Os donos de vídeos clubes, preocupados com a perda de clientes e a consequente quebra do negócio, encontraram uma original forma de protesto. Juntaram-se na via pública e vá de desatarem a fazer downloads de filmes para provarem que o combate à pirataria não existe e esse facto constitui a principal ameaça para sobrevivência dos seus estabelecimentos.Embora até admita que os dinâmicos empresários da área “videoaluguer” possam ter alguma razão de queixa da concorrência dos novos meios ao dispor de cada vez mais gente – viva o choque tecnológico e o divino Sócrates que o promoveu – não me parece nada bem esta forma de luta. Protestar contra a proliferação de um crime e a alegada displicência das autoridades, cometendo o mesmo crime que queremos que as autoridades alegadamente displicentes combatam, não me parece nada bem.Pretenderá esta classe empresarial que, visando proteger os seus interesses, seja instituída uma espécie de policia dos costumes que trate de impedir o acesso a conteúdos que são disponibilizados na rede e alojados em servidores situados sabe-se lá aonde. Ou, quem sabe, se isso não for suficiente para a rentabilidade do seu negócio, proibir até a gravação caseira dos filmes transmitidos pelas televisões. Talvez fosse apropriado, digo eu, seguir o conselho da novel Ministra do Trabalho e olhar para as novas tecnologias com um olhar refrescante!
Isto de opinar também cansa. Principalmente quando os objectivos estabelecidos ficam longe, muito longe, de ser atingidos. Ainda que as opiniões não sejam grande coisa - a maior parte das ocasiões não passam de devaneios pouco sérios, coisa para que os leitores estão devidamente alertados pelo lema do blogue – começa a aborrecer-me seriamente a fraca visibilidade conseguida ao fim de todo este tempo de existência.Naturalmente que, atendendo ao tipo de escrita e de conteúdos, nunca perspectivei que este espaço obtivesse um sucesso por aí além mas, apesar disso, cheguei a considerar perfeitamente natural que, ao fim de quase dois anos de existência, passassem diariamente por aqui muito mais do que cem ou duzentos visitantes. O que nem constituiria proeza de espantar se atendermos às audiências conseguidas por uns certos blogues que ninguém lia e que existiram até há pouco tempo.Com muitos ou pouco leitores o Kruzes continuará a existir e a manter a mesma linha “editorial”. Ainda que isso acabe por dar razão a quem afirma que “um blogue sem leitores não passa de um acto de masturbação intelectual”.
Em diversas ocasiões manifestei nas páginas deste blogue a minha concordância com a legalização do casamento entre pessoas do mesmo sexo. Socorri-me para isso de argumentos que, passe a imodéstia, considero muito mais válidos e pertinentes do que os utilizados pelos entusiastas e militantes dessa causa que, na esmagadora maioria dos casos e apesar dos floreados de linguagem, se traduziam em português médio por “isso é lá com eles” ou, ainda mais simplórios, por um infantil “porque sim”.Cheguei, inclusivamente, a declarar que se devia ir mais longe e redefinir o conceito de casamento como um “contrato entre pessoas que pretendem constituir família mediante uma plena comunhão de vida”, ultrapassando assim a barreira discriminatória e o entendimento reaccionário de família que limita a duas a possibilidade de contrair matrimónio. Uma aberração legal que nem as mentes espectacularmente iluminadas de uma certa intelectualidade ousa questionar. Vá lá saber-se porquê.Já relativamente à adopção manifesto algumas reservas. Por um lado é verdade que há muita criança institucionalizada, ou a viver com toda a espécie de tarados, que seguramente estaria muito melhor se entregue aos cuidados de quem lhe pode proporcionar uma vida digna. Como será o caso de algumas parelhas constituídas por duas pessoas do mesmo sexo.Também não me choca por aí além se, no futuro, uma criancinha filha adoptiva de uma dessas parelhas quando chegar ao jardim-de-infância quiser, se for menina, ter outra menina como “namoradinha” ou, no caso de um menino, fazer festinhas às pilinhas dos outros meninos. Quando muito aumentará o número de arranhões e nódoas negras, mas não será isso que me demoverá de considerar como boa a extensão deste direito a toda a gente.A este respeito tenho apenas algumas dúvidas se estaremos a acautelar a felicidade das gerações futuras ao permitir a adopção de crianças por parelhas constituídas por duas mulheres. Sinceramente hesito. Devo lembrar que estas crianças têm direitos. Nomeadamente a, quando chegar a altura, também elas constituírem família. E será que, posto perante a perspectiva de vir a ter duas sogras, alguém estará disposto a casar com elas? Tenho as minhas reservas. Não me parece que em nome de caprichos presentes se deva hipotecar ou colocar em causa direitos futuros. Sim porque se alguém - paneleiro, fufa ou com outra orientação menos normal - me vier dizer que até gostava de ter duas sogras é, com certeza, um grande mentiroso.
