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Kruzes Kanhoto

Ainda que todos, eu não!

Kruzes Kanhoto

Ainda que todos, eu não!

Os portugueses preferem o cachorro quente aos coiratos e ao frango de churrasco

Kruzes Kanhoto, 31.07.25

Há muito que os portugueses ensandeceram. Está tudo doido varrido. Num dia em que o país está a arder, poucos lamentam a desgraça que os incêndios estão a causar nem a tragédia que provocam aos seus concidadãos vitimas destas ocorrências. A ira, a indignação e a revolta são inteiramente direcionadas para a morte de um cão. Aquele que, num gesto heróico, um militar da GNR retirou ainda com vida de dentro de uma habitação em chamas. Nas redes sociais multiplicam-se os comentários a desejar aos donos do bicho tudo o que de mal existe. Os mais simpáticos limitam-se a desejar-lhes a morte por combustão demorada. O resto adivinha-se. Assim como o carácter de quem os faz. Prolifera um inenarrável discurso de ódio que muitos deles, noutras circunstâncias, não se cansam de condenar.

Obviamente que não estava à espera que estas criaturinhas ridículas se preocupassem as pessoas que ficaram sem casa, sem os pertences ou que viram o lume levar o produto do trabalho de uma vida. Era acreditar em demasia no juízo desta cambada. Contudo um desses incêndios vitimou trezentos e cinquenta porcos. Outro fogo, ou mesmo não sei, deixou em muito mau estado umas quantas centenas de pintos. Nada disso comoveu os amiguinhos dos animais nem suscitou ondas de indignação contra os proprietários das explorações, os bombeiros, os incendiários ou quem mais calhasse a ocorrer aqueles malucos. Compreende-se. Afinal isto há animais mais iguais que outros. Até para aqueles que enchem a boca de igualdade. Tratem-se, pá.

Palha doutrinária

Kruzes Kanhoto, 29.07.25

Está a ser convocado através do Trombasbook um ajuntamento, a realizar cá na terra, para demonstrar solidariedade para com a Palestina. A convocatória não esclarece, mas deve ter a ver com o proclamado genocídio. Embora, sem pretender contrariar ninguém, se trate de um genocídio suis generis, dado que o saldo populacional continua a ser positivo. Isto é, nascem mais palestinianos do que aqueles que morrem. Mas, se os sábios destas temáticas dizem, não sou eu que vou ousar contradizê-los. Será também, suponho, para lamentar a larica que, garantem os apaniguados destas causas, se faz sentir entre as crianças de Gaza. Escassez que não afecta os terroristas do Hamas, pois não consta que estejam dispostos a trocar armas por comida nem, aparentemente, muitos adultos que, na propaganda diariamente difundida para ocidental papar, parecem suficientemente nutridos.

Cada um manifesta-se por aquilo em que acredita, acredita no que quiser e da “palha” que lhe colocam na “gamela” cada qual “come” a que lhe apetecer. Não tenho nada a ver com isso nem é da minha conta. Tal como não é da conta de ninguém a minha aversão visceral a todos os que me tentam doutrinar. Chegou uma vez. Eram outros tempos e serviu-me de lição. Apesar do respeito, tenho pouco apreço pelos que se deixam convencer por uma boa campanha de doutrinação. É, reitero, lá com eles. Por mim só tenho curiosidade em ver quem vai aparecer. Só para saber em quem não votar.

Catalisadores, mentiras e videos

Kruzes Kanhoto, 28.07.25

Diz que numa pacata vila do norte, a criminalidade tem dado claros sinais de subida. Nomeadamente o roubo de catalisadores. Coisa que, habituados que estavam à pacatez do lugar, tem deixado preocupados os donos das viaturas dotadas desse equipamento. Os suspeitos pelas ocorrências serão, ao que sustentam as criaturas da extrema-direita local, moradores num bairro de habitações auto-construidas. Não parece, no entanto, existirem motivos para alarme. Questionado acerca do assunto, o autarca lá do sitio garantiu que nada há a temer e tranquilizou os habitantes do lugar esclarecendo que “furtos desses ocorrem em todo o lado e não apenas aqui”. Consta que perante tão convicta e tranquilizadora resposta todos passaram a dormir melhor. Até porque os furtos, segundo os relatos conhecidos, têm ocorrido durante o dia.

