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Kruzes Kanhoto

Ainda que todos, eu não!

Bichinho do betão

por Kruzes Kanhoto, em 06.10.11
Alberto João Jardim já terá protagonizadoinúmeros momentos patéticos ao longo da sua extensíssima vida política. O dehoje, que os diversos canais nacionais acabam de nos proporcionar, aproxima-sedo surreal. Por momentos pensei que se tratariam de imagens de arquivo, de umaqualquer manifestação dos tempos do PREC, em que uns quantos malucos berravam“abaixo o fascismo” a propósito de coisa nenhuma, como era hábito naquelestempos. Mas não. Foi mesmo hoje. E, pelo menos até agora, ainda não há notíciasde ter havido internamentos. O que apenas pode ser justificado pelos cortes queestão a ser feitos no sector da saúde.
O homem não se cansa de inaugurar obras ridículas,que ainda não pagou e que nem faz a mínima ideia como ou quando irá pagar.Coisa que, no nosso país e para o povo que o habita, não é grave nemcensurável. Apesar da manifesta falta de cumprimento para com quem executa assuas ideias extravagantes – chamemos-lhes, simpaticamente, assim – a criaturainsurge-se contra aqueles que, suprema heresia, têm a distintíssima lata dereclamar o pagamento pelo trabalho que efectuaram. Pior. Segundo AJJ, apesar denão receberem o que lhes é devido, têm o desplante de andar a viver acima dassuas possibilidades. Uns fascistas, portanto.
Confesso que, perante tão eloquente conclusão dolíder madeirense, toldou-se-me o raciocínio e, desde então, a minha actividadecerebral encontra-se meio bloqueada. Este novo conceito de fascista e a teseacerca de quem tem vivido para além das suas posses, são tão inovadores queestou a revelar dificuldades pouco habituais em os assimilar. Mas, se bempercebo, a vingar esta teoria, pode-se afirmar com toda a segurança e semqualquer receio de errar que o país está cheio de fachos que, para além deficarem a arder com os calotes, andam a fazer vida de rico à custa dos que nãolhes pagam as dívidas.
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Bichinho do betão

por Kruzes Kanhoto, em 06.10.11
Bichinho do betão
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Simulador de irs de 2011 a pagar em 2012

por Kruzes Kanhoto, em 05.10.11
Embora a maior parte dos portugueses não tenha -ainda - dado conta, este foi um ano em que o IRS teve um aumento colossal. Semoutras palavras pelo meio que possam levar a concluir que estou a exagerar. Como aproximar do final do ano é altura de fazer contas à vida, pelo menos para osincautos que ainda não as fizeram, e tentar minimizar os estragos. Para oefeito sugiro o simulador de IRS sobre os rendimentos obtidos em 2011 a pagarem 2012, disponibilizado aqui. Está situado sensivelmente a meio da página,basta descarregar o ficheiro zipado, descompactar, abrir a folha de cálculo einserir os dados correspondentes aos rendimentos e despesas – não esquecendo oesbulho do subsídio de natal - para ficar a saber com o que pode contar.
O ficheiro é fiável, não instala nada nem contém vírus.Fica, no entanto e desde já, o aviso. Não me responsabilizo pelos danos que oresultado da simulação eventualmente possa causar ao bem-estar físico ouemocional dos que se atreverem a usar o simulador. Estão por vossa conta. Boasorte.
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Simulador de irs de 2011 a pagar em 2012

por Kruzes Kanhoto, em 05.10.11
Simulador de irs de 2011 a pagar em 2012
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A velha, o burlão e o burro

por Kruzes Kanhoto, em 04.10.11
De que o mundo mudou já alguns – por enquantoainda não muitos – se deram conta. A mudança foi para pior e, talvez por isso,a maioria se recuse a encarar a realidade. Não é o caso de uns quantos burlõesque abandonaram as arcaicas formas de enganar o próximo. Fraudes com casas,automóveis ou notas de euro pertencem já ao passado. Agora os tempos são outrose há, portanto, que optar por inovadoras e mais adequadas maneiras de ludibriaros mais incautos. Daí que dois arrojados e perspicazes mariolas tenham optadopelo burro como objecto privilegiado para o exercício da arte de burlar. Apesardo espírito de iniciativa demonstrado, falharam redondamente na escolha davítima. Uma velhota que, para azar dos meliantes, é entendida em jericos edotada de sólidos conhecidos no que se refere à avaliação da espécie em causa.Foi por isso que não conseguiram extorquir mais do que uns míseros quinhentoseuros pelo asno quando, segundo a imprensa que revela o caso, pretendiam sacardois mil. Um roubo, terá pensado a idosa. Que, mais teimosa que o quadrúpede, serecusou, para desespero dos malandrins, a adiantar mais um euro que fosse. Talvez, entre os burlões, surja um novo ditado. Assim qualquer coisa como "um olho no burro e outro na velha".
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A velha, o burlão e o burro

