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Kruzes Kanhoto

Ainda que todos, eu não!

Kruzes Kanhoto

Ainda que todos, eu não!

Cartas e manias

Kruzes Kanhoto, 14.08.20

Conheci em tempos um gajo que escrevia cartas a ele próprio. Manias de uma época em que cada um ainda podia ter as que muito bem entendesse. Lembro-me também de um outro cavalheiro, na altura chefe dos carteiros, cujo passatempo era escrever cartas anónimas. A mim calhou-me uma. Já nem me recordo a que propósito mas, de certeza, não era nada de especialmente relevante. Recordo-me igualmente de, quando estava na tropa, umas quantas moçoilas cá cidade terem por divertimento telefonar, de forma anónima, para o quartel. Só para reinar com a malta, acho eu.

Soube-se agora que uns certos activistas – gajos e gajas das causas – terão recebido mensagens de correio eletrónico a convidá-los a procurar outro lugar para viver. Coisa que, vá lá perceber-se porquê, está a deixar as “elites” em polvorosa. O resto do país não quer saber. Tem mais com o que se preocupar – os impostos, por exemplo – do que as manias e passatempos de gente que quer é aparecer.

A fome é negra (ainda se pode dizer ou já é proibido?)

Kruzes Kanhoto, 12.08.20

Há imagens que nos são mostradas vezes sem conta. Até à exaustão. Ou acharem que já as assimilámos convenientemente. Outras nunca são exibidas. O critério é determinado pelos valores da moral vigente e da doutrina em uso.

Aquilo dos canitos esturricados lá para o norte, por exemplo. Durante dias foi tudo mostrado dos mais variados ângulos e de todas as perspetivas. Nem um pormenor ficou por exibir e foi analisado por conceituados – ou auto proclamados – especialistas da especialidade. Para, suponho, aprendermos a ser bonzinhos com os animais e a proporcionar-lhes uma vida longa e feliz. Ainda que, se outra solução não houver, paga com os nossos impostos.

Depois há outras imagens, como aquelas de um indivíduo a cozinhar um gato em plena via pública, que nunca são exibidas. Pelo contrário, são apagadas assim que descobertas pelos censores da nova ordem. Será por acontecer em Itália? Ou por alegadamente se tratar de um imigrante ilegal, refugiado ou lá o que lhe queiram chamar? Seja como for podiam tê-las exibido. Faziam menção ao multiculturalismo, à pouca atenção que prestamos a essas vitimas do capitalismo e, quiçá, ao racismo. Terminavam culpando o homem branco e ficávamos todos felizes, contentes e mais doutrinados. Até porque se alguém pode garantir que nunca comeu um gato, que atire o primeiro pau...

Não é um país. É um esgoto a céu aberto.

Kruzes Kanhoto, 09.08.20

Sócrates, Berardo, Salgado e Rui Pinto terão, alegadamente, praticado actos alegadamente pouco conformes com a lei. O que leva, então, os portugueses a olhar para cada um destes figurões de maneira diferente? Mistérios. Daqueles que dão razão aos que acham que este país vale um escarro. Ou um peido. Nem isso, talvez.

O antigo primeiro-ministro é, para muitos, um patifório da pior espécie. Para os sectores mais à direita, nomeadamente. Para os restantes o sentimento varia entre a esperança que a acusação seja uma enorme mentira e a certeza de que a genialidade do homem continuará imaculada.

Salgado e Berardo, para a generalidade das criaturas, não passam de uns escroques. Excepto, no caso do segundo, em Estremoz. Aqui a abertura de um museu concedeu-lhe o estatuto de divindade. Acerca da qual os autóctones não devem blasfemar, não vá a sempre atenta guarda pretoriana recordar-lhes que não interessam as alegadas manigâncias desde que se faça alguma coisa. Conceito muito apreciado por cá, diga-se.

