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Kruzes Kanhoto

Ainda que todos, eu não!

Kruzes Kanhoto

Ainda que todos, eu não!

Plano maquiavélico

Kruzes Kanhoto, 19.01.11
Acredito convictamente que está em curso um plano maquiavélico tendente a exterminar parte significativa da população portuguesa. Especialmente a mais pobre e, por consequência, mais dependente dos apoios do Estado. O objectivo será deixar de gastar os muitíssimos milhões que estas pessoas custam ao erário público e, com o seu desaparecimento, equilibrar as contas do país. 
Não comparo o mentor de tão macabro plano a nenhum autor de qualquer outro genocídio. Até porque não há termo de comparação. Anteriores politicas genocidas foram dirigidas contra cidadãos de determinada raça, nacionalidade ou crença religiosa, enquanto no nosso caso ela não faz distinção de cores, lugar de nascimento ou crenças religiosas. Vai tudo a eito. Basta não ter dinheiro. 
Depois de muitas outras medidas que tem vindo a ser tomadas ao longo dos últimos anos, decidiram-se agora por não transportar doentes às consultas ou exames que lhes são marcadas pelos médicos. Existirão, alegadamente, esquemas manhosos em redor deste negócio. Basta olhar para as praças de táxis, ou para as frotas das corporações dos bombeiros, para desconfiar da marosca. Mas isso não justifica o radicalismo da decisão de deixar os doentes a pé, condenando à morte os que não têm meios para se deslocar nem dinheiro para pagar a quem os transporte. 
Mais cedo do que tarde esta será mais uma área a ficar sob a alçada das autarquias. O que, diga-se, nem me parece mal. Afinal se as juntas de freguesia e as câmaras municipais têm dinheiro para levar velhinhos a Fátima e a outros locais de reconhecido interesse turístico, ou se podem pagar milhões em almoços e espectáculos dos Tóinos Carreiras desta vida, também devem ter algum para transportar quem está doente e precisa de ajuda médica.

A chama imensamente cara

Kruzes Kanhoto, 18.01.11
Apesar do preço dos combustíveis estar a atingir novos máximos históricos, os portugueses não dão sinal de prescindir do uso do automóvel ou de, pelo menos, fazer um uso mais racional da viatura particular. Significará isso que o nosso bolso resistirá a mais uns quantos aumentos desse e de outros bens de que não damos mostra de aceitar colocar de parte. 
Confesso que a mim, apesar de não ter um poço de petróleo no quintal nem possuir acções de nenhuma gasolineira, considero que há coisas bem piores do que esta escalada de preços. Acho até alguma piada aos pretensos protestos e às patéticas tentativas de boicote, em relação a algumas marcas dominantes no mercado, que vão circulando pela internet e enchendo as caixas de e-mail com mensagens de caracter marcadamente infantil. 
Mesmo suscitando menos atenção por parte da comunicação social, o preço do gás de garrafa tem aumentado a um ritmo que nada fica a dever aos seus parentes líquidos. Refira-se que o preço de uma botija de onze quilos de propano rondaria, ainda há relativamente pouco tempo, os dezassete euros. Hoje custou-me vinte cinco euros. Ora, se percorrer de automóvel os mil metros que me separam do emprego pode – e bem – ser considerado um luxo, já tomar banho ou confeccionar as refeições não se me afigura como tal. Mas, estranhamente, não vejo nem ouço preocupações quanto a isso. Será que o pessoal só come sandes e toma banho de água fria?!

Estranho conceito de ocupação do espaço

Kruzes Kanhoto, 17.01.11
Pretender taxar as máquinas multibanco com o argumento que estão a ocupar a via pública é uma ideia própria de loucos. Fundamentar tal decisão não será fácil e vai com certeza requerer aos proponentes de tão parva medida que puxem pela imaginação a um nível que é capaz de deixar sequelas. Esforço, ainda assim, bem menor do que aquele que os habitantes dos concelhos onde esta parvoíce for avante terão de fazer para suportar mais este custo. Sim, porque apenas os proponentes acreditarão – se calhar nem eles – que a banca não fará reflectir nos seus clientes o valor que tiver de pagar às Câmaras. 
Já situações como as que mostra a imagem não estarão sujeitas a nenhum pagamento por ocupação da via pública. Vá lá saber-se porquê terão merecido o licenciamento municipal e, embora ocupem largos metros quadrados de espaço pertencente ao domínio público, não integram os planos dos autarcas para angariar receitas. Evidentemente que os moradores não são responsáveis, nem podem ser responsabilizados, por este tipo de aborto urbanístico. Mas alguém projectou, aprovou e executou. Era capaz de não ser má ideia pôr essa malta a pagar a tal taxa. Porque, isto sim, ocupa mesmo um espaço que é de todos.

