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Kruzes Kanhoto

Ainda que todos, eu não!

São insondáveis os desígnios da justiça...

por Kruzes Kanhoto, em 29.08.18

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Ainda não há muito tempo um conhecido dirigente desportivo, agastado com as diferenças de tratamento entre os processos que envolvem o seu clube e os que se referem aos rivais, insinuava que a justiça agia por clubite. Não sei se é assim ou não. O que a mim, homem de poucas letras, me parece é que não actua sempre da mesma maneira.

No caso de Alcochete, a dificuldade em identificar os invasores seria muito maior do que no ataque ao Continente de Estremoz. Basta que, no primeiro crime, os atacantes não moram a cem metros da Academia nem nenhuma autoridade lhes viu o focinho. No segundo serão outras condicionantes a evitar a detenção dos meliantes. Legais, obviamente. Mas de muito dificil compreensão para o cidadão comum.

No final do dia muita sorte terão os policias e os seguranças envolvidos senão levarem com alguma queixa-crime por discriminação, xenofobia ou danos morais. Sim, que o rapazinho que atirou a cadeira é capaz de ter ficado traumatizado por, a uma distância tão curta, ter falhado o bófia. Calculo o gozo que não vai lá pelo resort...

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Animalistas, os novos terroristas.

por Kruzes Kanhoto, em 27.08.18

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Esta mania de equiparar, no âmbito dos direitos, os animais às pessoas já ultrapassou há muito aquela fase do ridículo. Que provocava risota. Hoje é um tema que suscita preocupação. Muita, mesmo. Os maníacos autointitulados defensores da causa animal têm conseguido impor as suas ideias e, mais cedo do que tarde, os seus conceitos de vida tornar-se-ão obrigatórios para todos. 

Não é que me importe que os cavalos que puxam as charretes gozem de semana inglesa.  Ou que os cães que guardam os rebanhos trabalhem por turnos para evitar, coitados, um excesso de horas de trabalho. Igualmente não me aflige o fim das touradas. A isso o mercado se encarregará de colocar um ponto final. O que me aborrece de verdade é que tudo isto faz parte de uma estratégia perigosa e que, depois destas, outras causas virão. Algumas até já se perfilam. Como, por exemplo, reconhecer o animal como mais um elemento do agregado familiar para efeitos fiscais ou outros de natureza civil e social.  

Mas o objectivo – claramente já assumido por algumas destas organizações, diga-se - é eliminar a carne da alimentação humana. Será uma questão de tempo. Parece que a alternativa serão os insectos. A ideia está aí. A menos que antes disso se conclua que, afinal, uma melga também tem sentimentos.

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Para "pô-los a andar" é preciso "tê-los" no sitio...

por Kruzes Kanhoto, em 26.08.18

 

Um eleito de uma Assembleia Municipal – numa terra distante, lá para o norte – terá afirmado, referindo-se a um determinado grupo de cidadãos, que “a essa gentalha devia aplicar-se a política dos três pês: Porrada, prisão e pô-los a andar”. Ora, como seria de esperar, tais declarações deixaram aquela coisa do SOS Racismo à beira de um ataque de nervos. Com direito a comunicado condenatório e tudo.

Não subscrevo, obviamente, nenhuma daquelas posições. Nem, na totalidade, a do eleito nem a dos alegados socorristas. A destes porque tenho o defeito de apreciar a liberdade. De expressão, nomeadamente. A do gajo da Assembleia por achar que a porrada e a prisão não iam adiantar de muito aos indivíduos a quem o tipo se refere.

Gosto é daquela parte do “pô-los a andar”. Isso sim é que era uma grande ideia. Aplicado aos moradores do resort cá do sitio, que tem sido noticia nos últimos dias, seria a solução perfeita. Para todos. Principalmente para os ditos cujos. Uns para Espanha - já que são cidadãos espanhóis portadores de DNI e tudo – e outros conduzidos de regresso ao conforto das suas casas nos concelhos vizinhos, na periferia de Lisboa ou na lezíria ribatejana. Sempre serão melhores, julgo eu, do que a “barreca” do resort. Dos restantes, desconfio, deixaríamos de ter noticias…

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Fogo que arde sem se ver...

por Kruzes Kanhoto, em 22.08.18

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Ando com os pés em cima deste planeta há tempo mais do que suficiente para não me espantar nem um bocadinho com os alegados esquemas manhosos, denunciados numa reportagem televisiva, para colocar a mão na massa destinada a recuperar as habitações destruídas pelos incêndios do ano passado. É o derenrascanço. O dar a volta à situação. Ajudar as pessoas, coitadas. Nada de mais.