Não consigo evitar um sorriso trocista sempre que ouço uma peixeira mais indignada assegurar que a nossa sardinha – a portuguesa – é que é boa. Nada que se compare à sardinha espanhola que, garantem, é uma verdadeira porcaria. Afinal parece que estava enganado. A prová-lo, ao clupeídeo marítimo que escolhe as nossas águas para navegar e que por cá acaba por morrer, foi hoje, após um processo que demorou quase ano e meio de aturados estudos, atribuída a certificação de qualidade que garante que o dito peixinho é mesmo bom.A dúvida que me atormenta é como ter a certeza que as sardinhas agora certificadas passam a vida nas águas portuguesas. É capaz de ser um trabalho difícil mas alguém terá de o fazer. Importa, de agora em diante, garantir que nenhuma delas ultrapassa a fronteira e se deleita em navegações mais que suspeitas pelos mares castelhanos antes de ser capturada pelas redes de um qualquer pesqueiro português. Para isso conto com a honestidade dos nossos pescadores e com a perspicácia das nossas peixeiras. Serão peças fundamentais para a realização de um controlo eficiente que assegure que nenhuma sardinha pôs guelra em água espanhola. Ou lá se vai a certificação de qualidade. Que, como toda a gente sabe, é uma coisa muito importante. E também muito cara, diga-se.
Condutor que nunca estacionou em cima de uma passadeira, que não tenha passado com o sinal vermelho ou que nunca cometeu uma outra qualquer espécie de transgressão, que mande a primeira buzinadela. Reinaria, tenho a certeza disso, o mais absoluto silêncio nas estradas portuguesas…Não é que me admire, de tão frequentes, qualquer um destes atropelos ao código da estrada. Não esperava, era vê-los em simultâneo. E, atente-se em pormenor na fotografia, no caso em apreço nenhum dos prevaricadores teria necessidade de cometer nenhuma destas infracções. A carrinha branca tem espaço mais do que suficiente para estacionar antes da passadeira e o pesado de mercadorias, que passou com o semáforo no vermelho, já tinha pela frente pelo menos uma viatura vinda em sentido contrário a sair das Portas e perfeitamente à vista do condutor.
São vários os temas que mereceram hoje um inusitado destaque nos noticiários radiofónicos e televisivos. Hesito entre pronunciar-me sobre as declarações de Pinto da Costa, o escândalo sexual que alegadamente envolve a mulher do primeiro-ministro irlandês e as previsões do Banco de Portugal relativamente ao crescimento económico para 2010.Acerca do que disse o Presidente do clube de futebol do Porto não me apetece escrever grande coisa. O homem falou de coisas estranhas que tem ocorrido ou que estarão para ocorrer e deixou no ar a insinuação que haverá resultados desportivos que estarão a ser fabricados. É possível que sim. Destas coisas sabe ele melhor do que ninguém e, a nível futebolístico, os resultados dos últimos trinta anos são a melhor prova disso.Escândalos sexuais também não são para aqui chamados. A senhora terá resolvido enrolar-se com um jovem que podia, pela tenra idade, ser seu neto e agora o marido suspendeu o mandato por uns tempos para ver se consegue salvar o casamento. Pois. O curioso da coisa é que se trata do chefe do governo que aprovou a lei, recentemente entrada em vigor, que pretende punir a blasfémia. O que é que tem uma coisa a ver com a outra? Assim de repente não me lembro de nada. A não ser que o diabo também tem cornos.Sobre as previsões do Banco de Portugal quanto ao comportamento da economia também não me agrada dissertar. Ainda há seis meses previa um crescimento negativo de 0,6 por cento – ainda estou para saber como é que algo cresce negativamente – e agora já acredita que, afinal, a economia portuguesa vai crescer 0,7 por cento em 2010. Não me alongo em considerandos acerca do assunto, mas tiraria o meu chapéu, se o usasse, a este nível de coerência e ao grau de credibilidade que elas transmitem.Perante notícias como estas fico sem palavras para escrever. O que, no caso, é bom. Ao ouvi-las começo a pensar que este é um blogue sério. Credível, até.