Gente a quem só falta ladrar (e abanar o rabinho, vá)

Kruzes Kanhoto, 16.01.11
Gabo a paciência aos que se levantam manhãzinha bem cedo – alta madrugada, quase – para levar o cão à rua com o intuito deste fazer a cagada matinal. Igual se aplica a quem, ao anoitecer - se calhar são os mesmos - faça frio, chuva ou as duas coisas em simultâneo, se obrigue a passear o rafeiro até que este tenha largado na via pública tudo aquilo que o dono – gajo asseado, portanto – não quer em casa. Chega a ser comovente ver como, debaixo de uma carga de água ou a tiritar, uns fulanos ou fulanas esperam pacientemente enquanto o amiguinho de quatro patas vai hesitando quanto ao melhor local para aliviar a tripa. É vê-los na Avenida da Estação, ao cimo da Rua dos Telheiros, à volta do Rossio e em todos os poucos locais da cidade onde existe um pouco de relva. 
Não sei se a apetência por espaços relvados é dos cães ou donos. Por um lado acredito que seja dos canitos, porque sempre que o portão do meu quintal fica aberto é mais que garantido que aparece merda na relva. Por outro, olhando para os passeios, fico com a impressão que aos animais lhes é indiferente e que são os donos que escolhem os espaços verdes. Deve ser porque já habituados a levar para lá os filhos ou os netos. 
Em muitas localidades foi colocado, nos locais mais críticos, este tipo de equipamento que disponibiliza sacos de plástico para recolha dos dejectos. Por cá ainda não existe tal coisa. Pelo menos que tenha dado por isso. Não sei qual o seu nível de utilização onde já é disponibilizado mas, estou em crer, não deverá ser elevado. O que não justificará a sua aquisição e implementação entre nós. Ainda usavam os sacos para ir às compras ao Lidl. É que se quase todos os donos afiançam que ao seu cãozinho só falta falar para ser como as pessoas, a realidade demonstra-nos que a muitos donos só falta ladrar para serem como os cães.

Legislação humilhante. Especialmente para quem a aprova.

Kruzes Kanhoto, 14.01.11
O assunto não é novo e tem motivado acesa discussão em diversos blogues onde foi abordado. Trata-se de uma iniciativa legislativa, a decorrer em Espanha, pela qual se pretende aplicar pesadas multas a quem provocar a outrem um sentimento de humilhação. Não fora a tendência da coligação  entre o Partido Socialista e o Bloco de Esquerda, acolitados pelo Partido Comunista, para copiar tudo o que no país vizinho se aprova em matéria de costumes e a coisa não teria especial relevância para os portugueses. Até porque a maioria de nós não dominará o castelhano vernáculo e ofender espanhóis na nossa língua é perfeitamente ineficaz. 
Assim de repente a ideia do legislador nem parecerá mal de todo. O pior é que o projecto de lei em apreciação no parlamento espanhol, inverte o ónus da prova. Ou seja é ao acusado a quem compete provar que não ofendeu o queixoso. Também o que poderá ser considerado como ofensivo variará conforme a sensibilidade ou o humor de cada um. Daí que, mesmo a verificar-se a sua cópia para este lado da fronteira, não estou a ver como possa ser aplicada entre nós, pois, como toda a gente sabe, somos verdadeiros especialistas em contornar as leis. 
Vários casos têm sido dados como exemplo onde a lei se pode aplicar. Se, hipoteticamente, alguém perguntar a homem solteiro se tem namorada, isso pode ser considerado ofensivo e motivo para que ao bisbilhoteiro seja aplicada uma coima. Basta para tanto que o inquirido seja panasca e se sinta ofendido com a questão. 
É por estas e por outras que até nem me desagradava que os súcias portugueses seguissem o exemplo espanhol e aprovassem lei semelhante. Pelo menos perto de mim mais ninguém contava anedotas de alentejanos.