Naquilo que a peça jornalística nos deu a conhecer não sei o que me surpreende menos. Se a arrogância evidenciada pelos decisores, como se aquilo fosse tudo deles e não tivessem de prestar contas das suas decisões a ninguém, ou se o manifesto desprezo pelo dinheiro, público e privado, que para ali foi canalizado após os incêndios.

Admito que alguns possam ter ficado chocados com as denúncias hoje relatadas. Não fiquem. Nem se ralem muito. Com fogos, inundações, tragédias diversas ou até mesmo com o sol a brilhar acreditem que é só mais um dia no escritório.

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Solidariedade selectiva

por Kruzes Kanhoto, em 21.08.18

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Continuo à espera de condenações veementes à atitude dos habitantes daquela localidade brasileira que expulsaram os venezuelanos que fogem da miséria imposta pelo regime comunista.

Aguardo, também, que as agressões sofridas na Costa Rica pelos nicaraguenses que tentam escapar aos comunistas que ocupam o poder no seu país, sejam severamente repudiadas.

Até agora ainda nenhum dos habituais choramingas da causa dos alegados refugiados se manifestou. Devem estar todos de férias nos resorts dos destinos turísticos da moda. Ou, então, ainda estão a tentar perceber as razões que levam alguém a cometer o tresloucado acto de fugir de paraísos socialistas como a Venezuela e a Nicarágua.

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E que tal arranjar um Nenuco?

por Kruzes Kanhoto, em 19.08.18

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Não sei o que fazem hoje aos bichos mas desconfio que não é coisa boa. Algo parecido com maus tratos, de certeza. Sim, que isto não é da natureza de um cão estar nestas poses. Qualquer pessoa que ande cá pelo planeta há já umas quantas décadas e tenha convivido com animais para além das quatro paredes de um apartamento, sabe disso. Teria muita piada se eu, quando tinha cães, tentasse estar sentado calmamente numa esplanada com um dos meus “Benficas” ao colo. Devia ser uma coisa engraçada de se ver. Apesar de todos serem dóceis e obedientes jamais aguentariam estar assim mais do que um ou dois minutos. E estes só estão porque das duas uma. Ou estão drogados ou porque andam há anos a treiná-los para terem um comportamento que os afasta da sua condição de animais e os transforma em objectos para deleite humano.


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Empregos para todos. E todas. E todes, também.

por Kruzes Kanhoto, em 16.08.18

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Se há coisa que os municípios portugueses fazem bem, é dar emprego. Pagar ordenados, portanto. Não sei se há ou não estudos acerca do assunto mas, desconfio, devem ter sido as entidades que mais gente empregaram nos últimos anos. Tudo serve para justificar o recrutamento de mais pessoas. Muitas, ao que mostra o Diário da República. Por mais estapafúrdia que seja a justificação ou o lugar a criar. Nem isso importa muito. Basta que um manda-chuva qualquer – ou mesmo uma daquelas nulidades que costumam cirandar à sua volta - sonhe com isso durante a noite para, na manhã seguinte se não for ainda antes, o "tachinho já estar ao lume".

Não sabia – mas, lá está, ninguém me manda ser ignorante – que das atribuições das autarquias constava ensinar aos munícipes a arte de bem cavalgar a toda a sela. Mas parece que consta. Daí que um certo município tenha contratado funcionários para desenvolver a sua atividade na área da equitação. Uma grande ideia, essa. Ensinar a malta a montar. Ou a lidar com as cavalgaduras, não sei ao certo. Ainda assim será um assunto consensual lá na terrinha. Ninguém se terá espantado. Tanto quanto se sabe a oposição não mandou com os aparelhos ao ar e o presidente continua com os cascos a brilhar.