Entretanto, bastante mais a sul, em redor de um resort auto-construido há quem diga que também acontecem, de vez enquanto, umas cenas manhosas. Ainda um dia destes foi divulgado um vídeo em que o espectador era levado a acreditar que uns quantos jovens estariam a provocar um incêndio enquanto, ao lado, os bombeiros o tentavam apagar. Esta gente da extrema-direita é capaz de tudo. Até de manipular a realidade. Aquilo, topava-se logo, eram bombeiros estagiários a aprenderem a fazer um contra-fogo. Infelizmente foi apagado. O vídeo.

O Sampaio era facho?!

Kruzes Kanhoto, 27.07.25

Corre pelas redes sociais o vídeo de um discurso, proferido em 2002, em que o então Presidente da República Jorge Sampaio alertava para o problema da imigração e da necessidade dos imigrantes que aportassem ao país se integrarem na comunidade e respeitarem os nossos valores. De acordo com a retórica adoptada desde 2015 pelos partidos que assaltaram o poder após serem derrotados nas eleições desse ano, o homem deve por esta altura estar a ser considerado um perigoso fascista. Um bandido xenófobo, racista e o que mais ocorrer a esses malucos. Balelas que foram amplamente inculcadas em pessoas fracas de espírito, pouca capacidade intelectual e facilmente influenciáveis pela propaganda oficial. Discuti isto com algumas delas. Erro meu, reconheço. Para todas, então, nem era sequer um problema. Tal como hoje, provavelmente, continuará a não ser. Alguns, coitados, nem sabem o que é isso dos “nossos valores”. Ainda assim, haverá quem tenha mudado de opinião. Os resultados eleitorais, cada vez mais insignificantes, dos partidos da Geringonça deixam alguma esperança no bom-senso dos portugueses.

Como o PR de então dizia no tal discurso, o país precisa de imigrantes. Mas não necessita mesmo nada daqueles que vêm para cá contribuir para a criação de favelas nem dos que pretendem aqui recriar o modo de vida dos países de origem ou viver de acordo com regras ou princípios incompatíveis com os nossos. Esses fazem cá tanta falta como a fome.

Causas falidas

Kruzes Kanhoto, 26.07.25

A ninguém pode causar espanto que as empresas de comunicação social a operar em Portugal estejam, praticamente todas, com graves problemas de sustentabilidade ou à beira da falência. Basta estar atento ao espaço mediático. Toda a comunicação social está transformada numa máquina de propaganda de causas que nada dizem à generalidade dos portugueses e de activistas que mais valia estarem calados, pois o efeito que provocam nas pessoas é exactamente o contrário daquele que pretendem. Como já deviam ter concluído do último resultado eleitoral. Mas não. Continuam a estar convictos das suas certezas. Nomeadamente daquela que conclui pela imbecilidade de quem vota na direita. Continuem. Chamar imbecil a quem tem uma opinião diferente é sem dúvida uma óptima maneira de o convencer a votar no partido que eles querem. Força nisso.

Os fofinhos

Kruzes Kanhoto, 24.07.25

Tenho, admito, muita inveja do pessoal da esquerda. São bonzinhos, preocupam-se com os desvalidos e estão sempre prontos a ajudar os demais. Desde que os demais sejam os pobres com as opções certas. Que é como quem diz, pensem de acordo com os ensinamentos inventados por uns vadios que viveram no século passado e que desde então tem sido transmitido de geração em geração. E, sobretudo, não votem no Chega. É gente que se comove facilmente, têm sempre uma lágrima pronta saltar e demonstram uma inusitada empatia – sentimento que apenas as pessoas de esquerda possuem - perante todas as vítimas das injustiças promovidas pelo grande capital. Ou seja, todas as injustiças do mundo.

Outra das virtudes mais notórias desse pessoal, da qual tenho ainda mais inveja, é a sua capacidade de partilhar. Tudo é de todos. Especialmente o que é dos outros. Revelam um raro desapego ao que não é seu e demonstram uma capacidade de repartir o alheio que me deixa atordoado com tanto altruísmo. E à minha carteira também.

