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Kruzes Kanhoto

Ainda que todos, eu não!

O barato sai caro. Nos ordenados também...

por Kruzes Kanhoto, em 31.08.20

Diz que o número de aposentações na função pública terá aumentado, face ao período homologo do ano anterior, vinte sete por cento nos primeiros sete meses de 2020. Nada de surpreendente, convenhamos. A miserabilidade dos vencimentos dos funcionários públicos é gritante. Daí que a motivação de quem se pode aposentar - mesmo com todos os cortes - para continuar a trabalhar seja praticamente nula. Nomeadamente aqueles, como por exemplo um operário especializado, que ao fim de trinta e seis anos de trabalho ganham 740,26 euros brutos e levam para casa 673,09 líquidos. O salário mínimo, sensivelmente.

Não admira, por isso, que na função pública quem saiba fazer qualquer coisa opte, assim que pode, por se reformar. Um pedreiro, canalizador ou eletricista que antecipadamente se aposente ficará com uma pensão a rondar os 440 euros. Pouco e, ainda assim, com uma perda substancial de rendimentos. Mas que facilmente será compensada e até largamente ultrapassada se fizer meia dúzia de pequenos biscates. Com a inegável vantagem de aí o fisco não meter a unha.

Obviamente que, a longo prazo, este será mais um problema. Para todos. Ou, pelos menos, para a metade dos portugueses que pagam impostos. Dos muitos que se aposentam com estes valores, poucos terão no futuro recursos para viver uma velhice digna. Terão, naturalmente, de ser os contribuintes a resolver o problema. Que, ao contrário do que muitos possam pensar, existe, não será barato e alguém terá de pagar.

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A inocuidade do perdigoto comunista

por Kruzes Kanhoto, em 29.08.20

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Faz-me espécie esta nacional-subserviência para com o Partido Comunista. Ele é a festa do avante, que ninguém é capaz de proibir ou, entre outras, aquela alarvidade da dita agremiação de adoradores de ditadores criminosos ser imprescindível à democracia. Mais estranha ainda esta reverência perante os comunistas quando os seguidores dessa ideologia constituem apenas um insignificante e meramente residual número de eleitores ou, quanto a isso da imprescindibilidade do pcp à democracia, ninguém conseguir explicar a necessidade de tolerar a sua existência. É apenas porque sim. Por mim, se como faria sentido fosse ilegalizado, não lhe achava a falta. Ou melhor, faz cá tanta falta como a fome. Ou como o Chega.

Igualmente estranho é que não faltem alarves a reclamarem da influência do futebol na política, na justiça e sabe-se lá mais onde. Não raras vezes com razão, diga-se. Contudo poucos se incomodam com a influência dos comunistas nos meios de decisão. Nomeadamente, no caso presente da festarola, em instâncias que, cuidava eu, se preocupavam com a saúde pública. Afinal parece que não. Ou, então, já algum especialista da especialidade concluiu, após mais um aturado e financiado estudo, que um adepto a gritar golo manda muito mais perdigotos do que um comunista aos berros num comício do Jerónimo.

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Um "perro maricon" seria ainda mais valorizável...

por Kruzes Kanhoto, em 25.08.20

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Leio que em Espanha um indivíduo, interceptado pela policia local em virtude de não usar máscara, terá começado a andar “de quatro” imitando um cão. Não evitou, ainda assim, a multa aplicável nestas circunstâncias.