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Indignações, irritações e outras divagações

por Kruzes Kanhoto, em 14.08.18

Soube-se agora que a Google guarda os dados das pesquisas dos utilizadores, o que lhe permite ficar a conhecer a sua – nossa - localização. Coisa, obviamente, capaz de causar indignaçãozinha da boa. Percebe-se. Para se saber por onde andamos é que existe o Facebook. 

A possibilidade da madame Le Pen vir a discursar na Web Summit tem provocado também elevados níveis de irritabilidade. O SOS Racismo e outros conceituados democratas já se manifestaram deveras aborrecidos com esse eventual cenário. O ano passado tiveram de aturar o Bruno de Carvalho e este ano levam com a francesa. Só falta para o ano convidarem um comunista. É chato. 

Parece que o governo se propõe acolher trinta passageiros daquele barco que faz a carreira do norte de Africa para um porto europeu que lhe dê autorização de atracar. E porquê trinta? Diz que são as vagas deixadas pelos viajantes acolhidos anteriormente e que, entretanto, já bazaram rumo à Alemanha ou a outro país que lhes proporcione um bom rendimento sem necessidade de bulir uma palha. Boa sorte. 

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Esquecimentos que podem fazer a diferença...

por Kruzes Kanhoto, em 13.08.18

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Haverá, de certo, motivos para as pessoas se esquecerem dos mais variados objectos nos lugares mais improváveis. Cada um terá os seus. E quem nunca se esqueceu de nada que atire a primeira pedra. Salvo seja, claro. Que eu cá não sou gajo para fazer apelos à violência e muito menos à lapidação. Que é aquela medida drástica a que se recorre em certas culturas para punir a mulher adultera. 

Nem desconfio as circunstâncias que terão levado ao abandono destes despojos na via pública. Esquecimento? Rápida evacuação da área face a uma ameaça iminente? Pois que não sei. Mas lá alguém merecia uns tabefes, isso merecia. 

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Burlocracia

por Kruzes Kanhoto, em 12.08.18

Gosto de estar informado. É uma mania que me acompanha desde pequeno. Uma das minhas fontes é o Citius, aquele portal onde é feita a divulgação dos actos judiciais. Foi aí que, entre outras coisas igualmente sem importância nenhuma, fiquei a saber que um casal membro de um conhecido clã das redondezas estava a tratar da regulação do poder paternal. Olha, pensei para os meus fechos de correr, aí está um sinal da evolução desta espécie. Assuntos destes, noutros tempos, se existissem eram resolvidos à base de facada.

Dada a sua irrelevância e manifesto desinteresse, depressa esqueci a informação. Até ontem. Logo pela manhã deparei-me com a tal família. Pai, mãe e pirralhos, felizes da vida, todos no banco da frente de um furgão branco a assapar em direção ao mercado mais próximo. Foi então que se fez luz. A publicação da diligência terá, provavelmente, a ver com o esquema da moda para sacar dinheiro à segurança social. É que, mesmo para burlar, há uma série de tramitações que é necessário cumprir. Burocracias, digamos. Mas esta malta sabe-a toda. Até porque o Estado, além de lhes dar o dinheiro, também os ensina como fazer a burla.

Enquanto isso, não faltam alarves a vociferar contra a Cristas e o Parvus Coelho por terem cortado nos apoios sociais. Fazem bem. Continuem a divertir-nos com a vossa idiotice.

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E os refugiados da Venezuela?

por Kruzes Kanhoto, em 11.08.18

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Não gosto de discriminações. É uma coisa que me aborrece, isso de tratar as pessoas de forma desigual em função de critérios manhosos. Os refugiados, por exemplo. Não são todos tratados por igual nem merecem a mesma atenção. Quer dos média quer das organizações que, alegadamente, se dedicam a cuidar deles.  

Os muçulmanos são uma espécie de refugiados de elite. Os cristãos perseguidos pelo fascismo islâmico, não passam de um estorvo. Já os venezuelanos, que fogem aos magotes para os países vizinhos, são completamente ignorados. Percebe-se. Os primeiros são prioritários. Há que, quanto antes, substituir a população europeia e tratar da expansão do islão na Europa. Os segundos são um peso-morto. Nem o Papa quer saber deles. São algo que só serve para empatar os projectos em curso de tornar a Europa um califado islâmico. E dos últimos, dos venezuelanos, nem convém que se saiba da sua existência. Não seguem o profeta, não apreciam comunistas e são a prova evidente – se é que ainda é preciso provar alguma coisa – que socialismo, miséria, desgraça e perseguição são sinónimos. 