Edifícios magníficos, como este, não merecem o estado de abandono e degradação em que se encontram. Os factores que contribuíram para o actual estado de coisas – neste e em milhentos outros casos pelo país inteiro – são muitos, a maior parte conhecidos e poucas vezes de fácil resolução pelos proprietários. Que, diga-se, nem sempre são os principais responsáveis por os prédios se encontrarem neste triste estado.Num ano em que o Estado gastou larguíssimos milhões de euros a apoiar empresas, sob o pretexto do combate à crise e às suas consequências, sem que dessa fabulosa injecção de dinheiro público se assistam a resultados palpáveis, parece cada vez mais evidente que se perdeu uma oportunidade histórica de recuperar as nossas cidades. Mesmo que não fosse necessário recorrer a uma espécie de nacionalização de todos os edifícios degradados – embora o governo tenha nacionalizado um banco em avançado estado de degradação – haveria de se encontrar uma qualquer solução que permitisse ao Estado promover a recuperação de muito património edificado. Constituiria uma opção geradora de emprego e que, seguramente, dinamizaria muito mais as economias locais do que empreendimentos megalómanos ou alguns apoios que começam a suscitar dúvidas e sobre os quais ainda muito se há-de ouvir falar. Com a inegável vantagem de, passada a crise, voltarmos a ter as nossas cidades devidamente arranjadas e bonitas.Neste edifício funcionou até ao final dos anos oitenta uma das mais afamadas e finas mercearias da cidade. Frequentada por clientela distinta e onde maltrapilhos como eu não eram bem vistos. Recordo-me de, na única vez que lá fui, apenas terem recebido um cheque como meio de pagamento das minhas compras – algumas garrafas de vinho do Porto – porque um outro cliente, que não conheci de lado nenhum, garantiu que eu não era gajo para andar a passar cheques carecas. Devia estar farto esperar na bicha da caixa…
Segundo um estudo de uma conceituada - mesmo que não seja tida em grande conta convém sempre salientar este aspecto, para dar um ar de credibilidade - revista internacional, Portugal é um dos melhores países do Mundo para viver. O país surge em vigésimo primeiro lugar da tabela e, para espanto de muita gente, à frente de países como o Reino Unido, Grécia, Eslovénia, Mónaco, Suécia, Polónia e mesmo o Japão.A análise resulta da média de um conjunto de indicadores e foi, com toda a certeza, realizada tendo por base aturados, sérios e competentes estudos científicos. Nem outra coisa será de esperar de quem se dá ao trabalho de publicar uma lista. Seja ela de que tipo for. Não vou por isso questionar o posicionamento de Portugal no referido ranking. Até porque vivo numa cidade onde empregadas domesticas vão de Mitsubishi Strakar para casa das patroas e empregadas de café se deslocam para o trabalho num daqueles jipes que custam várias dezenas de milhares de euros.
São cada vez mais as vozes que manifestam o seu cepticismo relativamente às teorias catastrofistas acerca do aquecimento global. Há mesmo quem considere que estamos perante um mito sustentado por interesses nem sempre transparentes e que mais não visa do que dar dinheiro a ganhar a muita gente.Não sei se é assim ou não. Para além de não possuir conhecimentos científicos que me permitam ter uma opinião fundamentada, o assunto não faz parte do meu top ten de preocupações. Até porque, se as previsões mais pessimistas se concretizarem, quando a vida se tornar insustentável no planeta já por cá não andarei e, pelo rumo que o mundo leva, a Terra por essa altura não será, medido pelos padrões da sociedade actual, um lugar agradável para viver.Sei apenas que está um frio do caraças e que um pouco mais de aquecimento, que nem precisa de ser global basta apenas regional, não fazia mal nenhum mal. Um grau negativo não é temperatura que se apresente. Nem no Alentejo onde estas coisas, mesmo não sendo novidade, não acontecem todos os invernos.
Até agora um gajo apenas podia casar com uma gaja e a uma gaja só era permitido casar com um gajo. O que era claramente limitador, tratava-se de uma restrição inadmissível da liberdade individual e revelava-se uma intolerável ingerência na intimidade de cada um. Depois de muitas lutas e manifestações em que a principal palavra de ordem foi “eu amo quem quiser…” isso vai, finalmente, mudar. Dentro de pouco tempo um gajo já vai poder casar com outro gajo e uma gaja com outra gaja. Para além de, pelo menos por enquanto, ainda ser possível um gajo casar com uma gaja e uma gaja com um gajo.Como já escrevi noutras ocasiões, embora não esteja completamente em desacordo com este significativo avanço civilizacional - também alinho com o “isso é lá com eles”, o argumento mais utilizado para defender a alteração do conceito de casamento - parece-me que ainda não se foi suficientemente longe na defesa dos direitos humanos e no combate a discriminações perfeitamente injustificadas. Não se vislumbra, em pleno século vinte e um, motivos suficientemente válidos para continuar a criminalizar, por exemplo, a poligamia. A limitação legal do casamento a duas pessoas constitui uma violação de vários direitos – e até um repugnante desprezo pelas tradições culturais de outros povos que vivem entre nós – para além de ser manifestamente errada por limitar o âmbito familiar a escasso número de indivíduos. Dois ou três, na maioria dos casos. Afinal, apesar de tanto alarido, a alteração promovida pela esquerdalha pouca coisa mudou. Poderá dizer-se que apenas aumentou o leque de escolha. Verdadeiramente liberal e modernaço era um gajo poder casar com duas ou mais gajas, três gajas poderem casar com quatro ou mais gajos, cinco gajos – ou gajas - casarem entre si e por aí adiante. Isso sim, é que era. E façam favor de não me contrariar porque tenho dois argumentos irrefutáveis. “Isso é lá com eles”, e “eu amo quantas quiser”.