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Kruzes Kanhoto

Ainda que todos, eu não!

Kruzes Kanhoto

Ainda que todos, eu não!

Sinalização tuga

Kruzes Kanhoto, 25.06.10
Não deixa de ser irónico que o automobilista tuga, sempre pronto a não ligar nenhuma a um insignificante sinal de estacionamento proibido, nutra um profundo respeito por um balde, um caixote ou outro qualquer objecto estrategicamente colocado como forma de reservar determinado local. Por incrível que pareça ninguém os desvia para estacionar o carrinho ou, sequer, lhes dá um pontapé. 
Talvez não seja má ideia os serviços camarários, em lugar de gastarem pequenas fortunas em material de sinalização, passarem a utilizar este tipo de apetrechos. Para além do evidente êxito no cumprimento da sua missão, esta técnica de regulação da circulação rodoviária permitirá recuperar materiais e diminuir a quantidade resíduos.
A sua utilização poderá mesmo ser ponderada noutras circunstâncias. Os chamados monstros, sofás por exemplo, seriam óptimos substitutos para os sinais de trânsito proibido. E assim por diante. Era só uma questão de imaginação. Coisa que, como se sabe, não falta.

Pinturas

Kruzes Kanhoto, 23.06.10
Como escrevi aqui à atrasado dediquei-me à pintura. Não é para me gabar mas tenho jeito para a coisa. A prova disso é que, quase em simultâneo, consigo pintar na horizontal e na vertical. Que é como quem diz, o pavimento e a parede ao mesmo tempo. E só não digo queda porque a chaminé e toda a envolvente do telhado ainda não estão completamente pintadas. Não vá o diabo tecê-las. Ou pintá-las, sei lá. É que não me sinto por aí além muito confortável em locais com um nível de elevação significativa relativamente ao solo. Ou seja, tenho um medo do caraças das alturas. Agora que penso nisso, esse será provavelmente o motivo porque um dos meus lemas é que um homem não deve subir mais alto que a altura de uma mulher. Quando ela está deitada.

O café da discórdia

Kruzes Kanhoto, 23.06.10
Desconheço em absoluto o que terá levado o presidente da Câmara de Faro, Macário Correia, a implementar medidas tendo em vista limitar o tempo despendido pelo funcionários daquela autarquia nas pausas para o café. Ainda assim - e porque, como dizia o outro, já cá ando há muitos anos a virar frangos – não me é difícil adivinhar o cenário que conduziu a esta tomada de posição.
Mesmo admitindo que existam abusos da parte de um número significativo de funcionários – coisa em que sou o primeiro a acreditar – não deixo de considerar esta medida como meramente populista. Isto para usar um termo tão do agrado dos políticos quando em causa estão os seus privilégios. E populista porque se o homem estivesse mesmo preocupado com a produtividade, os processos em atraso, ou lá o que argumenta, chamaria os prevaricadores e confrontá-los-ia com a necessidade de mudarem de hábitos. E, caso isso não acontecesse, seria ele a fazê-los mudar de emprego. 
Por outro lado - da leitura dos relatos disponíveis na internet sobre esta matéria nada é possível concluir - desconheço se esta restrição apenas  visará os funcionários administrativos  e técnicos que trabalham no edifício dos Paços do município, ou, pelo contrário, se aplicará às empresas municipais e restantes trabalhadores dos serviços operativos da autarquia. Não se aplicando, significa que os operários das diversas artes poderão continuar a fazer a sua vidinha. E se tiverem o mesmo comportamento dos seus colegas de outras localidades poderão calmamente continuar a emborcar cerveja e a despejar garrafas de vinho pelos cafés e esplanadas da cidade. Mas, quanto a esses, não tem importância. Pelo seu trabalho poucos eleitores cidadãos nutrem inveja suficiente para ir buzinar queixinhas aos ouvidos de qualquer Presidente. Nada que não se veja, portanto, em mais trezentos e sete municípios... 
Claro que o ilustre edil, preocupado como estará com o controlo e redução de custos, podia optar por coisas de maior significado. Reduzir as despesas de funcionamento do seu gabinete, por exemplo. Que, a fazer fé na exactidão do Orçamento daquele município para o ano corrente, ascendem a nove milhões seiscentos e vinte cinco mil euros. Dos quais um milhão seiscentos e sete mil para pessoal e quatrocentos e treze mil para estudos, pareceres, projectos e consultadoria. Mas isso sou eu, armado em populista e alarve, a dizer.

Foi do calor...

Kruzes Kanhoto, 21.06.10
Destruir equipamentos públicos é um desporto muito apreciado – e também praticado – por alguns portugueses. Não percebem os pobres coitados que estão a danificar aquilo que é deles e, por essa forma, a contribuir para o empobrecimento do país. E também do deles. Infelizmente quem assiste a este tipo de ocorrências, quando se dá o acaso de alguém assistir, prefere não ligar, afastar-se e, sob o pretexto de não querer arranjar complicações, não intervém, não denúncia e assobia para o lado como se não fosse nada com ele. 
Reconheço que, ainda que alguém tivesse a atitude cívica de denunciar estes actos de vandalismo junto de quem compete zelar por estas coisas, as consequências para o energúmeno seriam nenhumas. Quem o fizesse, até era capaz de ficar mal visto por ir dar trabalho e causar chatices, porque é muito mais fácil, e significativamente mais barato, substituir uma peça como aquela do que punir quem a danificou.

Estacionamento tuga

Kruzes Kanhoto, 20.06.10
A placa está lá e não deixa margem para dúvidas. É proibido estacionar em todo o comprimento da rua Victor Cordon. Ou seja, desde o sinal até às portas de Santo António. Pode argumentar-se, para justificar este comportamento, que o sinal está desajustado da actual realidade e que ainda vem do tempo, já longínquo, em que a dita rua tinha trânsito nos dois sentidos. Pode. O pior é que a sinalização é para cumprir desde o momento em que é colocada até que seja retirada. Por mais estúpida ou desajustada que se revele. Veja-se, para não ir mais longe, o caso dos bairros da Salsinha, Monte da Razão e Quinta das Oliveiras em que um grupo de idiotas resolveu que a circulação se faria apenas num sentido em todas as ruas. 
No caso da Victor Cordon, rua com alguns cafés e casas comerciais, apenas deviam ser autorizadas paragens para cargas e descargas. Quem vai beberricar um café ou pagar uma conta em atraso, pode perfeitamente estacionar a sua viatura no Rossio Marquês de Pombal que, recorde-se, diz que é o maior parque de estacionamento do país dentro de uma cidade e fica a não mais de cinquenta metros. Embora, convenhamos, isso seja uma distância considerável para o tuga. É coisa para o cansar e até prejudicar a sua perfomance na caminhada do lusco-fusco. 
Obviamente que a comodidade de uns representa o transtorno de outros. É o caso dos passageiros dos autocarros que tem aqui uma paragem forçada e que, em certas ocasiões, chega a ser de largos minutos. O tuga automobilista nem sempre é lesto a movimentar o tuga-móbil e, quando o faz, ainda resmunga por o estarem a incomodar. Uns chatos, estes gajos,  que não respeitam o direito adquirido do tuga estremocense de estacionar onde muito bem lhe apetece.