Na Venezuela haverá cerca de milhão e meio de portugueses e luso-descendentes. A passar um mau bocado, tal como a restante população, às mãos de um bando de comunistas malucos, passe o pleonasmo. Mas ninguém quer saber. Nem governo, nem ONG’s nem aqueles filantropos que volta e meia andam pelas tv’s a defender causas parvas querem saber. Deles e dos milhares de venezuelanos que todos os dias cruzam as fronteiras em direcção ao Brasil. Ninguém se mete ao caminho para os ir buscar. Má sorte – para eles - não rezarem de cú para o ar, é o que é. Se tivessem essa mania já cá estavam.

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E o povo, esse ingrato, não se juntou às celebrações...

por Kruzes Kanhoto, em 10.08.18

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Aquele camarada gordo com uma barbela digna de um porco capaz de faca e uma barriga proeminente característica de quem anda há muitos anos na política, que no politburo que nos governa tem a tarefa de falar de incêndios, foi ao Algarve celebrar não sei o quê. E não só. Foi, também, ameaçar. Parece que quem ousar discordar da maneira como a tragédia agora celebrada foi tratada, pode ser considerado criminoso. Nada de mais. Afinal é só mais um dia no escritório. Ameaçar quem deles discorda ou coloca em causa as suas convicções é o que esta gente melhor sabe fazer. Tirando, claro, tratar dos incêndios. Ainda que a única experiência que tenham com o lume seja acender a lareira no inverno e o barbecue no verão.

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Lixados

por Kruzes Kanhoto, em 10.08.18

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Vejo com demasiada regularidade cenários destes. Daí que não me causem surpresa. Apenas uma leve indignação. Ao nível da irritabilidade a coisa só piora quando recebo a factura da água e me dá para reparar nas linhas onde aparece a “continha” referente aos resíduos sólidos. É aí que o comportamento desta gente se reflecte. E no meu bolso, por consequência.

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Já podemos culpar o governo? Ah, espera, isso era se fosse o outro...

por Kruzes Kanhoto, em 09.08.18

Segundo as estatísticas terá havido uma mortandade fora do comum nos últimos dias. Deve ser altura de culparmos o Dr. Morte - também conhecido por ministro da saúde - e o seu governo que, a soldo de obscuros interesses privados, anda a destruir o serviço nacional de saúde. Bom, se calhar é melhor não. Isso era dantes. Agora a culpa deve ser da canícula. Ou das pessoas. Andam ao calor, debaixo de quarenta e tal graus, sem beber água nem ligar às sábias recomendações do governo e depois quinam, os inconscientes. Só para lixar as espectacularmente espectaculares performances governativas, de certeza. Até aposto que eram de direita. Sim, que essa gente é capaz de tudo.

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Nunca "teatro de operações" me pareceu uma expressão tão apropriada...

por Kruzes Kanhoto, em 08.08.18

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Não percebo nada de incêndios. Revelo enorme dificuldade em acender um grelhador ou uma lareira pelo que dificilmente daria um incendiário e, ao contrário de quase toda a gente, na minha meninice nunca manifestei a mais leve intenção de ser bombeiro. Daí que não me atreva a criticar a estratégia de combate ao fogo delineada por uma vasta panóplia de notáveis especialistas. Disso, reitero, não percebo nada.  

A estratégia adoptada para esta época parece ser a de retirar as populações e deixar arder. Será, acredito, tão boa como outra qualquer. Não causa desgaste aos equipamentos, não provoca vítimas e, assim, ninguém se aborrece. Excepto, claro, quem tudo perde por causa da dita estratégia. Quase tão boa como a daquele presidente americano que, para combater os incêndios, sugeriu que se abatessem as árvores. Disso ainda os génios lusos se não lembraram. Fica para a próxima. 

