Acho piada aos que criticam quem, residindo pertoda fronteira, opta por fazer a maioria das suas compras em Espanha. A sério. A crítica,que normalmente envolve falta de patriotismo e outros epítetos verdadeiramenteofensivos, vem, maioritariamente, de quem vive mais perto do litoral e onde,por consequência, a despesa a suportar com a deslocação não seria compensadapor eventuais ganhos nas compras a preços menos elevados. Provavelmente muitosdos que censuram tem por hábito fazer férias no estrangeiro. Mas isso, secalhar, não é anti-patriótico. Talvez seja apenas uma espécie de novo-riquismo pedante.
Não hádinheiro. Dizem eles. Não há dinheiro para a vida que queremos fazer, digo eu.Um princípio que gostaria de ver aplicado à vida pública – e já agora àprivada, também, mas aí depende da honestidade de cada um – é que não se faz,nem compra nada, para além do estritamente essencial, sem que tudo o quecomprámos, fizemos ou manda-mos fazer anteriormente, esteja pago. Continuar afazê-lo, sem antes liquidar as contas antigas ou não pagar ordenados, mesmo quesejam os chamados subsídios de férias e natal, é próprio de um qualquercaloteiro ou vigarista.
Alguém que me explique – de preferência muitodevagarinho e com alguns desenhos à mistura, a ver se eu percebo – porque razãoé que, segundo PC, o corte do subsidiode natal e de férias dos trabalhadores do sector privado prejudicaria aeconomia e o mesmo corte aplicado aos funcionários públicos é benéfico para amesma. Então se as empresas não pagassem, não ficariam com mais dinheiro disponívelpara investir e criar novos empregos? Não seria uma ajuda, ainda que pequena, écerto, para a tão prometida desvalorização fiscal, em que se inseria a reduçãoda taxa social única e que se pretende obter com o acréscimo de meia hora detrabalho? E, finalmente, como é que o corte de metade do subsídio de nataldeste ano ajuda no défice e a totalidade no próximo não ajudaria nada?! Dasduas, uma: Ou Parvus Coelho anda baralhado ou quer-nos baralhar a nós…
Estou a contorcer-me de riso e já me começam adoer a barriga e os queixos de tanto rir. O motivo para esta incontrolávelrisota são as declarações, que acabo de ouvir, proferidas pelo primeiro-ministrodurante um encontro de autarcas social-democratas, em que o homem agradeceu oesforço dos eleitos locais na disciplina financeira que estes estão a implementarnas autarquias. Enalteceu mesmo a sua actuação, salientando inclusivamente quecomeçaram a tomar medidas nesse sentido ainda antes do Estado central o fazer.Um exemplo a seguir, considerou.
Não sei se PC falava a sério ou não. Se era a sérioo melhor que tem a fazer, antes que a coisa se agrave, é falar já com oministro da saúde e tentar arranjar uma consulta com a máxima urgência. Se erauma piada que tinha por objectivo fazer-nos rir, então, está de parabéns. Conseguiu.Eu é que ainda não consegui parar de rir.
Eu sabia. Ou, pelo menos, desconfiava. Aexistência de um lobbie era mesmo dada como adquirida por quase toda a gente.Menos, claro está, pela entidade reguladora que, coitada, ao contrário do que onome sugere, não regula lá muito bem. Foi preciso vir outra entidade, desta vezda Europa e a regular ligeiramente melhor, para concluir aquilo que quase todossuspeitámos: Que andava por aí um alegado lobbie. Podemos, portanto, dormir muitomais descansados de agora em diante. Enquanto consumidores estaremos muito maisprotegidos. O lobbie foi descoberto, aniquilado e colocado um ponto final nassuas tenebrosas práticas pouco concorrenciais. Graças à autoridade que regulaligeiramente melhor do que a outra que não regula nada de jeito, o mercado dabanana vai passar funcionar como deve ser.
Mesmo não tendo ficado abismado – é um bom termo,dadas as circunstâncias – com o discurso do primeiro-ministro, há certasquestões que me suscitam alguma perplexidade. Nomeadamente a afirmação de que,a curto prazo e se nada for feito, o país não terá dinheiro para pagar saláriose pensões. Sinceramente não sei se acredite. É que, a ser verdade, deviam tersido anunciadas medidas sancionatórias – pena de prisão, por exemplo – para quemanda a gastar em futilidades o dinheiro que não chega para o essencial.
Apesar do dramatismo da situação, o homemlimitou-se a anunciar cortes no rendimento dos portugueses. Podia, entre outrascoisas, proibir a realização de iluminações e das festas de natal que, de nortea sul, vão em breve custar muitos milhões aos cofres públicos. Ou em lugar decortar os subsídios de férias e de natal, apenas para os funcionários públicos,transformar o mesmo valor em imposto para toda a gente. Era coisa para resolvero problema das finanças mais depressa.
Finalmente o IVA do vinho. Baralha-me esta protecçãoescandalosa de que é alvo. e nem a justificação manhosa de que é para proteger aprodução nacional me comove. Por mim – e já que terei de fazer cortes - vou precisamentecortar no vinho. E não, não lhe vou misturar água.
