Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Kruzes Kanhoto

Ainda que todos, eu não!

Kruzes Kanhoto

Ainda que todos, eu não!

Piratas, porcos e outros patetas

Kruzes Kanhoto, 16.04.20

animal-farm1.jpg

Se há cena que me desagrada nas pessoinhas é a falta de coerência, ou lá o que é. Aquela coisa de agir em conformidade com as ideias manifestadas, ou assim. Há muita falta disso, por aí.

Já nem digo aquela malta que leva o tempo a tecer loas a determinadas ideologias, mas que se revelam incapazes de viver de acordo com as normas que, para eles, são o verdadeiro sol na terra ou os amanhãs que cantam. Nem, sequer, arrisco recordar a incoerência de outros que proclamam o seu amor a um amigo imaginário e à humanidade em geral e prometem fazer o bem a todos em particular, quando, vai-se a ver, fora das suas congregações têm um discurso de ódio e uma prática de perseguição ao próximo.

Fico-me por outros idiotas. Nomeadamente pelos que andam por essa Internet fora a lamber – virtualmente – o rabo ao pirata Pinto. Ainda não dei conta da satisfação dessa maralha pelos ataques informáticos levados a cabo contra algumas empresas prestadoras de serviços a operar em Portugal. Não é a mesma coisa? Pode não ser. Mas o objectivo é exactamente o mesmo. Com mais umas agravantes, que não sei se esses indigentes mentais estarão bem a ver.

E por falar em indigentes mentais. Parece que uns maluquinhos resolveram comemorar o 25 de Abril. Nada de mais, que a data bem o merece. O pior, é que os chanfrados vão fazer aquilo que nos proibiram. Juntarem-se aos magotes num espaço fechado. Umas centenas deles, ao que consta. Velhinhos, quase todos. Logo pertencentes a um grupo de elevado risco. Mas isso pouco importa à brigada do reumático. Por duas razões. Querem e podem.

Compreensão lenta...e pouco educada, também.

Kruzes Kanhoto, 15.04.20

A TVI passou ontem parte significativa dos serviços informativos a pedir desculpa ao norte do país. Fica-lhe bem. O conteúdo do noticiário da noite anterior terá sido ofensivo para os habitantes da região. Justifica-se, por isso, a indignação dos habitantes daquela região face ao que consideram – e bem – como afirmações manifestamente despropositadas e depreciativas.

Mas, por outro lado, os mesmos que agora se sentem ofendidos e, até, aqueles que consideraram inadequados os considerandos da TVI a propósito dos nortenhos, continuam a achar muita piada às anedotas de alentejanos. Assim de repente não vislumbro grande diferença. Considero tão pejorativo chamar “pouco educado” a um habitante do norte, como “preguiçoso” a um alentejano. Por que raio em relação ao primeiro é ofensivo e em relação ao segundo é piada? E não, não venham com aquela treta que os alentejanos acham graça às piadolas a seu respeito, porque os alentejanos não contam anedotas que os achincalhem ou menorizem.

A este propósito tenho andado envolvido numa polémica, noutra rede social, com uma emigrante portuguesa no Brasil que está pelos cabelos com as “anedotas de português” que ouve constantemente. Não gosta. Quando lhe expliquei que a compreendia perfeitamente e que eu sentia o mesmo em relação às piadas depreciativas que os portugueses contam sobre os alentejanos, não percebeu os meus motivos. Tal como percebem a generalidade dos tugas de cá. E depois o “lento” sou eu...

Tele-baldas

Kruzes Kanhoto, 14.04.20

images.jpeg

 

Por aquilo que ouço nas noticias – lá está, ninguém me andar a ouvir noticias – o país padece de uma generalizada falta de computadores e, também ao que se ouve, baixíssima taxa de acesso à Internet. Pelo menos entre a população estudantil. E eu que acreditava piamente – também ninguém me manda acreditar em tudo o que vejo – que essa malta estaria permanentemente conectada e dispunha de todo o tipo de tecnologia de última geração. Enganei-me, pelos vistos. Alguns – ainda não ouvi, mas calculo não tardarei a ouvir – nem televisão têm em casa. Uma pena. Isso e a falta de imaginação. No meu tempo de estudante – há trezentos anos, mais ano menos ano - qualquer um arranjava desculpas muito melhores para se baldar às aulas.

Há cruzes e kruzes...

Kruzes Kanhoto, 13.04.20

Diz que ontem, em muitas localidades nortenhas, a população terá passado o dia a oscular cruzes. Uma prática tradicional para aquelas paragens, ao que consta. Embora, nos dias que correm, totalmente desaconselhada. E nos outros dias, nos que já correram e nos que ainda hão-de estar para correr, também.

Longe de mim por-me para aqui a fazer graçolas de oportunidade. Que isto, já dizia a minha avó e um médico que em certa ocasião consultei – ou será que foi ele que me consultou a mim? Bom, não interessa para o caso – a fé é que nos salva. E aquilo, como se sabe, é gente de fé. Muita. Tanta, que até acreditou que o pessoal que estava a filmar ia ficar com as imagens nos telemóveis e não caía na tentação das espalhar pelas redes sociais. Esse demónio, que anda para aí a atazanar as alminhas. Sem, pior ainda, preocupações com aquela coisa da privacidade, ou lá o que é.

Morrer da cura...

Kruzes Kanhoto, 12.04.20

93324866_xoptimizadax--575x323.jpg

 

Esta imagem seria praticamente impossível de capturar às seis da tarde de um dia qualquer na estrada nacional quatro, que liga o Montijo à fronteira do Caia, antes desta coisa do vírus chinês. Agora está assim. Deserta. Se, como dizia o outro – seja ele quem fôr – as estradas são sistemas de veias e artérias de um organismo, então, perante um cenário destes, não me parece descabido concluir que esse organismo estará a dar as últimas. Desconheço quanto tempo um corpo resiste se o sangue não circular. Não será muito, certamente. Um país, talvez um pouco mais. Quanto, vamos descobrir um dia destes...