A ocorrência está a ser noticiada, pela generalidade da imprensa, na secção de noticias insólitas, bizarras ou simplesmente parvas. O que se me afigura profundamente reprovável e suscita umas quantas questões inquietantes. O senhor tem o direito a identificar-se com aquilo que muito bem lhe apetecer. Se foi um ser canino, todos, policia e jornalistas incluídos, temos de aceitar a sua condição e não desatar a zombar das suas opções. E aqui reside a segunda inquietação. O que terá levado os presentes a considerar que a criatura em causa era um homem e não uma mulher? Ou um transexual? Ninguém, ao que é relatado, o que terá interrogado quanto a isso. Outra questão pertinente é o género do animal. Porquê um cão? Alguém lhe perguntou se ele – ou ela – se identificava com um cão e não com uma cadela? Ou, até, um canito transexual? Pelo sim pelo não, de maneira a evitar equívocos e tratar a coisa de forma inclusiva, a noticia podia resumir-se a isto: “Ser humane interceptade pele policix identifica-se como ume cachorre”. Todes percebíamos e não havia cá discriminações.

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Gente à beira de um ataque de nervos

por Kruzes Kanhoto, em 23.08.20

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Costa chama cobardes aos médicos. O Expresso, que noutras ocasiões terá publicado conversas privadas a envolver o Trump obtidas à socapa, insurge-se contra a divulgação das declarações do primeiro-ministro, obtidas igualmente à sorrelfa, durante uma conversa privada com um jornalista daquele pasquim. Tudo porque a ordem dos médicos, atente-se na ousadia, lembrou-se de fazer um inquérito às circunstâncias que envolveram as mortes no lar de Reguengos. Como se o Estado pudesse ser fiscalizado por alguém que não dependa do próprio Estado. Ou como já dizia Mussolini, esse grande socialista, “tudo no Estado, nada contra o Estado e nada fora do Estado”.

Deve ser por também pensar assim que o BE manifesta a sua incompreensão por a rede de lares de idosos se encontrar, quase exclusivamente, entregue aos sectores privado e social. Daí que pretenda mandar de volta para casa – ou dos familiares, certamente - muitos dos velhotes que se encontram “institucionalizados”. Para a Segurança social tratar deles, propõe. Só falta, mas não deve tardar, sugerirem a nacionalização de todas as instituições e empresas do sector. Das duas uma. Ou é a ideologia que os deixa cegos para a realidade da vida ou é inveja de não conseguirem criar uma teia como a do PS.

É por estas e por outras que preciso urgentemente que alguém me garanta que o louco sou eu...só para me tranquilizar quanto à sanidade mental de quem manda nesta choldra.

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Ter cão é coisa de facho

por Kruzes Kanhoto, em 22.08.20

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Nem sei mais o que lhes chamar. Porcos, seria claramente vexatório para os suínos. Burros, era capaz de constituir uma ofensa para os asnos. Bestas, ofendia a bicharada em geral. O melhor, desta vez, é apelidá-los de pessoas extremamente mal-educadas e com uma relação deveras conflituosa com o asseio. Talvez, só assim para reforçar a ideia, pouco dadas à higiene e sem noção de respeito pelos demais. Embora o que me apeteça seja lançar a ideia que ser dono de um cão é coisa de facho. De gente da extrema-direita, vá. Só por causa daquilo de tirar a liberdade e de impor a sua vontade, quase sempre de forma ditatorial, a um ser senciente…

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Sete recomendações para fazer a 69

por Kruzes Kanhoto, em 19.08.20

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Podia ser apenas uma piadola. Ou uma daquela fake news, ou lá o que chamam às pantomimices publicadas nas redes sociais ou na comunicação social. Mas não. É mesmo a sério. No meio da maior crise por que já passaram as actuais gerações é com isto que os deputados da nação se entretêm. Depois queixam-se das críticas depreciativas que lhes são dirigidas.

Desemprego? Impostos? Fome? Velhos a morrer à sede? Que raio importa isso? Nada, como é óbvio. Há coisas muito mais importantes para resolver. Nomeadamente recomendar a distribuição de dinheiro público em função das actividades que os cidadãos praticam na cama, wc´s públicos ou seja lá onde fôr.

Se toda a gente merece ser apoiada neste momento difícil? Claro que sim. Mas, quando se passa por dificuldades e necessita de apoio, o que cada um faz com o respectivo rabo ou com qualquer outra parte do corpo interessa para quê e a quem?!