O pirata informático, esse, é para a tugalhada o décimo terceiro Deus do Olimpo. Será até, a fazer fé nos cartilheiros e avençados do regime, contratado pelo Estado para fazer investigação, com direito a casa, cadastro limpo e, se calhar, mais umas quantas mordomias. O argumento que o ladrão de dados informáticos proporcionou a descoberta de muitos outros crimes é coisa de tolinhos. Se admitirmos que um crime legitima outro, estamos a abrir uma porta que nos conduzirá por caminhos muito sinuosos.

Perante isto aguardo com ansiedade a nomeação de Ricardo Salgado para conselheiro do Banco de Portugal, de Joe Berardo para a administração da Caixa Geral de Depósitos e de José Sócrates para o Conselho Superior da Magistratura. Experiência não lhes falta.

"Vamos pilar"

Kruzes Kanhoto, 07.08.20

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Sai um gajo trabalho em passo acelerado para ir comer qualquer coisa, que a fome é negra - não sei se ainda posso atribuir uma cor à fome, mas agora já está e não me apetece apagar – e depara-se com isto. E por isto entenda-se, para os menos atentos ou pouco perspicazes, a mensagem que esta senhora tem estampada nas costas da t-shirt.

Não sei se por causa da larica mas, admito, não percebi à primeira. Nem, a bem-dizer, à segunda. Comecei por admitir que o tempo e sucessivas lavagens tivessem apagado uma virgula a seguir ao “vamos” e um ponto de exclamação depois de “pilar”. Mas não. Vendo melhor constato que nunca lá estiveram. Hesitei depois entre a mensagem significar uma proposta manhosa ou a revelação da actividade que vão praticar. Já perto de casa, que o trajecto é curto e tenho passada larga, conclui que não seria nem uma nem outra coisa. Aquilo foi engano. Vestiu a camisola do neto. Ou da neta, que não quero ferir a susceptibilidade das maluquinhas das causas. Nem dos maluquinhos, tão-pouco.

Em vez de "estudos" vão mas é às "aulas"...

Kruzes Kanhoto, 06.08.20

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Isto há malucos para tudo e, já dizia a minha sábia avó, cada maluco com sua maluqueira. A diferença para o tempo dela é que, nessa época, ninguém ligava aos malucos e não havia problema nenhum em lhes chamar o que realmente são. Uns malucos. Hoje não. Têm palco em todo o lado e quem ousar questionar a sanidade mental dessa gente ainda é olhado de soslaio, se tiver sorte, ou enxovalhado na praça pública, que é o que acontece quase sempre.

Às maluqueiras de hoje, não sei se para dar credibilidade ou apenas por ser moda, chamam-lhes “estudos”. Um desses estudiosos – um conceituado maluco que em tempos vendeu colchões – anuncia que “os humanos não foram programados para dormir acompanhados”. Justifica a ideia com um conjunto de lugares-comuns que, para quem vive sozinho ou mal acompanhado, até podem servir de consolo. Mas apenas isso. Deixemo-nos de merdas. Só pensa assim quem nunca dormiu com o cu na pilheira.

(F)actualidades

Kruzes Kanhoto, 05.08.20

O que se passa em Espanha tem sempre importância para Portugal. Por todas as razões que se conhecem e, certamente, por mais umas quantas que se desconhecem. Mas, acho eu que não sou especialista na especialidade de política internacional, este caso do ex-rei Juan Carlos não tem para o nosso país qualquer relevância. Ou, pelo menos, aquela que por cá lhe estão a atribuir. Nem mesmo que lá para o meio daquilo existe alguma ligação manhosa aos mafiosos do nosso regime. Até porque, a haver, é quando o caso deixa de ter importância.

Cá para mim - que, reitero, não percebo nada dessas cenasquem tramou o monarca espanhol foi o elefante. E as gajas, vá. Tivesse ele ficado em casa a comer tofu e a ir ao cú a um paneleiro qualquer e ainda hoje era o maior da península ibérica e arredores.

"Experiência", dizem eles...

