Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Kruzes Kanhoto

Ainda que todos, eu não!

Kruzes Kanhoto

Ainda que todos, eu não!

O mealheiro

Kruzes Kanhoto, 23.03.12


De certeza que não sou o gajo mais indicado para dar dicas depoupança aos que têm a paciência de me ler. Primeiro porque não me acho tãopoupado quanto isso. Apenas racional, quando muito, e mesmo assim tem dias. Emsegundo lugar porque não quero entrar em concorrência com a legião de blogues acercadeste tema que pululam por essa blogosfera fora e, finalmente, porque ninguémligava nenhuma à minha retórica.
Tenho, no entanto, uma regra de poupança que não de canso dedivulgar e de sugerir a todos os que se queixam – e aos outros também – de nãoconseguir poupar absolutamente nada. Há anos, ainda muito antes de se falar em crise, todas as moedas de um e dois eurosestrangeiras, apenas as estrangeiras, que me vêm parar à carteira vão direitinhaspara um mealheiro. E, como a imagem documenta, por este dias abriu-se alatinha. Sendo eu de gostos simples e pouco dado a extravagâncias, mesmo nãose tratando de uma quantia avultada, é coisa para não andar muito longe de pagar asférias. Até porque este ano vou querer tudo sem factura.

Não há comboios grátis

Kruzes Kanhoto, 22.03.12

O governo decidiu – e muitíssimo bem – parar definitivamente com oprojecto do TGV. Mesmo descontando o facto de isso do definitivo, em tudo navida e na política ainda mais, ser um conceito muito relativo foi uma dasraras notícias que gostei de ouvir nos últimos tempos. Para aqueles – não muitos,infelizmente - que sabem fazer contas é uma decisão sensata e que livra osportugueses de um volume de encargos que dificilmente suportaríamos.
Tenho manifesta dificuldade em perceber o raciocínio de certagente. Ou melhor, em entender qual é a espécie de bloqueio que lhes tolda amente quando ouvem falar em fundos comunitários. Embora compreenda que possahaver, naturalmente, quem não goste da ideia de ficar sem um comboio todojeitoso. Não sei se muitos se poucos. Nem isso me incomoda. O que me transtornaé que, pelo menos alguns deles, nos queiram fazer de parvos. Papaguear que opaís, por abandonar o projecto, vai perder mil e duzentos milhões de euros – a parteda obra que a União Europeia, alegadamente, financiaria – sem esclarecer quepara receber esse dinheiro teria de gastar muitos outros milhões que não tem é,no mínimo, próprio de um vigarista. Mal comparado, será como alguém oferecer ummilhão e duzentos mil euros a um sem-abrigo com a condição deste construir umacasa que lhe vai custar um milhão e quinhentos mil e chamar-lhe parvo se elenão aceitar.

Custe o que custar...

Kruzes Kanhoto, 21.03.12

Diz que a execução orçamental, nomeadamente do lado da receita,não está a correr lá muito bem. Nada que constitua motivo para admiração.Excepto, talvez, para uns quantos brilhantes académicos com vasto conhecimentoteórico acerca de matérias orçamentais mas profundos desconhecedores de comofuncionam as coisas no mundo real. Uns rapazolas, ansiosos por colocar emprática os ensinamentos adquiridos nos bancos da faculdade que chegaram aoscorredores do poder vindos directamente da jota. Seja ela laranja, agora, ourosa antes. Gente que, como dizia o outro, sabe lá o que é a vida. Por mais quenos gabinetes, nos jornais ou nas televisões, se esforce por aparentar ocontrário.
Interessa, porém, não esquecer que os resultados divulgados estãoser comparados com o período homólogo de 2011. Que foi, como toda a gentecertamente se recordará, marcado por uma execução orçamental espectacular. Istona opinião dos que faziam campanhas negras porque, na realidade, foi para lá desublime. Tanto que deu naquilo que se sabe. E que se sente, também.
Obviamente que a coisa ainda vai ficar pior. Muito pior. Nem vaiser preciso chegar ao final do ano para perceber isso. Quando forem divulgadosos resultados de Julho perceber-se-á o tamanho da tragédia em que nos metemos. Edepois vai ter de acontecer um milagre. Assim tipo tirar mais um mês deordenado a uns quantos, lançar uma sobretaxa qualquer, inventar mais um impostoou, talvez, tudo em simultâneo. Por mim legalizava já a prostituição e a droga.Sujeitas, naturalmente, a IVA à taxa máxima e os rendimentos obtidos tributadosem IRS. Pelo sim pelo não. Mas isso sou eu que tenho pouco cabelo.

Eu que não sou de intrigas...

Kruzes Kanhoto, 20.03.12

Após ter recebido a resposta à carta que enviou aos trezentos eoito presidentes de Câmara, onde solicitava que lhe fosse transmitidainformação acerca da divida de cada município, o ministro Relvas concluiu queas autarquias portuguesas devem cerca de doze mil milhões de euros. O que, faceaos números supostamente conhecidos até agora, o terá deixado surpreendido.
Não será coisa para tanto. Em termos de espanto, claro. Por mim,que não acredito em bruxas mas que desconfio de bruxedos, foi a expectativa deum resgate anunciado – leia-se entrada de dinheiro fresco nos cofres autárquicos– que terá feito sair de uma qualquer gaveta algumas facturas que antes davajeito lá estarem.

Vão limpar Portugal

Kruzes Kanhoto, 19.03.12

A iniciativa “Vamos limpar Portugal” está de volta. Aquela em queuma quantidade de gente se junta para alegremente recolher o lixo que unsquantos javardolas abandonam nos locais mais inapropriados. Nada de confusõescom a limpeza que uma certa maralha anda, já lá vão uns séculos, a fazer aopaís. Com uma eficiência notável, diga-se. Mas, escrevinhava eu, o pessoal bem-intencionadoque faz agora dois anos andou a recolher o lixo, que outros deliberadamenteespalharam, está de volta e tenciona recolher mais umas toneladas de resíduos detoda a espécie.
Trata-se, como é fácil constatar de um trabalho inglório. Admitoque os muitos voluntários que no próximo sábado se vão dedicar a estaactividade o façam imbuídos de um invulgar espírito de cidadania. Incontáveis furosacima do meu, concedo facilmente. Ou, hipótese não negligenciável, não tem nadade mais interessante para fazer. Nem menos, talvez. Trata-se, em qualquer doscasos, de trabalhar para aquecer. Basta atentar como ficaram, pouco tempodepois, os espaços que foram limpos na anterior edição desta iniciativa.
Criaturas que deviam ter vivido no tempo em que o homem ainda habitavaem cavernas e que, com o seu negligente estilo de vida, provocam autênticaslixeiras como a que a imagem documenta e que pode ser observada junto àsmuralhas da cidade, não merecem que outros sujem as mãos por eles. A menos quea ideia passe por proporcionar aos que sujaram agradáveis momentos de diversão.Ver uns quantos papalvos recolher o lixo que eles espalharam deve ser, cálculo,motivo de divertimento.
O mesmo cenário desolador, no que diz respeito à profusão da maisvariada porcaria,  pode ser encontradonoutros locais. Como as Quintinhas, por exemplo. Embora aí a limpeza, ainda quede outro género, apresente elevados índices de eficácia. Veja-se a vedaçãometálica do terreno contíguo. Foi limpa num ápice…