 

 

 

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Pragas urbanas

por Kruzes Kanhoto, em 18.08.20

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Nem devia ser necessário o dono do estabelecimento dar-se ao trabalho de escrever este aviso. Bastava bom-senso por parte dos clientes. Senso, apenas, também chegava. Mas não. As pessoas insistem em alimentar a bicharada. E o pior é julgarem que estão a praticar uma acção muito meritória.

Já não basta aos maluquinhos dos animais dar comida a cães e gatos errantes ou distribuir milho aos pombos nas ruas e praças das cidades. Agora é vê-los nas esplanadas, todos ternurentos, a oferecer migalhas e restos das refeições ou do que estiverem a comer, a pombos, pardais ou gaivotas. Sem perceberem o quão estúpidos estão a ser.

A loucura desta gente é de tal ordem que vi em certa ocasião, numa esplanada à beira-rio, um destes indivíduos quase bater num idoso que tentava afastar, agitando a bengala, as gaivotas que cirandavam à volta da sua mesa em busca de comida. E o pior é que malucos destes são cada vez mais. Uma praga, também eles.

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A calculadora, a metralhadora e o azulejo

por Kruzes Kanhoto, em 17.08.20

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Quando ouço falar em cultura puxo imediatamente da calculadora. Virtual, quando estou de folga. Ou seja, desato a fazer contas de cabeça. Por norma, poucos segundos depois, apetece-me puxar da metralhadora. Imaginária, está bem de ver.

Apesar de relutante, dado o pouco interesse que tenho por estas cenas, visitei um destes dias o novel museu cá da terra. O do Berardo, ou sabe-se lá de quem. O entusiasmo dos licenciados em revestimento de paredes e dos doutorados em azulejaria, manifestado exuberantemente nas redes sociais, foi determinante para me convencer. Em boa hora o fiz. Ando a pensar em fazer umas obras cá em casa e aquilo deu-me umas ideias. Quanto ao mais, digo como a maioria dos visitantes. Tá bonito, lá isso está...



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Os tomates da crise

por Kruzes Kanhoto, em 16.08.20

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Ter tomates, em tempos de crise, pode ajudar. Este ano, na agricultura da crise e numa inédita parceria, também há disso. Dá para tudo e ao gosto de toda a gente. Uma sopa de tomate para os que gostam de “enfardar”, uma salada para os vegetarianos ou um doce para os gulosos.  Ou, no meu caso que sou um brutamontes em matéria de “morfes”, todos eles. Com crise ou sem ela.

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Radicalismo do bom... daquele com cheiro a pinho e gargalhadas refrescantes.

por Kruzes Kanhoto, em 15.08.20

Leio na primeira página de hoje do Público: “O radicalismo da esquerda nasceu em 1820 e está vivo”. Assim. Sem acrescentar um sinal qualquer de repúdio ou desaprovação. Nem, sequer, de uma leve inquietação. Desconfio que não aconteceria o mesmo se o radicalismo fosse de outra natureza. Nesse caso haveria ali pelo meio um ou mais adjectivos…

Ao que se tem dito e escrito nos últimos dias, alguns utentes do lar de Reguengos que morreram na sequência do surto de Covid-19 terão, alegadamente, morrido por falta de assistência adequada à sua situação clínica. Parece, também, que isso é coisa que ainda se há-de apurar. Mas, só assim para começar, imaginemos que isto teria acontecido quando Passos Coelho ainda era primeiro-ministro. Ou, fosse qual fosse o governo, em vez de idosos se tratava de cães. Havia de ser o bom e o bonito… Assim, tirando as famílias, ninguém quer saber. Preocupante mesmo é a “extrema-direita” e o “fascismo”, mais o “racismo” e outros fantasmas que os alucinados dos urbano-depressivos insistem em imaginar. Se pusessem mais tabaco naquilo que fumam talvez conseguissem perceber que o mundo não gira em torno do cu deles…

