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Kruzes Kanhoto

Ainda que todos, eu não!

Os Correios são do polvo!

por Kruzes Kanhoto, em 07.07.10
A malta de esquerda tem uma visão romântica e quixotesca da vida. Pelo menos o pessoal de esquerda na verdadeira acepção da palavra. Esses são genuínos, por norma honestos, e não devem ser confundidos com uma certa maralha que se diz de esquerda porque acha que o facto de se dizer posicionado mais para o lado canhoto dá ares de uma pretensa superioridade intelectual. Tão pouco devem ser comparados com a esquerda rosácea. Estes alegados esquerdistas apenas o são por uma questão de conveniência ocasional, embora tenham o cuidado de não praticar, excepto, claro, quando eleitoralmente lhes dá jeito jogar pelo flanco esquerdo. 
Vem isto a propósito deste cartaz. Achar que os Correios, ou qualquer outra empresa pública, são do povo é de uma ingenuidade comovente. Quase de ir às lágrimas. Podemos questionar a sua privatização. Podemos, até, questionar as vantagens e desvantagens de muitas das privatizações que já foram feitas e das que se anunciam. Agora afirmar que qualquer uma dessas empresas foram ou são do povo é próprio de quem vive num mundo de fantasia. No mundo real, o poder – e tudo o que com ele se relaciona – foi tomado por uma mafia, agora rosa e num futuro próximo laranja, que tudo controla. Incluindo as tais empresas que alguns ainda querem que sejam do povo. 
No caso concreto dos Correios, além de ser uma instituição magnifica para dar emprego a bóis que conseguem invariavelmente chorudos prémios de desempenho, não é mais que um local onde o povo espera uma hora para levantar uma carta registada. Onde, em certos dias do mês, mais vale não ir porque está apinhado de malta mal-cheirosa a receber o “rendimentuuuu” - com prioridade no atendimento sobre os outros clientes - e qualquer cidadão se arrisca a ser ofendido. Ou coisa pior.
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Fogo!

por Kruzes Kanhoto, em 06.07.10
Nunca quis ser bombeiro. Nem em pequenino, altura da vida em que muitos garantem que quando forem grandes serão bombeiros, manifestei essa intenção. 
Calculo que apagar fogos seja uma chatice. O calor, coisas a arder por todo o lado, labaredas demoníacas...desagradável! Pior ainda num dia como o de hoje, à hora de almoço porque algum maluco – digo eu – se descuidou com as sardinhas e provocou um incêndio. 
Felizmente há quem o faça e, em muitas circunstâncias, arrisque a vida para salvar outras e minorar os estragos provocados por outrem. É por isso que, apesar de nunca ter querido ser bombeiro e de achar que apagar fogos é uma actividade pouco recomendável, admiro quem o faz. Principalmente aqueles que pouco, ou mesmo nada, ganham com isso.
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Do mais anónimo que há...

por Kruzes Kanhoto, em 06.07.10
Há quem leve o anonimato na blogosfera ao exagero. Se ser anónimo já é motivo bastante para criticas – pelo menos segundo alguns iluminados - agora imagine-se ser “o” anónimo. E, ainda para mais, anónimo. Pior, pior, só um anónimo abrir um blogue para convidados...anónimos!
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O "fim" da macacada

por Kruzes Kanhoto, em 05.07.10
Não consigo entender como é possível um individuo, mesmo uma ou duas dúzia deles, fazer um assalto num comboio, em plena via pública ou noutro lugar repleto de pessoas e safar-se sem ser linchado logo ali. Ou, no mínimo, levar uma carga de porrada que o fizesse ficar com pouca vontade de repetir a façanha. Provavelmente é porque só temos garganta. E, simultaneamente, somos uns cobardes do caraças a quem já roubaram a carteira, a dignidade e, até, os tomates. Embora, concedo, o facto de as leis penais protegerem muito para além do inimaginável o criminoso, também contribuirá para que alguns se inibam de intervir em defesa de outrem e, por incrível que pareça, até de si próprios. 
O que tem acontecido nos últimos dias na linha de Cascais é disso um exemplo. Bandos de jovens – eufemismo que serve para designar bandalhos repugnantes que tem no crime o seu modo de vida e a quem nós vamos sustentando – fazem o que muito bem lhes apetece sem que ninguém levante um dedo para os deter. Os do costume argumentarão que, coitadinhos, não têm culpa. É a sociedade que os empurra para essa vida por não lhes proporcionar condições adequadas de subsistência nem lhes dar perspectivas de um futuro melhor. 
Vamos ver se esses pulhas evidenciarão igual compreensão quando alguma eventual vitima – também ela lixada com a sociedade e sem grandes oportunidades de ter a vida com que sonhou – se passar das ideias e limpar o sebo a um ou dois desses javardolas a que chamam jovens. E que, repito, mais não não que bandalhos repugnantes quase tão nojentos quanto as alimárias que arranjam sempre justificação para os defenderem.
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O "botellinho"