por Kruzes Kanhoto, em 04.10.11
A velha, o burlão e o burro
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Ladroagem

por Kruzes Kanhoto, em 02.10.11

Ontem, pela tardinha, desloquei-me a um terreno agrícola– uma courela, vá – propriedade da família, com a intenção de apanhar os frutosda época que as árvores por lá existentes vão insistindo em produzir. Adeambular pelo local encontrei um indivíduo todo vestido de preto, barbudo, dechapéu igualmente preto enfiado pela cabeça, acompanhado da sua prole e dois outrês cães que, provavelmente, fariam igualmente parte do agregado familiar. Questionadoacerca dos motivos da sua presença numa propriedade privada, isolada e completamentefora de qualquer rota, justificou-se com uma alegada caçada aos ouriços. Ou, nasua linguagem, “aiiiii….andemos aos ouriçuuussss”. Bichos que, diga-se, nuncavi por ali. Deve ser porque os gajos os caçam todos.
De referir que não foi necessária grande insistênciapara que o cavalheiro e seus acompanhantes, de duas e quatro patas, se pusessemao fresco. Tal como não foi preciso muito tempo para constatar que frutos eramcoisa que já não existia nas árvores. Não sei se deva relacionar a visita – estaou outras que notoriamente ocorreram antes – com a ausência das nozes, marmelosou romãs que esperava colher. Se calhar será abusivo da minha parte sugerir quegente vestida de preto, barbuda e de chapéu me anda a assaltar a propriedade. Atéporque nem todos os ladrões estão de luto.  É bem capaz de outros, que se vestem de coresmais garridas e se deslocam em furgões brancos, também irem lá de vez em quandodar uma mãozinha. Pena que não lhe dê para cortar as silvas que, muito mais doque os frutos, vão crescendo a um ritmo alucinante.
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Ladroagem

por Kruzes Kanhoto, em 02.10.11
Ladroagem
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Touradas

por Kruzes Kanhoto, em 01.10.11
Mesmo levando em consideração a clara afronta políticaao estado espanhol que envolve a decisão do governo da Catalunha de proibir astouradas na região, tudo indica que, mais ano ou menos ano, este tipo de tomadade posição vai generalizar-se e a proibição daquele tipo de espectáculoestender-se-á a todo o mundo civilizado.* Gostemos ou não, discorde-se ouaplauda-se, o futuro será assim. Todas as coisas tem o seu tempo e o dastouradas parece estar a chegar ao fim. É a vida, como dizia o outro.
Por mim, devo dizer, acho mal. Não souapreciador do espectáculo, não se me afigura que constitua uma tradição imprescindívelde manter e, caso acabasse, não me parece que viesse grande mal ao mundo.Desagrada-me, no entanto, que o seu fim seja anunciado por decreto, motivandodesta forma o despertar de ódios e paixões absolutamente desnecessários. Maisainda me aborrece por o terminar desta actividade acontecer por força de uminsuportável politicamente correcto. Quando acabar que seja por mais ninguémligar àquilo, por não ter mercado, não ser rentável e jamais por causa deargumentos absolutamente badalhocos de uns quantos alegados defensores dosanimais. De resto tem sido esta malta que, nomeadamente em Portugal, com assuas iniciativas patéticas, mais terá contribuído para evitar um ainda maisacentuado declínio da chamada festa brava.

*O termo civilizado não envolve qualquer críticapejorativa aos amantes das touradas. Até porque elas não existem no mundo que usualmentenão consideramos como civilizado. Aí não precisam de torturar touros porque,para o efeito de tortura, podem usar pessoas.
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Touradas

por Kruzes Kanhoto, em 01.10.11
Touradas
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