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Cartas e manias

por Kruzes Kanhoto, em 14.08.20

Conheci em tempos um gajo que escrevia cartas a ele próprio. Manias de uma época em que cada um ainda podia ter as que muito bem entendesse. Lembro-me também de um outro cavalheiro, na altura chefe dos carteiros, cujo passatempo era escrever cartas anónimas. A mim calhou-me uma. Já nem me recordo a que propósito mas, de certeza, não era nada de especialmente relevante. Recordo-me igualmente de, quando estava na tropa, umas quantas moçoilas cá cidade terem por divertimento telefonar, de forma anónima, para o quartel. Só para reinar com a malta, acho eu.

Soube-se agora que uns certos activistas – gajos e gajas das causas – terão recebido mensagens de correio eletrónico a convidá-los a procurar outro lugar para viver. Coisa que, vá lá perceber-se porquê, está a deixar as “elites” em polvorosa. O resto do país não quer saber. Tem mais com o que se preocupar – os impostos, por exemplo – do que as manias e passatempos de gente que quer é aparecer.

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A fome é negra (ainda se pode dizer ou já é proibido?)

por Kruzes Kanhoto, em 12.08.20

Há imagens que nos são mostradas vezes sem conta. Até à exaustão. Ou acharem que já as assimilámos convenientemente. Outras nunca são exibidas. O critério é determinado pelos valores da moral vigente e da doutrina em uso.

Aquilo dos canitos esturricados lá para o norte, por exemplo. Durante dias foi tudo mostrado dos mais variados ângulos e de todas as perspetivas. Nem um pormenor ficou por exibir e foi analisado por conceituados – ou auto proclamados – especialistas da especialidade. Para, suponho, aprendermos a ser bonzinhos com os animais e a proporcionar-lhes uma vida longa e feliz. Ainda que, se outra solução não houver, paga com os nossos impostos.

Depois há outras imagens, como aquelas de um indivíduo a cozinhar um gato em plena via pública, que nunca são exibidas. Pelo contrário, são apagadas assim que descobertas pelos censores da nova ordem. Será por acontecer em Itália? Ou por alegadamente se tratar de um imigrante ilegal, refugiado ou lá o que lhe queiram chamar? Seja como for podiam tê-las exibido. Faziam menção ao multiculturalismo, à pouca atenção que prestamos a essas vitimas do capitalismo e, quiçá, ao racismo. Terminavam culpando o homem branco e ficávamos todos felizes, contentes e mais doutrinados. Até porque se alguém pode garantir que nunca comeu um gato, que atire o primeiro pau...

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Não é um país. É um esgoto a céu aberto.

por Kruzes Kanhoto, em 09.08.20

Sócrates, Berardo, Salgado e Rui Pinto terão, alegadamente, praticado actos alegadamente pouco conformes com a lei. O que leva, então, os portugueses a olhar para cada um destes figurões de maneira diferente? Mistérios. Daqueles que dão razão aos que acham que este país vale um escarro. Ou um peido. Nem isso, talvez.

O antigo primeiro-ministro é, para muitos, um patifório da pior espécie. Para os sectores mais à direita, nomeadamente. Para os restantes o sentimento varia entre a esperança que a acusação seja uma enorme mentira e a certeza de que a genialidade do homem continuará imaculada.

Salgado e Berardo, para a generalidade das criaturas, não passam de uns escroques. Excepto, no caso do segundo, em Estremoz. Aqui a abertura de um museu concedeu-lhe o estatuto de divindade. Acerca da qual os autóctones não devem blasfemar, não vá a sempre atenta guarda pretoriana recordar-lhes que não interessam as alegadas manigâncias desde que se faça alguma coisa. Conceito muito apreciado por cá, diga-se.

