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Kruzes Kanhoto

Ainda que todos, eu não!

Kruzes Kanhoto

Ainda que todos, eu não!

"Cãofé"?! Não gosto.

Kruzes Kanhoto, 15.11.18

 

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Essa coisa da causa animal pode ser uma cena bué fixe, muito modernaça e mais aquilo que quiserem. Mas eu não gosto. E tenho o direito de não alinhar nessas parvoíces, de considerar uns perfeitos imbecis quem se dedica a isso e, ainda, de achar que muita dessa gente constitui um perigo para a sociedade.

Não sei onde nos irá levar esta mania de humanizar a bicharada. A bom sitio não será, certamente. Permitir a permanência de animais no interior de cafés e restaurantes é a tara mais recente. Como neste caso, em que mesmo tendo afixada na porta a proibição da sua entrada, uma pastelaria situada no centro de Vila Viçosa que tem no nome uma das cores do clube da fruta permite que este canito vagueie entre os clientes enquanto o pateta do dono beberrica o seu cafézinho. Um local a evitar, sem dúvida.

A integração dos refugiados é um sucesso!

Kruzes Kanhoto, 13.11.18

Consta que três famílias de refugiados acolhidas na região centro terão ficado sem água e luz. Por via das dividas, diz. O que não deixa de ser assaz estranho. E ridículo, simultaneamente. Num país de caloteiros, onde este tipo de serviços públicos apenas é pago pelos parvos e em que, mesmo após meses de sucessivo calote, ninguém faz nada para cobrar as dividas, não deixa de ser esquisito que estejam a implicar com estas criaturas.  

Não têm dinheiro, justificam. Nada de novo. É a desculpa mais usada por cá. Revela que o processo de integração foi concluído com assinalável sucesso. Assimilaram aquele conceito do dever acima de tudo. Ou aquilo de pagar e morrer serem as últimas coisas que se fazem na vida. E não necessariamente por esta ordem. 

Ca' marados!

Kruzes Kanhoto, 12.11.18

Nem seria preciso uma confissão pública. Já toda a gente sabia que o Bloco – ou Bloca, para usar o seu linguajar – pretende fazer parte de um futuro governo. Nada de mais, diga-se. Qualquer partido terá igual ambição. Até o PNR, que nem tem representação parlamentar, desejará o mesmo. Estranho é que, não sendo a esmagadora maioria dos portugueses absolutamente estúpidos, a quase certeza de, pela mão do partido socialista, esta hipótese se concretizar não cause alvoroço e um sentimento de indignação perante a perspetiva de ver um bando de gente – ainda mais - alucinada tomar o poder. Para já motivou o entusiasmo da generalidade dos meios de comunicação social. O que não admira. Tenho esperança que, tendo os média e a esmagadora maioria dos portugueses pouco em comum, essa desgraça nunca se concretize. 

Blasfémia, o novo crime. Só falta voltar a Inquisição.

Kruzes Kanhoto, 10.11.18

Aprecio e comungo das preocupações de muito boa gente quanto aos perigos que ameaçam os regimes democráticos. Compreendo, igualmente, o terror de muitas galdérias e outros tantos marmanjos perante a possibilidade da sociedade democrática, tal como a conhecemos, estar prestes a dar o peido mestre. Os poucos que gostam de se torturar a ler o que por aqui vou escrevendo sabem que – de há muitos anos a esta parte – esta questão faz parte do meu cardápio de preocupações. Mas, ao contrário dos maganos e maganas urbano depressivos e verborreicos da comunicação social, não me incomodam absolutamente nada as escolhas democráticas de outros povos. O que me aborrece são, por exemplo, as decisões limitadoras da liberdade de expressão que, paulatinamente, vão surgindo em solo europeu. Vergonhosamente silenciadas por aqueles que tinham obrigação de as denunciar, diga-se.

 

Numa decisão recente, o Tribunal Europeu dos Direitos do Homem considerou que “criticar maomé não é liberdade de expressão” e manteve assim a condenação de uma cidadã europeia que chamou pedófilo ao alegado profeta. Noutra decisão, a mesma instância judicial condenou uma sentença da justiça espanhola que mandou prender uns fulanos que queimaram uma fotografia do rei. Neste caso o Tribunal Europeu considerou que os pirómanos estavam a usar do seu direito à liberdade de expressão… Ou seja: Na democracia que as cabecinhas bem pensantes e os novos educadores do povo concebem como ideal, podem-se queimar retratos ou chamar todos os nomes aos governantes e políticos que eles não apreciam. Já fazer o mesmo relativamente ao amigo imaginário de alguns, constitui um crime hediondo.

