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Kruzes Kanhoto

Ainda que todos, eu não!

Kruzes Kanhoto

Ainda que todos, eu não!

Telemanifestação

Kruzes Kanhoto, 03.05.20

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Não me parece que o ajuntamento de umas centenas de dirigentes sindicais e de outros tantos velhinhos – como o camarada Jerónimo, que do alto dos seus setenta e tal anos está ali para as curvas – num espaço amplo e arejado como a Fonte Luminosa, constitua motivo para tanta celeuma. O que não falta, quase de certeza, são locais onde a concentração de pessoas por metro quadrado é muito superior. E, se isso deixou os comunistas felizes, não vejo por que raio o governo não haveria de permitir que os representantes de quinze por cento dos trabalhadores portugueses se reunissem para cantar umas grandoladas e assim. Isto uma mão lava a outra e, lá mais para a frente, veremos a que guardanapo se limpou a CGTP.

Relativamente à ocorrência pouco me ocorre dizer. Até porque à senhora que discursou, pouco ocorreu. Nem, para meu espanto, se lembrou de reivindicar menos impostos sobre o trabalho. Fiquei, portanto, a saber que o PCP está contente com o nível de fiscalidade que incide sobre o meu parco vencimento. Já desconfiava.

Do que nem desconfio é o motivo pelo qual os autocarros do Município do Seixal estavam nas imediações do evento. Não acredito que tenham sido cedidos para transportar manifestantes. Por causa disso já um Presidente de Câmara aqui da região viu um tribunal declarar-lhe perda de mandado. Se foram alugados pela organização, também não me parece bem. Existem empresas que se dedicam a esse ramo e que, principalmente nesta fase, precisam de facturar. Mas, se calhar, os ditos autocarros estavam ali no âmbito de uma actividade municipal qualquer. Algum passeio de idosos, ou isso.


Provavelmente sou só eu que reparo nestas coisas. Mas, desde que a criatura ganhou protagonismo, que os comunistas, quando se referem a Marta Temido, escrevem invariavelmente “a senhora ministra da saúde”. Como vão longe os tempos em que, invariavelmente, se referiam a Paulo Macedo como o “Doutor Morte”. Curioso. Mas, evidentemente, longe de mim pensar que isto anda tudo ligado e que o PCP está comprometido até às orelhas com o governo.

E os impostos, porra, os impostos?!

Kruzes Kanhoto, 01.05.20

Pode ter sido apenas impressão minha mas, assim de repente, fiquei com a ideia que o país inteiro se babou com aquela converseta do Pedro Nuno Santos – o ministro mais bloquista que o próprio BE – acerca da TAP, do dinheiro dos portugueses e do povo mandar naquilo. Conversa da treta, aquela. Demagogia e populismo do mais rasca que já ouvi da boca de um governante. Basta ter um bocadinho de noção – como diz o outro – para perceber o disparate. O povo vai mandar tanto na TAP como manda na Caixa Geral de Depósitos. Quando muito já sustenta uma e passará a sustentar a outra.

A irritabilidade tuga em relação aos holandeses está hoje, outra vez, em alta. Em causa o patife de um trabalhador local, que se lembrou de pedir – frente às televisões, o que ainda é pior – ao primeiro ministro daquele país, para não "dar" mais dinheiro à Espanha e Itália. Trata-se, parece-me, de um cidadão preocupado com o destino dos seus impostos. Assim estivéssemos nós. É que, por cá, não vejo ninguém horrorizado por mais de metade de um ordenado médio se esvair em impostos. Nós, já dizia Jorge Sampaio, queremos é “sacar à Europa”. Que é como quem diz, aos impostos dos outros.

E por falar em impostos. Foi impressão minha ou a senhora da CGTP não falou em reduzir os impostos sobre o trabalho?

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