O pirata informático, esse, é para a tugalhada o décimo terceiro Deus do Olimpo. Será até, a fazer fé nos cartilheiros e avençados do regime, contratado pelo Estado para fazer investigação, com direito a casa, cadastro limpo e, se calhar, mais umas quantas mordomias. O argumento que o ladrão de dados informáticos proporcionou a descoberta de muitos outros crimes é coisa de tolinhos. Se admitirmos que um crime legitima outro, estamos a abrir uma porta que nos conduzirá por caminhos muito sinuosos.

Perante isto aguardo com ansiedade a nomeação de Ricardo Salgado para conselheiro do Banco de Portugal, de Joe Berardo para a administração da Caixa Geral de Depósitos e de José Sócrates para o Conselho Superior da Magistratura. Experiência não lhes falta.

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"Vamos pilar"

por Kruzes Kanhoto, em 07.08.20

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Sai um gajo trabalho em passo acelerado para ir comer qualquer coisa, que a fome é negra - não sei se ainda posso atribuir uma cor à fome, mas agora já está e não me apetece apagar – e depara-se com isto. E por isto entenda-se, para os menos atentos ou pouco perspicazes, a mensagem que esta senhora tem estampada nas costas da t-shirt.

Não sei se por causa da larica mas, admito, não percebi à primeira. Nem, a bem-dizer, à segunda. Comecei por admitir que o tempo e sucessivas lavagens tivessem apagado uma virgula a seguir ao “vamos” e um ponto de exclamação depois de “pilar”. Mas não. Vendo melhor constato que nunca lá estiveram. Hesitei depois entre a mensagem significar uma proposta manhosa ou a revelação da actividade que vão praticar. Já perto de casa, que o trajecto é curto e tenho passada larga, conclui que não seria nem uma nem outra coisa. Aquilo foi engano. Vestiu a camisola do neto. Ou da neta, que não quero ferir a susceptibilidade das maluquinhas das causas. Nem dos maluquinhos, tão-pouco.

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Em vez de "estudos" vão mas é às "aulas"...

por Kruzes Kanhoto, em 06.08.20

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Isto há malucos para tudo e, já dizia a minha sábia avó, cada maluco com sua maluqueira. A diferença para o tempo dela é que, nessa época, ninguém ligava aos malucos e não havia problema nenhum em lhes chamar o que realmente são. Uns malucos. Hoje não. Têm palco em todo o lado e quem ousar questionar a sanidade mental dessa gente ainda é olhado de soslaio, se tiver sorte, ou enxovalhado na praça pública, que é o que acontece quase sempre.

Às maluqueiras de hoje, não sei se para dar credibilidade ou apenas por ser moda, chamam-lhes “estudos”. Um desses estudiosos – um conceituado maluco que em tempos vendeu colchões – anuncia que “os humanos não foram programados para dormir acompanhados”. Justifica a ideia com um conjunto de lugares-comuns que, para quem vive sozinho ou mal acompanhado, até podem servir de consolo. Mas apenas isso. Deixemo-nos de merdas. Só pensa assim quem nunca dormiu com o cu na pilheira.

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(F)actualidades

por Kruzes Kanhoto, em 05.08.20

O que se passa em Espanha tem sempre importância para Portugal. Por todas as razões que se conhecem e, certamente, por mais umas quantas que se desconhecem. Mas, acho eu que não sou especialista na especialidade de política internacional, este caso do ex-rei Juan Carlos não tem para o nosso país qualquer relevância. Ou, pelo menos, aquela que por cá lhe estão a atribuir. Nem mesmo que lá para o meio daquilo existe alguma ligação manhosa aos mafiosos do nosso regime. Até porque, a haver, é quando o caso deixa de ter importância.

Cá para mim - que, reitero, não percebo nada dessas cenasquem tramou o monarca espanhol foi o elefante. E as gajas, vá. Tivesse ele ficado em casa a comer tofu e a ir ao cú a um paneleiro qualquer e ainda hoje era o maior da península ibérica e arredores.