 

O que relato não são fake news. Antes fosse. Este assunto é amplamente tratado por inúmeros sites espanhóis, entre os quais o laicismo.org. Pelo nome, suponho, deve ser credível o suficiente...

Merda de cão

Kruzes Kanhoto, 09.11.18

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Algum responsável do Município cá da terra teve a ideia de cobrir com gravilha o espaço onde todos os sábados se realiza a feira das velharias e diariamente, por se tratar de uma zona central da cidade, circulam umas centenas – ou milhares, não sei porque nunca os contei – de transeuntes. Uma solução fácil, barata e eficaz para acabar com a lama no inverno e a poeira no verão. 

Pois. A ideia é uma boa ideia. O pior é o resto. O que fazem dela. E os donos dos cães fizeram dali o espaço privilegiado para o passeio higiénico dos seus familiares de quatro patas. Depois do canito arrear o calhau, os javardos empurram meia dúzia pedrinhas para cima da bosta e vão andando. Outros nem isso. E aquilo para ali fica à espera que um incauto passante lhe ponha um calcante em cima. Bonito, sem dúvida. Ter a sala de visitas absolutamente nojenta é algo que fica sempre bem. Deve ser como os adoradores de bichos têm a deles. Mas isso de viverem na javardice e na promiscuidade com os animais é lá com eles. Não me interessa o que fazem em casa. Não lhes reconheço é o direito de partilharem a sua javardice com as pessoas normais.

Quem espera...consome.

Kruzes Kanhoto, 07.11.18

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Passar nove horas na sala de espera de um banco de urgência teria dado tempo mais do que suficiente para escrever posts que alimentariam o Kruzes durante um mês. Ou quase. Assim tivesse um daqueles telemóveis todos jeitosos como os que ostentam aquelas criaturas a quem os políticos - ou, nalguns casos, os respectivos sequazes - fazem questão de dar uma parte dos meus impostos. Embora isso, diga-se, até nem me pareça das piores acções dessa malta. Dar largas aos instintos caritativos, ainda que à minha custa, até não é das coisas mais condenáveis. Vem só logo a seguir.

Mas não. O meu telemóvel é daqueles ranhosos. Dos piorizinhos, acho eu. Sem capacidade de memória para um editor de texto minimamente utilizável e uma bateria que pouco mais aguenta do que um telefonema a encomendar uma pizza. Daí que não me tenha sido possível passar a escrito algumas estórias – que entretanto, na sua maioria, já se me varreram – envolvendo aquele microcosmos por onde se movimenta uma abundante e variada fauna.

Há quem garanta que tudo tem um propósito e nada acontece por acaso. Acredito. Mais. Sei, até, qual a razão de manter tanta gente, durante tantas horas, no local em questão. As máquinas de vending, pois claro. Ah, pois é...

O povo é fascista, pá!

Kruzes Kanhoto, 04.11.18

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As alegadas elites alegadamente bem pensantes e os média mainstream têm tido manifesta dificuldade em explicar – já nem digo aceitar, pois isso seria pedir demais aquela gente – as sucessivas vitórias eleitorais, nos mais variados pontos do planeta, dos candidatos e partidos que não se cansam de diabolizar. As eleições no Brasil foram, talvez pela proximidade sentimental, a gota de água. Estão completamente atarantados. À beira do desespero, diria. Tanto que desistiram das explicações e passaram às ameaças. Censurar as opiniões de quem não comunga das suas ideias parece-lhes agora o único caminho. Sim que isto, garantem, quem não é democrata não pode ter lugar num regime democrático. Não é que ache mal, mas, se as propostas destes malucos tiverem acolhimento, confesso que vou ter saudades das diatribes do Bloco de Esquerda e da loucura esclerosada do PCP.

Gente chata de lidar

Kruzes Kanhoto, 02.11.18

Para a desgraçada a quem por estes dias deram o lugar de ministra da cultura “a tauromaquia não é uma questão de gosto, é uma questão de civilização”.  Se fosse eu a dizer não vinha mal ao mundo. Mesmo que a frase tivesse sido proferida pela deputada que pinta as unhas durante as discussões parlamentares também não constituiria nada de por aí além, dado que toda a gente está habituada às ideias desconchavadas da criatura. Já com a ministra o caso assume outros contornos. A senhora – ou lá o que é - está a admitir que no país, numa área sob a sua tutela, se praticam actos pouco – ou nada, vá - civilizados. Ora, se assim é, cabe ao governo a que pertence acabar com eles. Ela que proponha isso. Ou cale-se. 

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