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Estremoz é neste planeta...

por Kruzes Kanhoto, em 06.08.18

Ainda nem há um mês foi noticia o facto de duas turistas norte-americanas que ficaram presas num elevador na capital portuguesa terem, após procurarem o número da policia de Lisboa escrevendo “Lisbon”, sido atendidas por uma agente do Departamento de Policia de Lisbon, no Maine, Estados Unidos da América. Apesar disso a agente que atendeu a chamada fez as diligências necessárias para levar uma equipa de emergência portuguesa até ao local. Difícil? Num mundo cada vez mais global não parece tarefa demasiado ciclópica.

Ora, ao que se diz e a ser verdade o que se conta, por cá não existirá igual destreza – ou outra coisa qualquer que se lhe queira chamar – nas instituições que deviam zelar pela nossa segurança. O que é manifestamente preocupante. Se numa situação de emergência quem atende um telefone não sabe onde fica determinado local, então, que vá procurar. No Google, por exemplo. Não dá assim tanto trabalho, não é necessário levantar o cú da cadeira e nem é assunto para o qual seja requerido um QI especialmente elevado. Só um pouco de profissionalismo, talvez.

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Posso andar vestido assim por aí?

por Kruzes Kanhoto, em 02.08.18

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De cada vez que um país ocidental decide proibir o uso em espaço público da burka – ou outra fatiota qualquer com a finalidade de encobrir as fuças das mulheres muçulmanas – reacende-se a discussão em torno da liberdade individual e, por consequência, do direito a cada um – ou uma, no caso – vestir o que lhe dê na real gana.

Os argumentos em defesa do direito às criaturas envergarem aquela vestimenta são hilariantes. Todos eles. O melhor é o daqueles que garantem que assim, com aquelas fatiotas tipo saco do lixo, as mulheres se sentem mais integradas. Pois, deve ser deve. Uma gaja – ou mesmo duas, vá – assim ornamentadas, no meio de dezenas ou centenas de outras vestidas normalmente, deve mesmo sentir-se integrada. Ó se deve.

Ainda bem que por cá, pelo menos para já, a questão não se coloca. Mas a acontecer durante o meu tempo de vida activa, se tal paramenta for permitida, garanto que vou usá-la no meu local de trabalho. Só para testar essa cena da integração, da tolerância e da liberdade. Sempre quero ver como reagem os defensores dessas coisas quando lhes aparecer pela frente armado em “Mancha Negra”!

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Jornalismo da treta

por Kruzes Kanhoto, em 01.08.18

Basta consultar os sites da imprensa internacional para se ficar a saber que, todos os dias, os mais variados objectos se atiram às pessoas. Ele é automóveis, facas, ácido, ovos e, não raras vezes, armas verdadeiras a quem dá para disparar contra alvos humanos, as danadas. Quase sempre sem motivações conhecidas e, dado que ainda nenhum desses itens se locomove sozinho, por norma manobrados por doidos varridos. 

Mas, como tudo na vida, há excepções. Devem ser aquelas que confirmam a regra. A agressão a uma jovem atleta italiana de origem africana - desta vez as televisões portuguesas deram largo destaque à lamentável ocorrência - constituirá uma delas. Das ocorrências excepcionadas. É que já se sabe tudo. Desde a motivação até às causas que a provocaram. O racismo e a retórica populista e anti-imigração dos novos governantes italianos de extrema-direita. Nem, certamente, outra coisa seria de esperar. 

Ainda bem que, desta vez, a merda de comunicação social que temos de aturar descobriu tudo num ápice. Pena que, noutras ocasiões a culpa nunca seja atribuída. Podiam, sei lá, culpar a prédica de sexta feira nas mesquitas. Ou, mesmo que ao de leve, a aversão que certa malta tem relativamente à civilização e costumes ocidentais. Mas não. Nos poucos relatos dos muitos atentados que vão ocorrendo pela Europa, o culpado é sempre um maluco qualquer. E, se lhes escapa que o gajo é muçulmano, vem logo a retórica que não representa os valores do islão, à mistura com propaganda diversa.  

Um pouco menos de hipocrisia, um niquinho mais de isenção e uma muito maior dose de honestidade intelectual não ficavam mesmo nada mal aos junta letras e pés de microfone lusitanos.

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