Kruzes Kanhoto, 03.08.20

Não há assim tanto tempo quanto isso, alguém da chamada província que se deslocasse à capital corria o sério risco de ser enganado, burlado ou, se tivesse sorte, apenas vitima de uma partida qualquer. Enquanto miúdo ouvi incontáveis histórias que relatavam essas ocorrências. Na época, a malta das grandes cidades considerava-se num patamar acima – ou mais, se calhar - do desenvolvimento humano. Eles eram os espertalhões e nós, os provincianos, uns atrasados quaisquer. E isto não constituia exclusivo de Portugal. Era coisa universal.

Hoje assiste-se ao inverso. Confesso que às vezes até me dão pena e questiono-me como é que alguém consegue tirar partido da idiotice de outro, assim, de uma forma tão descarada. Já nem digo vender um penico, apanhado no lixo, por vinte euros. Ou pêssegos espanhóis como se fossem genuinamente alentejanos. Isso, reconheço, é para meninos. Gozo, partida, burla ou o que se queira é alugar um palheiro, por mil euros a semana, para os turistas pernoitarem. E, ao que parece, está a ser um sucesso.

Não tenho, naturalmente, informação acerca da origem da clientela desta, chamemos-lhe assim, unidade agro-turistica extremamente inovadora. Mas não acredito que alguém que não resida habitualmente numa metrópole, fosse idiota ao ponto de pagar um balúrdio para dormir naquelas condições. Só um parvo o faria. E há muitos a fazê-lo, pelos vistos. Deve ser pela experiência. Que é o que chamam agora àquelas partidas manhosas, em que o pessoal paga para fazer uma coisa que alguém minimamente inteligente não faria nem que lhe pagassem.

"A gaja das causas"

Kruzes Kanhoto, 02.08.20

Hoje algo que só não é absolutamente novo porque já aconteceu numa outra ocasião. Quando muito em duas, vá. Ainda assim é uma cena inusitada por estas paragens. Uma musiquinha. Não sei quem é o artista – mas vou tratar de saber, para o parabenizar – que eu destas coisas das artes não conheço ninguém. Mais depressa sou capaz de dizer o nome do guarda-redes suplente da equipa B do Glorioso do que o nome de um qualquer cantante da moda.

Dura cerca de três minutos e meio e vale por cada segundo. O homem sabe o que canta. E, principalmente, o que diz. Eu não diria melhor. É ver e ouvir antes que os censores do regime o apaguem.

E a transparência no ambito do racismo, pá?!

Kruzes Kanhoto, 01.08.20

A comunicação social e algumas organizações que vivem à custa do financiamento público têm-se esforçado por nos fazer acreditar que Portugal é um país racista, os portugueses são racistas e que anda para aí uma discriminação do piorio. Percebo a ideia. E os motivos, ainda mais. A vida custa a todos, está difícil e, para as empresas donas dos jornais, uma causa como o racismo revela-se capaz de angariar mais clientes, por consequência de fazer subir as vendas e minimizar os prejuízos que o financiamento do Estado não tapa. O mesmo para as associações que vivem do subsidiozinho do governo. Os empregos para sociólogos e afins não estão fáceis de arranjar e, à conta destas balelas, sempre vão mantendo um ordenadito que mais ninguém lhes pagava.

Convinha era que fossem mais explícitos nessa coisa do racismo. Como está é uma confusão que apenas os racismo-dependentes percebem. Se um negro for morto por um branco dizem-nos que é um crime com motivações racistas mas, como foi o caso um destes dias, se o assassino for um cigano já não é racismo. Menos ainda se, como diz que de vez em quando também acontece, for um negro a matar um branco. Aí, tenho esperança de um dia os ouvir dizer que foi um acto de justiça. Mas, para a malta perceber, convinha que esclarecessem. De caminho podiam também divulgar os montantes que a panóplia de associações ligadas a estas causas recebem do Estado e, se não for pedir demais, quanto recebem das associações os seus principais activistas. Só para percebermos melhor as motivações.

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