O banquinho

Kruzes Kanhoto, 22.07.25

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A alguém da Câmara de Oeiras deve ter parecido boa ideia mandar pintar cada ripa dos bancos de jardim com uma cor diferente. Para promover a inclusão, dizem. Receio não estar a acompanhar o raciocínio do génio que idealizou a coisa. É que, assim de repente, os assentos não me parecem especialmente inclusivos. Inclusivamente não estão equipados com uma almofadinha para o rabinho. Apetrecho que, se calhar, daria jeito a algumas criaturas que possam ter dificuldade em sentar-se sobre a superfície de madeira - geralmente dura, como sucede com todo o tipo de madeira. Por exemplo, entre outros, todos aqueles que sofrem de hemorroidas ou que tenham acabado de sair do urologista. Para esses, tenha aquilo a cor que tiver, não há ali vislumbre de inclusão. Também ninguém pensou nos daltónicos. No caso destes ainda é pior. É discriminatório. Imagine-se alguém a dizer “Olha ali um banco tão colorido!” e o daltónico, coitado, a perguntar “Onde?! Onde?!”. Muito menos se importaram com os anões. Para quem sofre de nanismo deve constituir um martírio acomodar-se ou levantar-se de bancos tradicionais. Ainda assim, desconfio que aquilo seja moda para pegar. Nem que seja de empurrão. Podem, a seguir, pintar as carruagens dos comboios cada uma de sua cor. E mais o que lhes dê na real gana, também. Que esta cena da inclusão é uma coisa modernaça. Mesmo que inclua pouco e exclua muito.

Especialistas de tudo, especializados em coisa nenhuma.

Kruzes Kanhoto, 20.07.25

Quando aquelas armas da tropa armazenadas num paiol em Tancos levaram sumiço, o então ministro da Defesa, entre outras alarvidades, garantiu que de espingardas não percebia nada e que nem sequer desconfiava o que raio era um paiol. Hoje é comentador de assuntos militares numa televisão, onde analisa os diversos conflitos armados que vão ocorrendo um pouco por todo o lado. Coisa que, para além de dizer muito acerca do cavalheiro, diz ainda muito mais acerca do estado actual dos meios de “informação”.

Os especialistas especializados nas diversas especialidades a debitar opiniões nas rádios, jornais e televisões são mais que muitos. Todos – embora quase sempre os mesmos - especialmente especializados nos mais dispares assuntos. Eles sabem de tudo e têm opinião acerca de tudo. Aliás, nessa parte das opiniões têm até várias. Uma para quando o respectivo partido está no poder, outra para quando está na oposição e outra ainda para quando o partido do seu coração muda de opinião, de líder ou para quando o líder muda de opinião. Pode parecer estranho, mas gosto de os ouvir. A todos. É uma coisa que me diverte. Pode, admito, ser um bocado parvo, mas já dizia a minha avó que cada um diverte-se a seu modo e ninguém tem nada a ver com isso.

Nos últimos dias, os jornalistas portugueses têm-se referido a Daniel Esteve como líder do “Movimento Desokupa” espanhol, a quem acusam de liderar o que apelidam de caça ao imigrante em Torre Pacheco. Apesar do homem – um herói para muitos espanhóis – ter uma visão um bocado quixotesca da sociedade, é antes de mais um empresário que viu na desocupação de casas uma oportunidade de negócio. Aparece quase sempre quando sucedem casos como este, mas sugiro que vejam as reportagens televisivas na parte em que o fulano é interpelado pelos agentes da Guardia Civil e impedido de entrar na cidade. Quanto ao resto, quem tiver paciência, veja o que o Chat GTP tem a dizer sobre os disparates jornalísticos.

A confusão em chamar Daniel Esteve de “líder do movimento desokupa” pode ser explicada por uma combinação de ignorância jornalística, simplificação excessiva e, em alguns casos,  vontade de enquadrar politicamente a narrativa.

Vamos por partes:


📌 Quem é Daniel Esteve?

Daniel Esteve é o fundador e CEO da empresa Desokupa, criada em 2016 em Espanha. Trata-se de uma empresa privada que oferece serviços de mediação e pressão legal e extrajudicial para ajudar proprietários a recuperar imóveis ocupados ilegalmente (okupados). A empresa ganhou notoriedade por agir de forma dura e polémica, sendo acusada por alguns setores de atuar com táticas de intimidação ou vigilantes.


📌 Existe um “movimento desokupa”?

Não exatamente.

  • O termo "desokupa" (sem o “c”) é usado por esta empresa como marca registada.

  • Não há propriamente um movimento social estruturado chamado “movimento desokupa”, como há, por exemplo, um movimento okupa de base ideológica anarquista ou anti-capitalista.