É para isto que andaram a comprar que nem malucos?

Kruzes Kanhoto, 11.04.20

IMG_20200411_200049.jpg

Não vou especular se foi ou não açambarcamento. Pode ter sido apenas uma compra por impulso. Daquelas em que compramos coisas que não nos vão fazer falta nenhuma mas que, mesmo sem sabermos bem porquê, insistimos em comprar. Talvez até se trate de pão comprado tendo em vista um repasto que não ocorreu por ausência – indisposição ou seja o que fôr – dos comensais. Ou, quiçá, a sua compra tenha constituído apenas o pretexto para fazer um passeio à padaria ou supermercado o mais distante possível da habitação. Mas, independentemente do motivo, parece-me mal. As opções da gastronomia alentejana para dar uso ao pão são mais que muitas. Tantas que me escuso das enunciar. Até por não ser a culinária a área onde me sinto mais à vontade para dissertar. Agora que não havia necessidade, disso tenho a certeza.

Ah, e isto não é para o ecoponto. Nem para o chão.

A ver se eu entendo: Agora já não gostamos de piratas, é isso?

Kruzes Kanhoto, 10.04.20

Captura de ecrã de 2020-04-10 15-55-16.jpg

 

A merda da comunicação social que somos obrigados a aturar anda, com o apoio incondicional do Presidente da República, a fazer-se aos apoios do Estado. Ao nosso dinheiro, portanto. Com as consequências para a sua independência e fiabilidade da informação que, sendo – ainda mais – controlada pelo Estado, daí adviria.

Mas até nem é isso que me causa mais brotoeja. Afinal são só mais uns quantos a afiambrarem-se ao orçamento e no que à qualidade informativa veiculada pelos principais órgãos de comunicação nacional, há muito que estou vacinado. O que me faz subir a irritabilidade para valores muito acima do recomendável, é aquilo da pirataria. Não sei do que esta gentalha se queixa. Já se devem ter esquecido que encheram páginas e mais páginas, ou gastaram horas de programas televisivos, à custa de material pirateado. Nomeadamente estes cavalheiros do grupo Cofina, sobejamente conhecidos pela ética e qualidade do seu trabalho. Vão para a puta que os pariu, mas é!

Gente que não pára no cabanejo...

Kruzes Kanhoto, 09.04.20

Desconheço se verdadeiros, mas não faltam relatos nas redes sociais a dar conta da presença, por aqui e por outros lados, de uma quantidade significativa de pessoas, oriundas dos grandes centros, que terão viajado para fora da sua área de residência habitual contrariando as disposições de confinamento em vigor.

Como não saio de casa, a não ser para ir às compras uma vez por semana, não tenho essa percepção. Embora, na última ocasião – terça-feira – tenha visto algumas caras que me são estranhas. Gente que não é daqui mas que, por algum motivo, resolveu vir até cá numa altura em que isso é totalmente desaconselhado. O que, convenhamos, é um completo disparate. Está tudo fechado, o mercado agora tão em moda não se realiza e, como é fácil de calcular, não há nada para fazer fora de casa. Nada, nadinha, népia. A não ser molharem-se. Que isto chove como o caraças. E ainda bem.

Porcazinhas...

Kruzes Kanhoto, 08.04.20

Ler o Orçamento do Estado sempre foi uma coisa para lá de chata. Mas, a cada ano que passa, está a ficar pior. Ou, então, é a minha paciência que já não é o que era. Nomeadamente quando aquilo está cheio de ideologia, feminismo, conceitos malucos e normas que podiam perfeitamente constar do despacho de um obscuro secretario de estado qualquer. Como esta, por exemplo:

Artigo 265.o

Acesso a bens de higiene pessoal feminina

O Governo promove, durante o ano de 2020, medidas de reforço do acesso a bens de higiene pessoal feminina, bem como de divulgação e esclarecimento sobre tipologias, indicações,contraindicações e condições de utilização.”

Isto era mesmo necessário constar de um orçamento de Estado?! Mas é apenas uma entre inúmeras idiotices. Inutilidades destas são mais que muitas. Linhas cheia de nada, que servem para coisa nenhuma, a encher um documento que devia definir o rumo do país, mas que apenas lá estão como prova de vida de um qualquer pequeno e insignificante partido que delas fez depender o seu voto favorável. Deve ser, também isto, um daqueles custos da democracia...

Teletrabalho

Kruzes Kanhoto, 07.04.20

home work.jpg

Outra semana de teletrabalho. Daquele a sério. Nada de confusões com outra coisa que, diga-se, também está muito em moda por estes dias mas que se me afigura ser mais teledescanso.

Gosto da ideia de teletrabalhar. É uma cena catita. Terá vantagens e desvantagens, tanto a nível individual como colectivo. Cada um saberá de si e como aproveitar as primeiras e minimizar as segundas. Para mim é essencial manter as rotinas. Cafézinho a meio da manhã, não facilitar nos horários e só não me visto de fato e gravata porque habitualmente não uso.

Colectivamente, enquanto país, esta poderá ser uma oportunidade para dar um enorme salto. Nomeadamente, embora aí num prazo mais dilatado, para o interior. Trabalhar a partir de casa pode constituir o incentivo que tem faltado para travar a desertificação de uma imensa parcela do território. Com essa opção apenas sairia daqui quem, muito legitimamente, o quisesse fazer. Ou tivesse pais ricos.