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Kruzes Kanhoto

Ainda que todos, eu não!

Ajustes em directo

por Kruzes Kanhoto, em 21.07.10
Não é que este blogue tenha qualquer intenção de fazer serviço público. Nem, ao menos, prestar algum tipo de informação útil aos seus leitores. Pelo contrário. A inutilidade dos conteúdos deste espaço é por todos reconhecida. É neste contexto que, de ora em diante, vai ser possível consultar  no topo da barra lateral, junto aos anúncios onde podem clicar à vontade, os últimos ajustes directos efectuados pela administração pública. Qual o interesse da coisa? Bom, na verdade, nenhum. Quando muito podemos ficar a saber um pouco melhor onde é que eles gastam o nosso dinheiro e depois, se for o caso, chamar-lhes uns quantos nomes. 

(Retirado. Não sei porquê mas a porra do script - ou lá como se chama - não funciona)
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Ajustes em directo

por Kruzes Kanhoto, em 21.07.10
Ajustes em directo
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Velório inflacionado

por Kruzes Kanhoto, em 20.07.10

Quase todos os dias são dadas a conhecer histórias que relatam um ou outro facto claramente demonstrativo de quanto a comunidade cigana é discriminada. 
Desta vez foi um devoto cidadão dessa etnia que, segundo garante, terá sido obrigado a pagar mais noventa e cinco euros que o preço habitualmente cobrado pela paróquia aos restantes cidadãos pelo aluguer da capela onde decorreu o velório da sua sogra. Isto, afirma ainda abalado pelo trágico acontecimento, por ser cigano. É, de facto, uma tragédia. Noventa e cinco euros – dezanove contos – é muito dinheiro. 
O pároco lá do sitio, ao que é relatado, terá acrescentado ao preço habitual essa sobretaxa, chamemos-lhe assim, porque conforme justificou - passo a citar – os ciganos são violentos e porcos, comem e bebem na capela – estas coisas, digo eu, puxam à comida e à bebida – e fica tudo numa grande imundice. Estas justificações, como é natural, não convenceram o SOS Racismo nem o Centro de Estudos Ciganos, que ponderam apresentar uma queixa contra o abade. Entretanto vão repudiando vivamente esta atitude. O que, nestas organizações, não constitui novidade pois quando se trata de manifestar repúdio fazem-no sempre de forma viva. Neste caso era escusado. 
Como toda a gente sabe, pelo menos aqueles que já alguma vez viram um cigano, as afirmações alegadamente produzidas pelo prior carecem de qualquer fundamento. Por mim nunca vi um cigano porco. Nem, tão pouco, um porco cigano. Violento ainda menos. Pelo contrário. Um vi-o rápido a meter coisas que pertenciam a outra pessoa nos bolsos. Dele, entenda-se. Mas, acredito, era com boa intenção. 
Quanto a deixarem tudo numa imundice é mais uma atoarda em que ninguém acredita. É conhecido o seu apego ao asseio, à arrumação e à limpeza. Por exemplo, no Bairro das Quintinhas – para quem não sabe o resort onde habitam cá na terrinha - até tem o cuidado de depositar o lixo nos terrenos circundantes só para não sujarem os contentores. O que revela um civismo e respeito pelo ambiente ao alcance de poucos. 
Só faltou dizer que cheiram mal. Mas isso também já era caluniar demais. Porque se alguns exalam um odor mais intenso, isto resultará com certeza do muito suor provocado pelo esforço despendido no exercício das suas extenuantes actividades profissionais. Sejam elas quais forem.

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Velório inflacionado

por Kruzes Kanhoto, em 20.07.10
Velório inflacionado
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As inconfidências da ira

por Kruzes Kanhoto, em 19.07.10
Bastou que a Ministra André cometesse a inconfidência de revelar a possibilidade da função pública ter, em 2011, um aumento igual à inflação para os paspalhões de serviço virem a terreiro bramir a sua ira contra os largos milhões de euros que isso irá custar aos contribuintes. Se depender deles os funcionários públicos podem tirar o cavalinho da chuva porque nunca mais verão o seu vencimento ser actualizado. 
Muitos destes opinadores fazem parte da geração que há cerca de vinte anos berrava nas ruas contra as propinas, que guincha hoje contra os imaginários privilégios dos trabalhadores e que destilará a sua raiva amanhã se o governo decidir cortar a publicidade institucional, paga a peso de ouro, com que enche páginas de jornais. Gente bem na vida, quase toda com pedigree e a quem os portugueses devem, quase tanto como aos governos que tem passado pelo poder, muito daquilo que é hoje o estado do sitio. Talvez, com um pouco de sorte, venha por ai uma crise que faça desaparecer do mapa esta cambada de invejosos!
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As inconfidências da ira

por Kruzes Kanhoto, em 19.07.10
As inconfidências da ira
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Onde se gasta o dinheiro que não há...

