa, claro. E, se aconteceu, não começou agora. Nunca começa agora. Começa sempre algures no Neolítico ou, no mínimo, em 1991. É preciso olhar para trás. Muito para trás. Até encontrar qualquer coisa que justifique tudo. Deve ser isso. Ou outra cena marada qualquer, possivelmente.

Seja como for, a deposição de Maduro é, sem dúvida, uma boa notícia. A má é a forma como foi deposto. Um detalhe, dirão alguns. Um pormenor técnico, dirão outros. Embora não se trate sequer de um precedente — ingerências, invasões, golpes e anexações são mais que muitas nos últimos cinquenta anos — o episódio tem a ligeira desvantagem de significar que nenhum país ou território está verdadeiramente a salvo. Nenhum mesmo. Seja o Canadá, a Gronelândia ou os Açores por parte dos EUA, todos os países que constituíam a URSS por parte da Rússia ou Taiwan pela China. É tudo uma questão de tempo, oportunidade e uma narrativa suficientemente criativa. Até mesmo Portugal é melhor ir pondo as barbas de molho, que os castelhanos estão mesmo ali ao lado e são capazes de começar a ter ideias. E isso, as ideias - especialmente as mais parvas -  costumam surgir quando menos se espera.