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Kruzes Kanhoto

Ainda que todos, eu não!

Kruzes Kanhoto

Ainda que todos, eu não!

Mais uma espécie de negacionistas...

Kruzes Kanhoto, 04.12.22

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Há piadas que se fazem sozinhas. Como esta. Nem vale a pena acrescentar seja o que for. Fazê-lo implicaria o risco de estragar a piadola.

A imagem consta de um folheto criado por uma universidade brasileira que tem como finalidade alertar para a prevenção do cancro da próstata. Logo o conteúdo é manifestamente desajustado, chamemos-lhe assim. É tramado, mas por mais voltas que queiram dar a natureza é o que é. Quem não percebe é burro. Ou burra.

Como sempre digo, tenho o maior respeito por uma pequena franja da população afligida por esta terrível doença do foro psiquiátrico. O que me irrita é a tentativa de controlo da linguagem com intenção de a impor à realidade. Coisa que – bem como aqueles que se dedicam a essa prática – me merece o maior desprezo.

Inquietações deveras inquietantes

Kruzes Kanhoto, 03.12.22

 

E pronto, é com isto que por cá nos preocupamos. Casas de banho e bichos. E bichas, que essa coisa da inclusão deve ser sempre incluída na conversa quando se abordam estes assuntos, não vão as cadelas sentirem-se discriminadas.

Não conheço ninguém que se queixe destes problemas. Nem, sequer, fora do espaço mediático ouvi quem quer que fosse lamentar-se relativamente as estes temas. Também, tanto quanto sei, ninguém até agora deixou de arrear o calhau por as casas de banho serem como sempre foram. Mas, se calhar, anda para aí gente a padecer de obstipação por não cagar no sitio certo.

Por mim podem fazer os cagadouros e mictórios que quiserem, destinados ao público que muito bem entenderem. Numa hora de aflição, garanto, entro no primeiro que encontrar. Até porque, se estas ideias parvas forem aplicadas, quando identificar o que se me adequa pode já ser tarde demais.

Quanto a isso dos animais na Constituição é só mais uma idiotice. Se puseram lá que o objectivo era o caminho para o socialismo também podem declarar que todos os animais são iguais. Se assim for, podemos celebrar o triunfo dos porcos.

É um gosto vê-los comer...benza-os Deus!

Kruzes Kanhoto, 01.12.22

Fico ainda mais rabugento do que o habitual quando não bebo o meu cafezinho a meio da manhã. E impaciente, também. Nomeadamente quando, como hoje, o atendimento no estabelecimento escolhido para o efeito demora mais do que o razoável. Um casal daqueles mais desfavorecidos, acompanhado dos seus dois pirralhos extremamente mal educados, estava à minha frente na fila e não havia maneira de se dar por satisfeito. Queriam tudo e mais alguma coisa. Para ambos, para os pirralhos com falta de educação e “para levar”. Não vi a conta – a bem dizer já nem via nada à frente – mas calculo que daria para o meu cafezinho durante um mês inteiro e ainda sobrava.

Não tenho, tirando a impaciência da espera, nada a ver com o que gastam nem com a maneira como gastam. Não é, sequer, esse o ponto. O que me aborrece é aquela malta que enche a boca de “social”. Aqueles que insistem em distribuir o dinheiro que não lhes pertence por pessoas que não o sabem gerir. No fundo são iguais. Quer os que “dão” quer os que recebem, ninguém faz grande parcimónia com o dinheiro que não lhes custa a ganhar. Depois queixem-se dos populistas e não sei mais o quê...

Benfazejos

Kruzes Kanhoto, 29.11.22

Por todo o país multiplicam-se o apoios aos – e cito – mais desfavorecidos. O que não deixa de constituir um conceito que, para lá de outras coisas, se afigura absolutamente estúpido. Questiono-me se, desse ponto de vista, todos os demais serão favorecidos. Porquê e em quê é que nunca se esclarece. Pode não ser uma questão especialmente relevante, mas, já que felizmente me incluem no número dos bafejados pela sorte, gostava de saber a quem agradecer o favor.

Todos os dias são inventados novos subsídios e novas maneiras de distribuir dinheiro. Até parece uma competição para ver quem tem a ideia mais escabrosa. Vale tudo. Até dar dinheiro para comprar casa. Ou seja, premiar o risco. Quem comprou a pensar naquilo que efectivamente pode pagar, ponderando uma eventual subida dos juros, esse, que pague e não chateie. Bem feita. Ninguém o manda ser previdente. E, no entender desses benfazejos, um favorecido desta vida.

Ainda assim há, reconheço, espaço para ir mais longe nisso dos apoios. Não me parece justo que os desfavorecidos que compraram carro, férias ou renovaram a cozinha à conta de créditos bancários não se lhes aplique tão benemérita medida. Esses e outros, que dos cofres de onde sai este dinheiro há muito para entrar.

Os publicanos do asfalto

Kruzes Kanhoto, 28.11.22

Cerca de doze mil condutores terão sido multados, em poucos dias, por excesso de velocidade. Excluindo os próprios é, para a maioria,  algo muito apreciado. Bem feita, cumprissem a lei, a mim nunca me apanharão numa dessas, é um discurso que ouço com demasiada frequência e indisfarçável desagrado. Face às ratoeiras, quer a nível de sinalização quer do comportamento das autoridades, só por milagre se consegue escapar. 

Esta actuação das policias constitui um assalto ao bolso dos portugueses e não tem nada a ver com segurança. Se a preocupação fosse melhorar a segurança rodoviária e não apenas encher os cofres do Estado, os radares não estariam escondidos, como acontece quase sempre, em locais onde o perigo é praticamente nulo. Para não ir mais longe, socorro-me apenas do caso das estradas municipais onde agora lhes deu para fazer controlo de velocidade, enquanto ignoram o perigo que constituem os javalis. Os bichos são responsáveis por inúmeros acidentes, alguns que resultaram na morte dos condutores, contudo o controlo desta praga continua por fazer. Sendo, até, proibido o seu abate.

