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Kruzes Kanhoto

Ainda que todos, eu não!

Kruzes Kanhoto

Ainda que todos, eu não!

No melhor cartaz cai a nódoa...negra!

Kruzes Kanhoto, 18.05.20

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São raras as circunstâncias em que concordo com aquela tropa fandanga. Mas, desta vez, tem o Bloco de Esquerda toda a razão naquilo propala num dos seus mais recentes cartazes. Ninguém pode ficar para trás. A menos, claro, que não tenha grande vontade de seguir em frente.

Só há naquele cartaz uma coisa que me incomoda. Uma coisinha de nada, diria, mas que me está cá a moer. Não aprecio nadinha o facto da figura que, aparentemente, será uma técnica de limpeza ser representada por uma mulher negra. Não havia necessidade de contribuir para a perpetuação do estigma. Fosse aquilo um cartaz do Chega e quase me cheirava a racismo, discriminação, machismo e outros odores a atirar para o pestilento.

São impostos fofinhos, de certeza...

Kruzes Kanhoto, 17.05.20

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Manifestações a exigir a demissão de governos apoiados por partidos de esquerda nunca constituem noticia na comunicação social lusitana. Excepto, mas isso é por outras razões, se ocorrerem na Venezuela. Tirando essa excepção, para os jornaleiros portugueses o povo pretender deitar abaixo um governo de esquerda é uma impossibilidade prática.

Esta ausência de noticias já foi assim em relação à Grécia e é agora relativamente a Espanha. As manifestações populares – acho que é assim que se designam usualmente – de protesto contra o governo socialista/comunista espanhol sucedem-se, mas, por cá, nem um pio. Tal como se multiplicam os actos de protesto da população contra o confinamento. Sem que, deste lado da fronteira, isso seja noticiado. Nem, sequer, ridicularizado. Já as manifestações dos que exigem o mesmo no Brasil e nos States, essas sim, é que não passa telejornal sem que nos sejam exibidas. Critérios. De alto rigor jornalístico, presumo.

O sábado do nosso contentamento

Kruzes Kanhoto, 16.05.20

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Diz que o primeiro ministro andou hoje pelas ruas de Lisboa a incentivar os portugueses a sair de casa. Fez bem, o homem. Há que voltar rapidamente e em força à normalidade antes que seja a cura a matar-nos. É que, a não ser assim, ainda nos arriscamos ouvir ao Costa algo parecido àquela frase do ditador Oliveira, nos tempos que se seguiram à segunda guerra mundial. “Livrei-vos da guerra, mas não vos posso livrar da fome”, garantia, nessa época, o Botas. No caso presente, do vírus chinês.

Por cá foi o segundo sábado de relativa normalidade, com parte do mercado reaberto. Por enquanto ainda não é o mesmo. Estão lá as frutas, os legumes e tudo o resto. Faltam os visitantes que transformavam a manhã deste dia no mais movimentado da semana. E as rotinas, também. Ir ao mercado e não beberricar o costumeiro cafezinho é mais doloroso do que uma semana de confinamento. 

Hipocondríacos seletivos

Kruzes Kanhoto, 15.05.20

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Acho piada aquela malta que faz cenas esquisitas com os bichos. Entenda-se - por cenas esquisitas – dormir com eles, dar-lhes beijos, partilhar comida e outras patetices modernas. Gente que, ao mesmo tempo, manifesta um pavor de morte – próximo da paranoia, diria – com o vírus chinês que anda por aí. O medo é tanto que, pasme-se, algumas dessas criaturas se acham no direito de ficar em casa, sem trabalhar, mas mantendo o direito ao ordenado. Nomeadamente funcionários públicos, que aos privados o patronato capitalista e explorador trata de acertar o passo a quem se dá a esses devaneios.

Mas, escrevia, há quem passe o tempo a desinfetar-se, só retire a máscara para comer e mude de passeio ao vislumbrar outro transeunte. Depois, se calhar, dorme com o bichano que passou o dia a escarafunchar no caixote do lixo. Que é, de certeza, um sitio onde vírus e outras cenas igualmente maléficas não entram.

 

Chega...de "pides" na internet!

Kruzes Kanhoto, 12.05.20

Uma publicação do grupo Cofina, essa referência do jornalismo nacional também conhecida por esgoto a céu aberto, resolveu cavalgar a onda do “Chega”. Diz-nos, alarmada, que um jovencito candidato a um lugar qualquer naquela agremiação, terá dito que os “portugueses são brancos e europeus”. Uma frase racista, determina o jornaleiro.

Ora o tal jove – de quem nunca ninguém ouviu falar antes nem, provavelmente, irá ouvir falar depois – não terá dito nenhum disparate. O que, obviamente, não invalida que haja muitos – e bons – portugueses negros. Europeus ou de outra origem qualquer. Mas isso, naturalmente, não torna a tirada do fulano num dito racista. É, apenas, um facto. Tal como os alemães, os eslovacos e os sérvios são brancos e europeus. Ou os quenianos são negros e africanos.