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"Experiência", dizem eles...

por Kruzes Kanhoto, em 03.08.20

Não há assim tanto tempo quanto isso, alguém da chamada província que se deslocasse à capital corria o sério risco de ser enganado, burlado ou, se tivesse sorte, apenas vitima de uma partida qualquer. Enquanto miúdo ouvi incontáveis histórias que relatavam essas ocorrências. Na época, a malta das grandes cidades considerava-se num patamar acima – ou mais, se calhar - do desenvolvimento humano. Eles eram os espertalhões e nós, os provincianos, uns atrasados quaisquer. E isto não constituia exclusivo de Portugal. Era coisa universal.

Hoje assiste-se ao inverso. Confesso que às vezes até me dão pena e questiono-me como é que alguém consegue tirar partido da idiotice de outro, assim, de uma forma tão descarada. Já nem digo vender um penico, apanhado no lixo, por vinte euros. Ou pêssegos espanhóis como se fossem genuinamente alentejanos. Isso, reconheço, é para meninos. Gozo, partida, burla ou o que se queira é alugar um palheiro, por mil euros a semana, para os turistas pernoitarem. E, ao que parece, está a ser um sucesso.

Não tenho, naturalmente, informação acerca da origem da clientela desta, chamemos-lhe assim, unidade agro-turistica extremamente inovadora. Mas não acredito que alguém que não resida habitualmente numa metrópole, fosse idiota ao ponto de pagar um balúrdio para dormir naquelas condições. Só um parvo o faria. E há muitos a fazê-lo, pelos vistos. Deve ser pela experiência. Que é o que chamam agora àquelas partidas manhosas, em que o pessoal paga para fazer uma coisa que alguém minimamente inteligente não faria nem que lhe pagassem.

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"A gaja das causas"

por Kruzes Kanhoto, em 02.08.20

Hoje algo que só não é absolutamente novo porque já aconteceu numa outra ocasião. Quando muito em duas, vá. Ainda assim é uma cena inusitada por estas paragens. Uma musiquinha. Não sei quem é o artista – mas vou tratar de saber, para o parabenizar – que eu destas coisas das artes não conheço ninguém. Mais depressa sou capaz de dizer o nome do guarda-redes suplente da equipa B do Glorioso do que o nome de um qualquer cantante da moda.

Dura cerca de três minutos e meio e vale por cada segundo. O homem sabe o que canta. E, principalmente, o que diz. Eu não diria melhor. É ver e ouvir antes que os censores do regime o apaguem.

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E a transparência no ambito do racismo, pá?!

por Kruzes Kanhoto, em 01.08.20

A comunicação social e algumas organizações que vivem à custa do financiamento público têm-se esforçado por nos fazer acreditar que Portugal é um país racista, os portugueses são racistas e que anda para aí uma discriminação do piorio. Percebo a ideia. E os motivos, ainda mais. A vida custa a todos, está difícil e, para as empresas donas dos jornais, uma causa como o racismo revela-se capaz de angariar mais clientes, por consequência de fazer subir as vendas e minimizar os prejuízos que o financiamento do Estado não tapa. O mesmo para as associações que vivem do subsidiozinho do governo. Os empregos para sociólogos e afins não estão fáceis de arranjar e, à conta destas balelas, sempre vão mantendo um ordenadito que mais ninguém lhes pagava.

Convinha era que fossem mais explícitos nessa coisa do racismo. Como está é uma confusão que apenas os racismo-dependentes percebem. Se um negro for morto por um branco dizem-nos que é um crime com motivações racistas mas, como foi o caso um destes dias, se o assassino for um cigano já não é racismo. Menos ainda se, como diz que de vez em quando também acontece, for um negro a matar um branco. Aí, tenho esperança de um dia os ouvir dizer que foi um acto de justiça. Mas, para a malta perceber, convinha que esclarecessem. De caminho podiam também divulgar os montantes que a panóplia de associações ligadas a estas causas recebem do Estado e, se não for pedir demais, quanto recebem das associações os seus principais activistas. Só para percebermos melhor as motivações.

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