  • No entanto, o termo começou a ser usado informalmente por pessoas ou grupos que apoiam ações contra ocupações ilegais, muitas vezes com discurso mais à direita no espectro político.


🧠 Então por que lhe chamam "líder do movimento desokupa"?

Aqui estão os principais motivos:

1. Simplificação mediática

É mais fácil, especialmente para meios de comunicação sensacionalistas, usar expressões como "líder do movimento desokupa" do que explicar que se trata do fundador de uma empresa privada com fins lucrativos.

2. Ignorância ou desinformação

Alguns jornalistas ou comentadores realmente não sabem distinguir entre um movimento ideológico/social e uma empresa com marca e atuação própria.

3. Narrativa política

Chamá-lo de "líder de um movimento" dá mais peso político às suas ações e permite encaixá-lo numa narrativa de confronto ideológico (ex: direita vs. esquerda, ordem vs. caos, propriedade privada vs. ocupação).

4. Perceção pública

Como a Desokupa tem forte presença mediática e atuações teatrais ou agressivas (muitas vezes filmadas), cria-se a perceção de que estão a liderar uma causa maior — o que muitos interpretam como "um movimento".


✅ Em resumo:

Chamar Daniel Esteve de líder do movimento desokupa é, tecnicamente, impreciso e simplista. Ele é o CEO de uma empresa privada com marca própria. A ideia de um “movimento desokupa” é mais uma construção mediática e política do que uma realidade formal ou estruturada.

Portanto,  na maioria dos casos, trata-se de ignorância ou simplificação, mas em certos contextos pode haver má fé ou tentativa de enquadramento ideológico.

Agora a sério. No lugar do autarca de Loures faziam o quê?

Kruzes Kanhoto, 19.07.25

São tempos estranhos, estes. Tão estranhos que existem pessoas – poucas, mas barulhentas – que insistem em proclamar para quem quer ouvir e sem qualquer ponta de pudor, que um autarca não deve fazer cumprir a lei. Outras, sem um pingo de vergonha na cara, não se coíbem de justificar a legitimidade da ocupação da propriedade alheia, a construção ilegal de barracas e o furto de agua, luz ou comunicações. Pondo, com este comportamento, em causa o acesso a estes serviços daqueles que os pagam. Pode ser muito bonito defender os probrezinhos. Fica bem dar ares de bonzinho e de quem se preocupa com aqueles que não têm, pelos mais diversos motivos, condições para viver numa casa a sério. Mas podiam fazer mais. Acolhe-los em casa, por exemplo. Ou, sei lá, convencer uma avó, tia reformada ou um vizinho com os pés para a cova a vir morar na casa de família que têm fechada na província e arrendar a sua aos moradores com que tanto se preocupam. A preços justos, claro. Daqueles que as pessoas possam pagar, como essa malta gosta de dizer. Isso é que era. Ou, em alternativa, arranjar-lhes um espaço lá em casa. Que isto, já dizia a minha avó, onde cabem dois ou três também cabem cinco ou seis. Não são gajos para isso, obviamente. A generosidade deles só existe se o dinheiro envolvido for o dos outros.

Extrema javardice

Kruzes Kanhoto, 16.07.25

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Uma das polémicas – talvez a principal – que vai animar a próximas autárquicas é a questão da limpeza urbana. A bem dizer, ainda estamos a três meses das ditas e já não se fala nem escreve sobre outra coisa. De norte a sul. E desengane-se quem pense que no concelho vizinho é que é bom. Não, não é, porque os habitantes de lá pensam, dizem e escrevem o mesmo.

Por mim, que não sou de intrigas e de que vez em quando dá-me para seguir as modas, acho que a culpa do lixo e da sujidade generalizada é da extrema-direita. Eventualmente, até, nos nazis. Dos neo e dos outros menos neo. De todos, pronto. Essa facharia é que anda a sujar isto tudo. Pode, admito, ser uma acusação um bocado parva. Tão parva quanto as que os jornaleiros, comentadeiros, intelectualidade bem pensante e outros idiotas em geral fazem diariamente a propósito de tudo e de nada. Com uma diferença. Eu tenho evidências que sustentam a minha tese. As fotografias que acompanham este texto não deixam dúvidas. Num e noutro caso as necessidades, sólidas e liquidas, foram extremamente a direito. A fachada vi da vizinha do lado direito - da extrema-direita, portanto - que o diga.

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