Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Kruzes Kanhoto

Ainda que todos, eu não!

Kruzes Kanhoto

Ainda que todos, eu não!

E se fizessem quarentena das redes sociais?

Kruzes Kanhoto, 15.03.20

Não me vou pôr para aqui com piadolas mais ou menos fáceis acerca do tal Covid-19. Era o que faltava. O caso não está para graças. Tanto não está que já nem consigo achar graça aqueles loucos que continuam a insistir que a origem do dito vírus é culpa dos comunistas, dos americanos ou de uma tia afastada do Trump. Noutros tempos os fenómenos, nomeadamente para os que não se conhecia uma explicação lógica, eram culpa dos deuses que, por esse meio, enviavam uma espécie de aviso, punição ou outra cena que na altura desse jeito. Hoje, para alguns imbecis das redes sociais, a explicação desta pandemia é mais ou menos a mesma. Com as devidas adaptações. Tratem-se, pá!

Autarquias amigas do contribuinte...ou não!

Kruzes Kanhoto, 14.03.20

IMG-20200307-WA0000.jpg

 

As autarquias são, na sua maioria, especialistas em expurgar-nos das contas bancárias os fundos que podíamos usar para melhorar a nossa qualidade de vida. Vendem-nos água a saber a detergente pelo preço de uísque escocês, cobram o IMI a pardieiros como se de palacetes se tratasse e abotoam-se com o IRS de quem ganha ordenados miseráveis com o fantástico argumento de que se pagam é porque são ricos. Um fartote.

Mas depois há aquelas onde o esbulho assume contornos parecidos com a vigarice. Em alguns concelhos parece que o IMI é tanto maior quando menor for o estado de conservação dos imóveis. Baseiam-se naquela teoria mirabolante que um imposto mais elevado obrigará os proprietários, esses patifes, a conservar o seu prédio. Mesmo sem entenderem que se o dinheiro vai para a Câmara já não chega para o gajo das tintas.

O inverso, lamentavelmente, não acontece. A possibilidade do munícipe pagar menos IMI quando a autarquia não conserva aquilo a que está obrigada, é coisa que aos divinos autarcas não ocorreu. Vá lá saber-se porquê. Ou, então, se calhar até sabemos.

Metam os estereótipos num sitio que eu cá sei...

Kruzes Kanhoto, 06.03.20

Nunca achei piada a anedotas de alentejanos e desde sempre fiz questão de o demonstrar. Falta de sentindo de humor, dizem. Ou de inteligência, garantem outros, porque segundo afiançam o homem inteligente é aquele que é capaz de rir de si próprio. Ou, parece-me licito concluir, das piadolas que lhe dirigem. Admito ser portador de todos esses defeitos. E mais uns quantos, até. Mas não me revejo nos estereótipos atribuídos em função da zona do país onde me orgulho de ter nascido.

Curioso é agora ver os que levavam a vida a postar nos seus espaços na Internet – blogues, Facebook e afins – graçolas sobre alentejanos e que em alguns casos se “ouriçaram” com as minhas reacções negativas às suas publicações, todos indignados com os dichotes que se vão lendo e ouvindo acerca de pretos, ciganos, brasileiros, paneleiros ou seja o que for. Até – vejam lá – já nem acham que quem não se ri das piadas de que é alvo é pouco inteligente. O burro de hoje, garantem, é o tipo que conta a anedota. Sempre tive a certeza disso, suas bestas.

Secou-se-lhes a saliva...

Kruzes Kanhoto, 05.03.20

Admito que, dadas as circunstâncias – nomeadamente as das ultimas semanas, tenho andado menos atento ao fenómeno desportivo. Deve ser por isso, ou por outra coisa qualquer que se me esteja a escapar, que me parece não existir por aí um grande entusiasmo com a operação “fora de jogo”. Aquela que anda a investigar uns quantos clubes e agentes ligados ao futebol. Pelo menos o nível de burburinho não tem comparação com aquele que ocorria quando, noutras ocasiões, as buscas se centravam unicamente ali na zona do Colombo.

Ocorreu-me, a este propósito, visitar meia-dúzia de perfis no Facebook e no Twitter de gente que com uma frequência doentia postava opiniões, frases feitas e idiotices diversas acerca de negócios manhosos do Benfica, enquanto simultaneamente se desfazia em elogios e se babava com as denuncias do pirata informático engaiolado. Devem ter levado sumiço, a maioria. Outros baixaram o tom para o nível pianinho. Vá lá saber-se porquê. Embora eu calcule que seja por causa da teoria que defenderam durante muito tempo segundo a qual o melhor ainda estava para vir. Vão ver está mesmo…

A virose que virou isto tudo

Kruzes Kanhoto, 03.03.20

Uma loucura, isto do Covid-19. Está a deixar os portugueses à beira de uma ataque de nervos, o maroto. Com razão ou sem ela, não sei ao certo. O certo é que desinfetantes e máscaras foi um ar que se lhes deu. Varreram-se de supermercados, farmácias e, pasme-se, ao que consta até as do hospital de Elvas terão levado sumiço. Embora, a fazer fé nos especialistas da especialidade, esses artefactos não façam bem nenhum nesta luta contra o chato do coronavírus em causa.

Cá por mim não comprei nada dessas coisas. E, esgotadas que estão, agora também já não posso comprar. A sorte é que ainda para ali devo ter uma bagaceira. Deve ser boa para isso da desinfeção. Com a inegável vantagem de desinfetar por dentro e por fora. Para substituir a máscara podia usar uns garrafões, como fazem os chineses. Mas não. Optei por deixar crescer os pêlos do nariz. Com sorte deve chegar.

Activismo fofinho

Kruzes Kanhoto, 02.03.20

Uns quantos activistas – um conceito muito em moda, que serve para tudo o que a intelectualidade bem pensante entende como valorizável – amarraram-se com correntes junto à Assembleia da República. Neste caso o seu activismo é pelos direitos dos animais. Defendem, entre outras coisas, que os animais não devem ser aprisionados. Vai daí acorrentaram-se. Bem esgalhado.

Tenho particular apreço por protestos em que a malta se barrica, acorrenta ou, simplesmente, se fecha em sítios. É porreiro. Não incomoda ninguém, não prejudica a vida aos demais e, sobretudo, diverte o pagode. Podiam era ter escolhido outro ponto ou objecto de amarração. A um deputado, por exemplo. Melhor. Uns acorrentavam-se à Isabel Moreira e outros ao Ferro Rodrigues. Teria sido uma diversão. Para todos.

Tempos modernos

Kruzes Kanhoto, 01.03.20

Cavalos e cães com aumento superior a policias”. Não sei onde está o escândalo, o espanto nem, sequer, o motivo para a indignação que a noticia pretende suscitar. É perfeitamente normal que assim seja.

Já no meu tempo de tropa, há mais ou menos uns duzentos anos, me diziam que “maçarico” - o recruta, para quem não sabe – estava cem pontos abaixo de policia. Que, por sua vez, estava outros cem abaixo de cão e este, garantiam, estaria mais uns cem abaixo de gente. Do cavalo não reza a história. Não tenho, por isso, termo de comparação. Mas, se calhar, estará ao nível das outras bestas que mandam nisto tudo.

Pág. 2/2