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Kruzes Kanhoto

Ainda que todos, eu não!

Kruzes Kanhoto

Ainda que todos, eu não!

O frio como oportunidade de negócio

Kruzes Kanhoto, 03.04.11
As causas fracturantes, tão do agrado de uma certa esquerda, começam a escassear. Em França, terra de onde – como se sabe – vêm os bebés, na falta de melhor os ambientalistas resolveram declarar guerra às esplanadas de inverno. Daquelas que são fechadas com material plástico e aquecidas com aquecedores a gás. Ora, sob o pretexto da necessidade de reduzir o consumo de energias fósseis e de um alegado mau aspecto que o plástico dá à cidade, a Assembleia Municipal de Paris decidiu proibir a existência destes espaços, naquelas condições, na capital francesa. Para os que insistirem, mesmo assim, em pleno inverno abancar numa esplanada, os defensores da ideia sugeriram que fossem distribuídos cobertores. Proposta que, vá lá que alguém teve bom senso, não foi aprovada. 
Se a visão de uma esplanada repleta de gente embrulhada em mantas não agrada, o mesmo não diria se, em vez disso, se tratassem de agasalhos típicos da região. Por exemplo ia achar genial se nestas duas esplanadas cá da cidade, durante os meses mais frios, fossem cedidos capotes alentejanos aos seus frequentadores. Para além do conforto dos clientes seria uma forma interessante de promover um produto regional e, quem sabe, por esta via recuperar a produção desta vestimenta outrora tão em moda.

Estacionamento tuga

Kruzes Kanhoto, 02.04.11




Não fazemos por mal. Somos mesmo assim. Despreocupados. Irresponsáveis, às vezes. Não queremos saber, nem nos importamos com as consequências. Principalmente se estas não nos afectarem. Daí que estacionemos como muito bem nos dá na realíssima gana e os outros que se lixem. Somos tugas e nada mudará isso.

Noticias da religião da paz e da tolerância.

Kruzes Kanhoto, 01.04.11
O pastor evangélico maluco que em tempos ameaçou queimar um exemplar do corão, concretizou esta segunda feira a ameaça e pegou fogo ao livro sagrado da mourama. Apesar de me considerar relativamente bem informado e um observador particularmente atento a este tipo de coisas, não dei conta de nada. Devo ter andado distraído com a crise. 
O mesmo não se aconteceu com os ainda mais atentos e muito melhor informados habitantes de diversos países islâmicos. As noticias correm velozes e esta chegou célere às tocas do confins do Afeganistão onde indignados e pacatos cidadãos, movidos por um inigualável espírito de tolerância e de consciência cívica, desataram a protestar contra o acto – idiota, mas perfeitamente legitimo – praticado por um cidadão americano. No seu próprio país, sublinhe-se. 
O seu pequeno e pouco eficaz cérebro deve ter ficado toldado pelo ódio e, mesmo que não conheçam uma letra do tamanho de um camelo, decidiram tomar medidas contra aqueles que queimam livros. Para começar, nada melhor do que matar pessoas. Com requintes de malvadez, de preferência. Seguir-se-á, provavelmente, o habitual arraial de berraria e de histerismo a que o mundo já se habituou sempre que, no ocidente, se “desrespeitam” os valores daquela gente. Se, na Europa, fizéssemos o mesmo sempre que – por lá ou por cá – os nossos valores não são respeitados, havia de ser bonito. Mas nós não o fazemos. Não somos iguais a eles. Somos civilizados. Ou então temos medo.

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