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Kruzes Kanhoto

Ainda que todos, eu não!

Kruzes Kanhoto

Ainda que todos, eu não!

Passarões

Kruzes Kanhoto, 25.04.11
Provavelmente por influencia de ambientalistas urbano-depressivos que sonham com um mundo sem outras pessoas para além deles, algum legislador - desses que abundam em Lisboa e em Bruxelas - tão iluminado quanto inútil, achou, num daqueles dias aborrecidos em que não tem nada de útil para fazer que justifique o vencimento que os contribuintes lhe pagam, que os pássaros estão em via de extinção. Mesmo aqueles que, reconhecidamente, existem em tal abundância que constituem verdadeiras pragas. 
Assim de repente, sem grande esforço, estou a lembrar-me de andorinhas, pardais ou melros. As primeiras causam uma imundice, como aquela a que podemos assistir à entrada de muitos edifícios públicos, porque, apesar de serem aos milhões, não é permitido derrubar os ninhos. Os pardais são mais que muitos e devoram tudo o que lhes aparece à frente mas, ainda assim, ai de quem ousar atirar sobre eles ou montar umas miseras armadilhas com a finalidade de os apanhar. Já matar melros pode, inclusivamente, dar cadeia se o juiz tiver tendências ecologistas. Foi o que aconteceu a um incauto cidadão que, farto de ver esses passarões atacar-lhe o pomar, resolveu pôr mãos à obra e dar sumiço a uns quantos. Atrocidade que lhe valeu seis meses de cadeia como punição por tão perverso crime. 
Não sei, por isso, que metodologia usar – táctica de guerra é capaz de ser mais apropriado – para proteger o quintal dos bandos de malfeitores alados que, constantemente, fazem devastadoras incursões sobre os bens alimentares que tento produzir. De momento são as cerejas – que começam a ficar vermelhas – que apresentam maior vulnerabilidade e que constituem o alvo mais apetecido. Receio que cd's, fitas de cassetes ou um espantalho, não constituam elementos suficientemente dissuasores. Preciso, portanto, de ideias para combater esses malditos invasores e afugentá-los do meu espaço aéreo. Ou exterminá-los. À sorrelfa, claro.

Fiape

Kruzes Kanhoto, 24.04.11
A Fiape será, segundo os entendidos, uma das maiores e melhores feiras dedicadas à agricultura, artesanato e actividades correlativas. O espaço onde se realiza é, a todos os titulos, magnifico. Muito longe já vai o tempo em que o evento decorria num indescritível lamaçal, bem no centro da cidade e infernizando a vida a quem por ali tinha de fazer o seu dia-a-dia. A justificar, portanto, uma visita. Principalmente agora que o pior – a chuva e o espectáculo do Quim Barreiros - já passou. 

P.S – O corrector ortográfico do OpenOffice insiste em mandar-me substituir “Quim” por “Ruim”. Uns brincalhões, estes informáticos.

É possivel tropeçar três vezes no mesmo calhau?!

Kruzes Kanhoto, 23.04.11
Só a indigência mental de um povo pode justificar a expressiva votação que se prevê venha a obter, nas próximas eleições, o actual primeiro ministro ou, até, a sua eventual reeleição. Não é que a oposição seja muito melhor nem, sequer, que qualquer que venha a ser o vencedor do próximo acto eleitoral, tenha grande margem de manobra para se desviar daquilo que o FMI e a Europa – leia-se Alemanha – mandar executar. Mas, que diabo, não penalizar quem nos arrastou para o abismo ou, pior ainda, acreditar que quem nos colocou lá é o gajo indicado para nos tirar, já é coisa para suspeitar que se trata de um caso do foro psiquiátrico da maior gravidade que afecta significativa parte do eleitorado nacional.
Podem os seus apoiantes mostrar os indicadores que quiserem. Publicitar os gráficos que muito bem entendam. Torturar os números até à exaustão por forma a que digam aquilo em que eles querem que nós acreditemos. Podem fazer tudo isso e muito mais. O que não vão conseguir é esconder a realidade. E essa vai revelar dentro de pouco tempo a qualidade da gente que tem dirigido este país. Pelo menos aos que ainda acreditam neles, porque os outros há muito que perceberam o calibre dessa gentinha. 
Ainda a propósito de números, surpreende-me, a mim que não sou de intrigas, que a síntese da execução orçamental, divulgada mensalmente pela Direcção-Geral do Orçamento, não inclua “o” mapa de controlo da execução orçamental da receita e da despesa. Seriam apenas mais meia-dúzia de páginas – o que num documento que tem quarenta e oito não seria muito – e sempre permitiria a cada um tirar as suas próprias conclusões. Não é que eu vá duvidar da análise feita pelo governo. Nãããããão...