Não têm conta as vezes que vi muita reacção indignada por os estrangeiros, mormente os americanos, nos confundirem com um país qualquer do norte de África. Presumo que, daqui para a frente, indignar-nos com essa confusão também constituirá um acto de racismo, ou isso.

Discriminação no âmbito do confinamento

Kruzes Kanhoto, 10.05.20

A proposta de André Ventura de promover um confinamento especial para os ciganos é, convenhamos, uma palermice. O que não admira, vinda de onde vem. Já a resposta do futebolista cigano – que, se calhar, alguém deve ter escrito por ele – diz, foi muito bem dada. Diz, que eu não perco tempo com discursos de ódio, venham eles de onde vierem. O que julgo saber é que o jogador da bola em questão já terá tido, ao longo da vida, mais problemas com a policia do que o outro sujeito. Estão bem um para o outro, portanto.

Mas, ainda quanto a confinamentos, anda uma cena a moer-me o sentido relativamente a esta polémica. É que estou farto de ver gente indignada com a proposta – parva, reitero – de confinar os ciganos. Mas, assim de repente, tenho a impressão que ninguém se tem importado muito com o confinamento dos velhos que estão nos lares. Nem mesmo quando alguém sugeriu que todos os velhotes fossem confinados até ao final do ano, houve tamanho alarido. Se calhar isto, para além de andar tudo ligado, está também cheio de velhofobicos. Ou, como sugere o meu corrector ortográfico, de velhacos.

Pular a cerca

Kruzes Kanhoto, 09.05.20

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A presença de quem nada faz só prejudica quem trabalha. São os chamados empatas. Daí que a colocação de sinalética a vedar o acesso a “pessoas estranhas ao serviço”, seja mais ou menos comum. É, por norma, afixada à entrada das instalações onde se pretende condicionar a circulação a quem ali não labora. Seja em portas, portões ou outros locais que usualmente são usados para aceder ao espaço que se pretende seja reservado aos trabalhadores.

No caso da foto - vá lá saber-se porquê, mas podemos desconfiar - a opção foi diferente. O sinal foi colocado no topo de um muro, longe de qualquer abertura por onde seja possível entrar de uma maneira convencional. O que me leva a duvidar da eficácia do aviso. Quem por ali passar não ligará nenhuma à proibição. Nem, acho eu, vai prejudicar quem trabalha. Até porque escolherá uma altura em que aquilo esteja sossegado. Para não importunar.

Extremosamente preservada

Kruzes Kanhoto, 07.05.20

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Depois de um dia inteiro fechado em casa, a teletrabalhar, nada como uma bela de uma caminhada pela natureza. Para espairecer. E a natureza, no meu caso, é logo ali. Mesmo ao pé da porta. Este percurso, por exemplo, é um dos meus preferidos. Uma vegetação luxuriante, que substitui com inegáveis vantagens os passeios inexistentes, estende-se pelo alcatrão deixando uma estreita faixa negra por onde dá gosto caminhar. Não fossem as sucessivas tangentes dos espelhos retrovisores e era um cenário quase idílico. Nem preciso desejar que assim se conserve. Conservará, decerto. Tirando o corte anual da dita vegetação, assim continuará. Extremosamente preservada.

Agricultura da crise

Kruzes Kanhoto, 06.05.20

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Não é, de certeza, a produção mais lucrativa que podia ter no meu quintal. Outras ervas – dizem, que eu dessas cenas nada sei – proporcionam um retorno muitíssimo mais significativo. Dão mais “graveto”, digamos assim. Até porque estas só dão despesa e dores no lombo. Mas, na falta de melhor, são um regalo. Ma mesa e para a vista. Que os olhos também "comem", os marotos.

Um alentejano foi a Lisboa...

Kruzes Kanhoto, 04.05.20

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Por mais que me esforce não consigo ficar indiferente a “noticias” como esta. Mais ainda quando até merecem uma chamada à primeira página. Qual é, afinal, o motivo para tanta irritabilidade?! Será aquilo da “visão estereotipada”? A sério que os indignados com as piadolas contadas pelos brasileiros, acerca dos portugueses, querem mesmo falar disso? Se calhar é melhor não, antes que alguém os recorde de outros estereótipos que tanto apreciam…

Não me parece que as anedotas de portugueses contadas no Brasil constituam uma afronta. Pelo contrário. Rir de nós próprios é um sinal de sentido de humor e, também, de inteligência. Logo duas coisas que eu não tenho, conforme me estão sempre a lembrar os contadores de anedotas de alentejanos. E que agora, vai-se a ver, eles também não. Mas disso há muito que eu já desconfiava.