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Kruzes Kanhoto

Ainda que todos, eu não!

Kruzes Kanhoto

Ainda que todos, eu não!

Anda por aí uma malandragem...

Kruzes Kanhoto, 26.01.11
Estremoz é, ainda, uma cidade segura. Embora, ao que conste, os amigos do alheio tenham estado particularmente activos nas últimas semanas. Produtividadezinha da boa no ramo do gamanço, portanto. Ainda assim os actos, públicos e devidamente publicitados, que correm pelo tribunal local relacionados com a delinquência comum serão num número significativamente inferior aos que se relacionam com calotes e manigâncias correlativas. O que, não sendo tranquilizador, não deixa de ser um dado curioso e a ter em conta quando falamos de gatunos e de outro tipo de cidadãos igualmente respeitáveis. 
Apesar da pacatez do lugar, vai havendo uma ou outra situação que me deixa com os sentidos mais alerta. Como, por exemplo, um café com uma clientela anormalmente elevada de ciganos no exacto momento em que seguro, com uma mão, uma nota de cinquenta euros para pagar o euro milhões e, com a outra, a carteira. Isso enquanto me ocorre que tenho o telemóvel num dos bolsos do casaco e a máquina fotográfica no outro. Claro que, pensando friamente, não havia razão para temores. Afinal o telefone tem dez anos, a máquina é quase tão má como as fotos que tira e, a julgar pela quantidade de garrafas de cerveja que enfeitavam as mesas, deve ter sido dia de receber o rendimento.

Fim de circo

Kruzes Kanhoto, 25.01.11
Que me recorde - se não for assim que se lixe, não estou para ir confirmar - apenas numa ocasião abordei, aqui no Kruzes, o tema de actualidade que marcou as últimas semanas. As eleições para a presidência da república. Foi um acontecimento desinteressante, sem graça, cinzento - até parece que estou a repetir uma critica feita em tempos a este blogue - que felizmente já passou e do qual pouco mais vão ficar do que as dividas. Para os do costume pagarem. Como é óbvio. Assim como assim também já estamos habituados. 
Estivemos perante candidatos pouco dados à paródia, demasiado sisudos e incapazes de nos surpreender. Mesmo aquele que, de entre todos, reunia as melhores condições para animar o eleitorado acabou por se revelar uma profunda decepção. A comprová-lo as suas últimas declarações, já depois do acto eleitoral, em que se manifestava convencido que os portugueses o levam a sério e que os seus votantes o terão feito porque acreditaram na sua mensagem. Fiquei, confesso, ainda mais desiludido. Um gajo pode ser maluco, até aí tudo bem, mas não precisa de ser parvo.

Boicotes

Kruzes Kanhoto, 23.01.11
Dia de eleições é, inevitavelmente, dia de boicote. Há-os para todos os gostos. Razoáveis e compreensíveis uns, parvos e despropositados outros. Principalmente quando visam protestar contra situações que afectam apenas um determinado grupo de pessoas e não a localidade no seu todo, ou quando os motivos que levam à tentativa de chamar a atenção dos centros de decisão são, digamos, idiotas e cobrem de ridículo quem os faz. 
Dos boicotes de hoje, pelo menos dos conhecidos, destaco dois que não abonam em nada a inteligência - ainda menos o bom-senso - de quem os promoveu. Na localidade algarvia de Fuzeta os pescadores acharam por bem boicotar o acto eleitoral por causa da barra marítima lá do sitio que, segundo eles, não reunirá as necessárias condições de segurança. Muito provavelmente terão razão. Agora impedir o direito ao voto a outras pessoas, que na sua maioria não têm nada a ver com isso, é uma atitude de arruaceiros que num país a sério era capaz de dar direito a umas vergastadas no lombo. Para amaciar. 
No âmbito do ridículo - e do parvo, também - temos o protesto de uma aldeia que reivindica a abertura da casa mortuária. Parece que na igreja faz frio, sentem-se desconfortáveis durante os velórios e, pior, falam desalmadamente durante os mesmos. O que constitui uma vergonha. É o que garante uma velhota certamente profunda conhecedora dos comportamentos a ter durante a permanência num templo. Acresce a isto que o edifício alvo da discórdia estará concluído e que apenas não abre porque a Câmara não terá ainda pago ao construtor que, assim, não entrega a obra. 
Acredito que também neste caso os habitantes da aldeia em causa, desgraçadamente não fixei o nome da terra, estejam cobertos de razão. Pena, no entanto, que não protestem com a mesma veemência quando a autarquia paga - se é que o faz, evidentemente - almoços, jantares e lanches aos velhotes, os leva a passear à borla por esse país fora, organiza festarolas com os artistas do momento, contrata os amigos para fazer "coisas" e dá subsídios a associações que apenas existem para organizar almoços, jantares e lanches, levar pessoas a passear por esse país fora ou contratar amigos para fazer "coisas".

Merdosos

Kruzes Kanhoto, 21.01.11
Verdadeiramente notável que uns quantos, por sinal os que clamaram durante anos pela redução de vencimentos na função pública, se mostrem agora indignados por Cavaco Silva defender que, em alternativa, o governo devia ter criado um imposto extraordinário para todos os que ganham a cima de um determinado montante. 
É, de facto, uma reacção espantosa. Não me surpreenderia por aí além se fosse um qualquer palerma ignorante a ter esta opinião. Mas não. Os palermas que a proferem são tudo menos ignorantes. São daqueles que fazem opinião e que, em muitas circunstâncias, detém influência nos que tomam decisões. Mas não menos merdosos por isso. E filhos da puta, também.

Discutir o género dos anjos

Kruzes Kanhoto, 20.01.11
A esquerdalha nacional, pós-moderna e dotada de uma superioridade moral incontestável, não dá mostras de abrandar a sua cruzada em busca de novos e improváveis temas fracturantes. Propõe-se agora trocar palavras que sempre usámos - e que eu, que me estou cagando para essa cambada, continuarei a usar - como "raça" e "sexo" por "etnia" e "género". 
Receio que me esteja a escapar alguma coisa. É que, assim de repente, não consigo descortinar vantagens para as alterações propostas. Pelo contrário. Os mal-entendidos vão suceder-se e as relações entre as pessoas poderão sair seriamente prejudicadas. Conversas, até agora banais, poderão dar para o torto, por mal interpretadas, e provocar reacções de consequências imprevisíveis. Nem me atrevo a dar exemplos. Até porque cada leitor pode, com facilidade, encontrar meia-dúzia deles cada um com mais piada que o outro. Direi apenas que esta gente de má-raça não faz o meu género.