por Kruzes Kanhoto, em 19.07.10
Verdade seja dita que é graças ao Simplex do engenheiro Sócrates que podemos ficar a saber como é gasto algum do nosso dinheiro. Aquele que não há para vencimentos e pensões dignas ou para manter muitos serviços públicos em condições minimamente dignas. Através do portal “Base.gov” é possível seguir, entre outras coisas, os ajustes directos que as entidades públicas vão fazendo e, por aí, aferir da maneira, muitas vezes desvairada e irresponsável, como são geridos os nossos recursos financeiros. 
As festas e tudo o que lhes associado consomem parte significativa. Espectáculos e foguetório para animar a malta não podem faltar e custam larguíssimas dezenas de milhares de euros que, supõem-se, um dia serão pagos porque, por agora, são apenas mais números para a divida. A titulo de exemplo cite-se um Município situado bem a norte que numa noite de fados gasta 25.950€. Mais iva, claro. 
Também a avaliação do desempenho dos funcionários municipais está a sair cara aos munícipes. Mas é bem feito. Foi, afinal, das medidas socráticas mais aplaudidas e, como sempre escrevi, também das mais parvas. Constata-se que muitas autarquias, se calhar todas, não tem condições de, só por si, desenvolver e implementar todo o emaranhado completamente estúpido que constitui o processo de avaliação, daí que recorram a entidades externas para o fazer. Coisa que, como é bom de ver, custa dinheiro. Muito e que, digo eu, podia ser utilizado em prol da comunidade. Uma autarquia, de pequena dimensão e com reduzido número de trabalhadores, acaba de adjudicar por treze mil e quinhentos euros, a que acrescerá o iva, uma assessoria técnica para o efeito. Agora é só fazer a conta e, se todas seguirem o exemplo, multiplicar por trezentos e oito. Daria quatro milhões cento e cinquenta e oito mil euros. Digo daria porque, como referi, o exemplo é de uma Câmara Municipal com cento e poucos funcionários e o preço, acredito, será ligeiramente superior numa autarquia com setecentos ou oitocentos... 
Os exemplos são tantos que dariam para vários post diários de um blogue apenas dedicado ao tema. Termino com mais um. Um fantástico subsidio de vinte cinco mil euros atribuído por um Município, igualmente do norte e perto do mar, a uma associação internacional de defesa dos animais. Amigos destes nunca são, de facto, de mais.
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Onde se gasta o dinheiro que não há...

por Kruzes Kanhoto, em 19.07.10
Onde se gasta o dinheiro que não há...
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Teorias desadaptadas

por Kruzes Kanhoto, em 18.07.10
Acho piada a algumas teorias todas modernaças que advogam a “adopção” de idosos por parte de famílias que se candidatem a recebê-los em suas casas a troco de uma compensação monetária. A intenção não é nova e está prevista, tanto quanto julgo saber, em legislação produzida na década de noventa. O seu sucesso, se medido pelo número de adopções, está como seria de prever, muito aquém daquilo que provavelmente esperariam os iluminados autores da ideia e revela, entre outras coisas, a diferença abissal entre o mundo de quem delineia estas estratégias e a realidade da vida diária dos portugueses. 
Assistentes sociais e outros técnicos de acção social são, acredito, pessoas com bom coração. Idealizaram, ou fizeram-lhes acreditar durante a sua formação académica, que o mundo é cor de rosa, povoado por anjos e fadas, onde todos, desde que tenham emprego e não pertençam a uma minoria étnica, são privilegiados. O reflexo disso é a triste situação em que se encontram muitos dos nossos velhos, sem lugares em lares, sozinhos, seja na sua ou na casa dos filhos enquanto, muito por graça dessa gentinha, o país vai esbanjando recursos com quem não trabalha, nunca trabalhou nem tenciona vir a trabalhar. 
A adopção de idosos dificilmente vingará no actual contexto sócio-familiar. A menos que no rol de potenciais adoptáveis se incluam algumas – ou alguns, conforme os gostos – frequentadoras das chamadas academias seniores. É que, como já referi noutra ocasião, ainda por lá há quem faça uma perninha nos juniores. Ou, como diria o meu avô, capaz de levar meias solas.
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Teorias desadaptadas

por Kruzes Kanhoto, em 18.07.10
Teorias desadaptadas
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Grandes negócios