por Kruzes Kanhoto, em 05.07.10
O “botellón” é uma prática que consiste em adquirir bebidas alcoólicas em supermercados, ou outros locais que as disponibilizem, que depois são consumidas ao ar livre e em grupo. Esta actividade tem origem em Espanha, embora por lá já tenha sido produzida legislação que visa a sua limitação, sendo praticada em muitos outros países. Nomeadamente em Portugal. E, muito naturalmente, também em Estremoz. Mas, por cá, somos pequeninos. Mesmo quando toca a emborcar as “litronas”. Não admira, por isso, que sejam apenas estes resíduos o que tenha sobrado de uma noite que, espero, tenha sido animada. 
Quanto ao local escolhido parece-me perfeito. O centro do Rossio, mesmo debaixo do palito – ou, se preferirem, pilossauro – constitui um lugar de eleição para este tipo de eventos. Amplo, arejado, deserto, com iluminação bastante e bem no centro da cidade. Há, portanto, que aproveitar as magnificas características do local e explorar todas as suas potencialidades. Quem sabe não está ali um pólo de dinamização turística assaz interessante.
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Enganar-nos uns aos outros vai deixar de ter tanta piada...

por Kruzes Kanhoto, em 04.07.10
A anunciada alteração na formula de cálculo da atribuição das chamadas prestações sociais se, por um lado, se impõe face a inúmeras situações de abuso e, por outro, a alguma necessidade de sustentabilidade do próprio sistema vai, na minha modesta opinião, potenciar situações de conflito, que até agora tem estado apenas latente, entre beneficiários e não beneficiários. Nomeadamente entre aqueles que deixarão de ter acesso aos apoios do Estado, ou os verão reduzidos, e aqueles que continuarão a beneficiar como até aqui, ainda que menos necessitados dessa ajuda estatal que os primeiros. 
Se até agora quase toda a gente - uns mais outros menos, uns por uma via outros por outra – vai obtendo algum tipo de rendimento vindo directamente dos cofres do Estado sob a forma de prestação social, de ora em diante isso ficará apenas reservado para os fiscalmente pobres. O que, como se sabe, não significa ser pobre. E, nessas circunstâncias, acredito que o desempregado, que fica sem subsidio de desemprego, não continue a achar que o vizinho do restaurante faz muito bem em enganar as finanças e, por consequência, o filho tenha bolsa de estudo. Ou que os conhecidos ladrões ou traficantes cá do burgo – ciganos ou não – continuem a ter rendimento mínimo, apesar de manterem um estilo de vida dificilmente compatível com os setenta euros que – querem-nos fazer crer os seus responsáveis – a segurança social lhes atribui.
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Eles falam, falam...e fazem o mesmo!

por Kruzes Kanhoto, em 02.07.10
Os autarcas das regiões servidas pelas scuts onde o governo pretende passar a cobrar portagens tem sido praticamente unânimes na contestação desta intenção e, alguns deles, são de entre os que protestam, aqueles que mais tem verberado esta medida governativa. Há até quem chegue a apelar à revolta e, em casos mais drásticos, ao vandalismo. Como chegou a ser proposto numa Assembleia Municipal e defendido perante as câmaras de televisão sem que, pelo menos que se saiba, o badameco tenha sido preso ou, no mínimo, declarada perda de mandado por evidente incapacidade intelectual para o exercício do cargo. 
Se há gente que devia estar calado nestas circunstâncias são, precisamente, os autarcas. É bom não esquecer que apesar de sérios e honestos – embora nem sempre as duas condições estejam reunidas na mesma pessoa – eles dispõem de uma capacidade inventiva, nomeadamente quando o assunto é angariar receitas, muito superior à de qualquer mortal. Justiça lhes seja feita que quando toca a gastar também não há quem se lhes igual, mas isso não vem agora ao caso. 
Podia dar uns quantos exemplos que comprovam o que acabo de escrever. Mas não me apetece. Fico-me apenas por trazer à memória de quem me lê o que fizeram inúmeras autarquias do país quando o governo resolveu extinguir a cobrança de taxas pelo aluguer, entre outras coisas, do contador da água. Suas excelências, os autarcas, resolveram inventar algo a que chamam “taxa de disponibilidade” que passou a ser cobrada desde então. Nessa altura não lamentaram o fraco poder de compra dos seus munícipes e estiveram-se nas tintas para a competitividade das empresas da sua região. As mesmas a quem, recorde-se, quase todos cobram derrama. Apreciável a coerência desta malta!
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