Apesar de, por esta altura do ano, ainda serproibido fazer fogueiras, no resort das Quintinhas essa proibição éliminarmente ignorada e, quase todos os dias, é possível assistir a estecenário de nuvens de fumo negro a elevar-se nos céus da cidade. Nem desconfiose as autoridades competentes intervêm ou não quando detectam este tipo de ocorrência.Competentes é uma forma de dizer, porque, face à repetição dos fogaréus,competência é coisa que não revelam ter. Ou não lhes assiste, como diria ooutro. O mais provável é que lhes assista o que ao outro não assistia.
Não parece difícil de adivinhar o motivo daestranha tendência para o deflagrar de focos de incêndio naquele local. Qualquerparvo o sabe. Incluindo aqueles que tem responsabilidades nestas coisas. Deresto é para isso que, apesar de mal, são pagos. Não se percebe, por isso, arazão de não levantarem – todos - as peidas dos assentos e fazerem o trabalho quelhes compete.
Não tenho grandes dúvidas que, se por algumacaso, eu fosse queimar os restos da limpeza do terreno da família – ainda queperdido no meio de nenhures – me apareciam por lá uns valentes e heróicoszeladores da lei que não me perdoariam uma valente coima. Isto apesar de omaterial a queimar não incluir nenhuma espécie de metal. Ou, se calhar, porisso mesmo.
Abro hoje uma excepção a tudo o que tenho ditoe escrito relativamente à merda de cão que se pode encontrar nos nossospasseios. Desta vez quero enaltecer a pontaria do canito – ou a perspicácia dodono, não interessa – na escolha do local onde foi deixar o presente. Nada maisnada menos que à porta do presidente da Junta de Freguesia. O que, pelas razõesóbvias que abordei no post de ontem, constitui a melhor localização para acanzoada aliviar a tripa.
A notoriedade desteblogue – a má fama, vá – deve-se, quase em exclusivo, à merda de cão. Sãoincontáveis os posts que dediquei ao assunto. Ainda assim muito menos do que oscagalhões que se podem encontrar diariamente pelos passeios de qualquer cidade.De nada, obviamente, tem servido. Os tugas javardolas não lêem blogues –preferem, por razões óbvias, o facebook – e mesmo que lessem estar-se-iam nastintas. Acham que o seu cão, se come com eles à mesa e dorme com eles na cama,terá também todo o direito a cagar onde muito bem lhe apetece.
Bem podem,portanto, as autoridades locais apelar ao civismo dos cidadãos. Não adianta. Ouos fazem sentir em termos pecuniários que são responsáveis por esta situação degradantee que coloca em causa a higiene e saúde pública ou, então, mais vale estaremsossegados e não gastarem tempo, papel e dinheiro. Porque, como dizia o outro,lavar a cabeça a burros é gastadouro de sabão. Parece evidente que a únicasensibilização que produz efeito no tuga é a que atinge a sua algibeira. Nestecontexto não se percebe muito bem a atitude passiva de quem de direitorelativamente a esta matéria. Ou melhor, até entende. Mas, como já escrevi noutraocasião, é bom que percebam que quem não gosta de ver as cidades, vilas ealdeias repletas de merda de cão também vota.
Se a repressão através da coima não será o meiomais apropriado, até porque seria quase impossível aplicá-lo, já um forteincremento no valor das taxas de licenciamento de canídeos e um eficaz controlo– esse muito fácil de realizar – dos animais registados, contribuiria paraminorar o problema. Primeiro porque diminuiria o número de cães e, segundo,contribuiria para um aumento de recursos financeiros que as entidades responsáveispodiam alocar à limpeza dos espaços urbanos. Mas isso, se calhar, é pedirdemais. Envolve essa coisa, chata e aborrecida, a que chamam trabalho.
A receita mágica da esmagadora maioria doseconomistas para combater o défice das contas públicas tem sido, desde há umror de anos, o corte de salários e daquilo a que chamam regalias dosfuncionários públicos. Os sucessivos governos têm seguido essa linha, atéporque é simpática para a generalidade da opinião pública, e os resultados sãoos que estão à vista. Que, diga-se, em pouco diferem daquilo que há mais deseis anos – desde que existe o Kruzes – não me tenho cansado de prever. E que,aliás, não revela qualquer espécie de genialidade da minha parte. Apenas ostolos – e os apaniguados de serviço ao regime, o que é quase a mesma coisa –não percebem que o caminho seguido nos conduzirá a uma tragédia de proporçõesépicas.
Tal como muitos outros, aufiro hoje, em termos líquidos,um rendimento mensal bastante inferior àquele de que dispunha em 2002. É aconsequência do congelamento salarial, aumento de impostos e diminuição ousupressão de prestações sociais. Ainda assim não consta que o défice do Estadoe a divida pública tenham baixado. Nem sequer em valor igual aos escassíssimos milharesde euros que deixei de receber. Antes pelo contrário. Significa, portanto, queo Estado gastou o meu dinheiro mal gasto. É, para além de ladrão, incompetente.Tanto como aqueles que defendem que esta politica é indispensável. Embora estesúltimos sejam também parvos.
Nota - Imagem de autor desconhecido retidada da internet