por Kruzes Kanhoto, em 17.07.10
Uma curta passagem pela feira de velharias constitui uma das minhas rotinas de sábado de manhã. Não que seja habitual - nem sequer esporádico - comprador de antiguidades ou que perceba alguma coisa acerca do valor histórico do material à venda. Vou mais movido pela curiosidade porque, a cada semana, é sempre possível dar de caras com a peça mais improvável ou assistir, pelo canto do olho e assim como quem não quer a coisa, a um ou outro negócio estrambólico. Daqueles em que um cigano vende um prato rachado, resgatado do lixo, a um qualquer pacóvio lisboeta por cento e cinquenta euros e este ainda acha que é uma grande pechincha. 
Na feira encontra-se de tudo. Ou quase. E esse é um dos seus maiores motivos de interesse. Livros, moedas, bordados, móveis e lixo do mais variado são, digamos assim, os objectos mais normais com que nos podemos deparar. Porque depois há os outros. Os de utilidade duvidosa e os de origem ainda mais duvidosa do que a utilidade dos primeiros.
É no grupo de coisas acerca das quais colocamos muitas reservas quanto à sua utilidade que se pode integrar esta bomba de gasolina – julgo que a traquitana dará por este nome – hoje exposta na dita feira. Se, neste caso, a sua origem não levantará grandes suspeitas, será provavelmente mais um mono de que alguma garagem se quis desfazer, já o mesmo não se pode dizer do tipo de impulso ou necessidade que leva alguém a despender algum do seu dinheiro para se tornar proprietário de uma coisa destas.
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Grandes negócios

por Kruzes Kanhoto, em 17.07.10
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Coisas espectacularmente absurdas

por Kruzes Kanhoto, em 17.07.10
Este país é um espectáculo ou sou só eu que acho que está tudo maluco?!
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Coisas espectacularmente absurdas

por Kruzes Kanhoto, em 17.07.10
Coisas espectacularmente absurdas
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Olha...Afinal eram ervas!

por Kruzes Kanhoto, em 16.07.10
Depois de ter sido motivo de controvérsia entre dois forasteiros que visitavam a nossa cidade acerca da natureza das plantas que ocupavam maioritariamente estas floreiras, parece que alguém, possivelmente os serviços competentes, se encarregou que demonstrar quem tinha razão na discussão em causa. Eram, afinal, ervas daninhas que por ali medravam. 
Rejeito liminarmente qualquer relação entre a colocação deste post e o facto de, poucos dias depois, a floreira ter tido o tratamento adequado. A associação que eventualmente alguém possa fazer entre uma e outra coisa será despropositada e carecerá de fundamentação consistente e séria. Até porque, e se outra razão não houvesse, ninguém lê blogues. Especialmente blogues como este.
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Olha...Afinal eram ervas!

por Kruzes Kanhoto, em 16.07.10
Olha...Afinal eram ervas!
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Estacionamento tuga

por Kruzes Kanhoto, em 14.07.10
Um espaço assim, enorme e no centro da cidade, está mesmo a pedi-las. A pedir uns quantos carritos estacionados, entenda-se. Embora por períodos curtos de estacionamento, os tugas automobilistas vão fazendo tentativas nesse sentido e das duas rodas em cima da placa, começa-se já a passar para as quatro. Depois das horríveis barracas de lata da parte de baixo, nada melhor do que compor a de cima com outro de tipo de lataria...
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Estacionamento tuga

por Kruzes Kanhoto, em 14.07.10
Estacionamento tuga
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Puta que os pariu

por Kruzes Kanhoto, em 13.07.10
Ao contrário do que alguns, provavelmente poucos, ainda possam pensar os filhos das senhoras de hábitos pouco consentâneos com a decência e os bons costumes não são apenas os que estão no governo. A oposição está, também, repleta de gente dessa. 
Um desses senhores, nas jornadas parlamentares do PSD, defendeu a redução dos vencimentos de toda a função pública – vá lá que incluía os políticos – em quinze por cento. O número deve ter-lhe parecido simpático. Pelo menos mais simpático que catorze ou dezasseis e tão credível como cinco ou vinte por cento. 
Soluções destas até eu, quase iletrado, encontro com facilidade. De gente como aquela que as propõe, formada nas melhores universidades e uma vida inteira dedicada ao estudo destes temas, esperar-se-ia algo de mais inteligente e inovador. Nunca uma saída que qualquer parvo encontraria. 
De realçar que estas declarações surgem no mesmo dia em que se soube que a Canavilhas, por ordens do chefe certamente, já não vai fazer os anunciados cortes de dez por cento nos subsídios aos artistas. Coisa que, tanto quanto se sabe, não mereceu a discordância dos que querem roubar ainda mais os funcionários públicos. Não admira. É normal que os palhaços prefiram o circo mesmo que o povo não tenha pão.
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Puta que os pariu

por Kruzes Kanhoto, em 13.07.10
Puta que os pariu
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