Os donos da bola

Kruzes Kanhoto, 22.04.11
Segundo alguma comunicação social os vencimentos dos jogadores de um clube de futebol dos Açores terão sido pagos pelo governo regional lá do sitio. Não sei se é ou não verdade mas, a ter acontecido, não é coisa que me surpreenda. Afinal, trata-se do mesmo orgão executivo que não aplicou a redução salarial determinada pelo governo da república - a que ainda pertencem - aos funcionários públicos da região pelo que, a  ter acontecido o que os jornais relataram, este tipo de tropelias não constitui grande novidade. 
O caso não será, no entanto, virgem. Muito pelo contrário. Desde que o poder local democrático espalhou tentáculos pelo país têm-se sucedido rumores – desconheço se confirmados - acerca de ordenados de craques do pontapé na bola que, alegadamente, serão suportados pelo respectivo Município. E quem diz futebol diz outro qualquer desporto. Envolva ou não o uso de bolas. E quem diz desporto diz, também, cultura. Nas suas mais diversas expressões. E quem diz cultura diz, também, outras coisas. 
Não consigo descortinar razão para tanto espanto por causa desta decisão do governo socialista dos Açores. Se é que foi assim que as coisas se passaram. Pagar ordenados por portas travessas será - a acreditar em tudo o que se diz, escreve ou ouve - prática mais ou menos corrente. Mas, se calhar, ainda bem. Mesmo que de forma enviesada sempre vai mantendo e povo feliz. E um pouco menos desempregado. Tudo isto, reitero, alegadamente.

Reduzir o salário do vizinho é bom. Reduzir o meu é mau.

Kruzes Kanhoto, 21.04.11
Embora muitos falem do assunto como se tratando de uma afastada fatalidade, que apenas atingirá os outros e à qual escaparão incólumes, tentar adivinhar quais serão as medidas que a chamada troika irá propor tem constituído uma espécie de desporto nacional. Uma das que tem sido sugerida atá à exaustão, nomeadamente na comunicação social, é a redução de vencimento dos funcionários públicos. Basta dar uma rápida vista de olhos – a qualidade dos comentários não merece grande atenção e é bem reveladora da inteligência de quem os produz – pelos diversos fóruns e outros sítios da Internet onde se debatem estes assuntos para perceber que, a ser adoptada, esta seria uma decisão que reuniria a concordância – mais do que isso, o aplauso - de uma significativa margem de portugueses. Que, suponho, trabalham ou se dedicam a actividades no sector privado. 
Já escrevi o que penso, de uma forma geral e não apenas na função pública, acerca da redução de salários bem como das consequências desastrosas que isso provocaria na economia. Nomeadamente o aumento do desemprego. Mas, o que hoje me faz voltar a escrever acerca do tema, são as opiniões que acabo de ler nos mesmo sítios – talvez, até, escritas pelas mesmas pessoas - em reacção à proposta de redução de salários nas empresas privadas, que os representantes dos patrões entregaram aos fulanos do FMI e associados que por cá andam a vasculhar as nossas contas. De uma maneira geral a tónica é esta: “Aquilo que ontem era bom e devia ser aplicado de imediato aos outros, hoje já não presta e deve motivar uma revolta generalizada porque me toca a mim”. Talvez, há quem o sugira, constitua mesmo motivo para pegar em armas. Esclarecedor, portanto, quanto ao que verdadeiramente motiva muito boa gente. 
Infelizmente os portugueses são assim. Mesquinhos, egoístas, aldrabões, trafulhas, incapazes de pensar no bem-estar colectivo e preocupados apenas com o seu umbigo. Deve ser por isso que se preparam para reeleger aquele cujo nome não me apetece escrever. Um dos que, entre nós, melhor personifica o “ser” português.