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Kruzes Kanhoto

Ainda que todos, eu não!

Kruzes Kanhoto

Ainda que todos, eu não!

Não será altura de começar a cortar os pintelhos?

Kruzes Kanhoto, 22.10.11
Os subsídios de alojamento que alguns políticos auferempelo facto de estarem deslocados da sua residência habitual poderão não passarde pintelhos. Mesmo quando vivem num alojamento perto do local de "trabalho" e que é igualmente seu. Também ossubsídios de deslocação que vereadores ou membros das Assembleias Municipaisauferem, quando se deslocam às reuniões dos respectivos órgãos, não terãogrande expressão orçamental nem motivarão especial inquietação. Ainda quesejam, por exemplo, pessoas que estudam ou trabalham em Lisboa e que, com ousem reunião, sempre se deslocariam a casa.   
Não está em causa a legalidade da marosca. Quemfaz as leis não é parvo e, obviamente, não deixou espaço para que a questão daeventual ilegalidade fosse suscitada. Mas lá que é imoral disso parecem nãosobejar dúvidas. Até porque o mesmo principio não se aplica à generalidade doscidadãos ou das profissões. É o que dá, nas restantes actividades, não serem ospróprios a fazer as leis pelas quais se vão reger.

Para o ano não esquecer de pedir factura

Kruzes Kanhoto, 22.10.11
Se eu tivesse um pequeno comércio – ou mesmo quefosse apenas empregado de uma lojeca – numa pequena vila ou cidade de oito mil habitantes,não me regozijava com o facto de oitenta por cento dos meus potenciais clientesperderem uma parte significativa do seu poder de compra. A menos que estejafarto do negócio ou coloque a hipótese de emigrar.

Antenas mal orientadas

Kruzes Kanhoto, 20.10.11
Apesar do ecoponto estar mesmo ali ao lado – dez metros,se tanto – constituiu para o munícipe que resolveu mudar de antena umadistância demasiado grande para o seu espírito cívico. Estaria, provavelmente,com pressa de testar a qualidade do som, a nitidez da imagem ou de dar umaúltima olhadela na sintonia dos canais.
É verdade que este local não prima pela limpeza.Nem, sequer, as condições circundantes são propícias a que a zona apresente umaspecto minimamente asseado. Mas a verdade é que podia – e devia – estar bastantemelhor. Pena que os moradores, uns mais que outros, diga-se, pouco contribuampara isso. Lamentável é que depois estas coisas nos saiam a todos do bolso.

Está tudo a arder, mas eles não sabem.

Kruzes Kanhoto, 19.10.11
A julgar pelas reacções que se lêem nas caixas decomentários dos jornais on-line, blogues ou mesmo as que se vão ouvindo ao vivoe a cores, os portugueses ficaram bastante agradados com a proposta deorçamento para o próximo ano. Principalmente porque malha nos funcionáriospúblicos e isso, como se sabe, cai sempre bem na opinião pública. Melhor apenasse despedissem aos milhares deles. Nesse caso talvez lhes arranjassem “por lá”um lugarzinho. O pior é que não vai ser assim. Ainda que muitos saiam da funçãopública, não vai haver lugares para ninguém. Mesmo que peçam muito, muito,muito. Que é como quem diz, metam cunhas. Muitas cunhas. Está tudo no tal presupuestode que gostam tanto.
Apesar de nunca, nem em pequenino, ter ambicionadoser bombeiro, tenho por hábito colocar as minhas barbas de molho mal meapercebo que as do vizinho começam a ficar chamuscadas. Não me tenho dado malcom este princípio de vida e faz-me alguma confusão que outros – a maioria,como infelizmente a realidade parece demonstrar – continuem em festa quando acasa do lado está em chamas e o fogo há muito esturricou as barbas do dono. Enesta ocasião, como em muitas outras que aí virão, ninguém está a salvo.Espere-lhe pela pancada. Ou melhor, pela labareda.

Fez-se luz

Kruzes Kanhoto, 18.10.11
Sinto-me envergonhado. Embora, simultaneamente,satisfeito por estar errado. Afinal, tudo o que aqui tenho andado a papaguearcontra as medidas anti-crise que têm vindo a ser tomadas nos últimos anos, nãopassam de alarvidades desprovidas de qualquer sentido. Uma vergonha, portanto. Aocontrário daquilo que tenho escrito, este, fez-se finalmente luz na minhamente, é o único caminho possível para evitar a recessão, melhorar o desempenhoda economia e promover o emprego. Só mesmo um cego é que não vê ou um burro éque não percebe. Dificilmente me perdoarei por ter demorado tanto tempo aabandonar a classe dos asnos ceguetas e a reconhecer a genialidade de gente queapenas quer o nosso bem. Pinócrates e Parvus Coelho, nomeadamente.
O plano será, basicamente, o seguinte. Com menosdinheiro os consumidores deixarão de comprar desenfreadamente, como fazemagora, nas grandes superfícies e vão passar a fazê-lo nas lojas de bairro. Istoporque nas primeiras não saem de lá – pelo menos a maioria – sem pagar,enquanto nas segundas, mesmo sem dinheiro, podem adquirir fiado os bens de quenecessitam. As pequenas mercearias multiplicar-se-ão e o emprego também.
Assistiremos igualmente à revitalização denegócios na área da reparação automóvel, dado que estes terão de durar muitomais tempo já que trocar de carro será coisa reservada apenas aos privilegiados,e vai generalizar-se o regresso de pequenos negócios como sapateiro, costureira,tricotadeira e muitíssimos outros que se julgavam definitivamente extintos.
Ou isso ou passar a comprar ainda mais coisas naslojas dos chineses.