Por mim, que também tento não ser apanhado, procuro cumprir rigorosamente a sinalização que vou encontrando. Por mais ridícula que seja. Sim, limites de 70Km/hora, em rectas com boa visibilidade no IP2, é para lá de parvo. Hoje, fazer uma viagem de duzentos e oitenta quilómetros sempre por estradas nacionais demora quatro horas. Poupa-se nos impostos, mas esturra a paciência de qualquer um. Nomeadamente dos desgraçado que têm o azar de ir atrás de mim. Isto apesar de já ter instaladas umas quantas “apps” que me alertam para a presenças desses salteadores. Mas, mesmo assim, nunca fiando.

O pib não interessa nada!

Kruzes Kanhoto, 27.11.22

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Diz que em 2024 também a Roménia nos vai ultrapassar nessa coisa do PIB per capita, ou lá o que é. Nada com que valha a pena preocupar-nos, já me sossegaram. Aquilo é apenas um indicador sem credibilidade. Parece que, no caso presente, essa ultrapassagem não se deve a nenhum aumento de riqueza. Os romenos é que são menos – estão a perder população - e, portanto, o mesmo PIB a dividir por menos tem de, logicamente, dar mais a cada um. Como pouco percebo destas cenas da economia, sou levado a crer na razoabilidade da explicação. Até porque me foi dada por um reputado especialista na especialidade. É socialista, mas isso é só um pequeno pormenor a que nem dou grande importância. Se ele diz que isso do PIB por cabeça não tem nada a ver com riqueza, então é porque não tem e não se fala mais nisso. Além do mais deve ser uma ultrapassagem transitória. Como os nós, os portugueses, também somos cada vez menos, dentro de poucos anos estaremos à frente da Alemanha ou da França. 

Cuidado com a carteira!

Kruzes Kanhoto, 21.11.22

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Dado que o governo inscreveu no orçamento do Estado uma previsão de receita proveniente das multas de trânsito absolutamente astronómica, cabe agora às forças policiais fazer com que a cobrança atinja o objectivo orçamental traçado pela tutela. Vale tudo. Colocam os radares nos locais mais inusitados. Já não lhes chegam as auto-estradas, os itinerários principais ou complementares ou, vá, as estradas nacionais. O desespero para multar é de tal ordem que vão à caça para onde a presa menos espera. Nem as estradas municipais escapam à sanha destes bravos angariadores de receita. Briosos agentes de cobrança da Fazenda Pública, diria. Talvez consigam um louvor, que isto de arriscar a vida a colocar radares atrás de um qualquer sinal limitador de velocidade, não é para qualquer um. 

Para quem não conhece, o radar referido na imagem acima foi colocado numa estrada com pouco trânsito onde, apesar do bom piso, a velocidade máxima permitida em toda a sua extensão é, no máximo, de 60Km/hora com troços em que o limite não vai além de 30 e 40Km/hora. Até parece de propósito...ou, então, é para facilitar o “trabalhinho”.

Afinal (quase) todos gostaram do "enorme aumento de impostos"

Kruzes Kanhoto, 20.11.22

Nunca hei-de entender a estranha relação que os portugueses têm com os impostos. Deve ser problema meu, admito. Mas lá que é uma coisa esquisita, isso é. Por um lado adoram eximir-se ao seu pagamento, mas, por outro, reclamam daqueles que lhes conseguem escapar. Quando, na sequência da intervenção da troika - pedida por Sócrates para salvar o país da falência provocada pela governação do Partido Socialista – foi necessário fazer “enorme aumento de impostos”, toda a gente reclamou. E bem, diga-se. Agora, se alguém se atreve a sugerir a necessidade de uma redução dos mesmos impostos – até nem precisa de ser enorme – é, no mínimo, acusado de ser um perigoso liberal que quer ver destruído o SNS, a escola pública ou o que mais calhar. Só falta aos defensores da elevadíssima carga fiscal acrescentarem que “o Passos é que tinha razão”…

Também esta cena do clima lhes está a afectar a moleirinha. Quase rejubilam por na COP-27 se ter chegado a acordo para a criação de um Fundo qualquer que irá, alegadamente, ajudar os países mais pobres a minorar esta problemática. Não sei se eles sabem quem é que vai pagar. Talvez saibam. Mas, das duas uma, ou não se importam ou acham que conseguem escapar ao seu pagamento. Numa ou noutra circunstância encontrarão sempre um culpado. Qualquer um serve. Menos eles.

Micro especuladores

Kruzes Kanhoto, 19.11.22

Parece que essa ideia tonta de taxar os lucros extraordinários do sector alimentar em 33% sempre vai avançar. Mas só para as grandes e médias empresas de distribuição. As micro e pequenas ficam de fora. Significa isto que a especulação pode ser uma coisa boa ou má, logo punida ou não fiscalmente, consoante a dimensão económica do especulador. Como se isso, para o bolso do consumidor, fizesse alguma diferença. Não é, como já escrevi noutras ocasiões, que me pareça mal tributar os lucros decorrentes da especulação. Mas, no caso, duvido da eficácia da medida, por um lado e, por outro, da sua justiça.

No âmbito da eficácia, desconfio que a cobrança resultante desta taxa será meramente residual. Os grandes grupos da distribuição sabem-na toda no que ao planeamento fiscal diz respeito e só se estiverem distraídos, coisa em que poucos acreditarão, é que serão apanhados na curva. Depois a questão da justiça. Para mim, que a uns pago e a outros dou o dinheiro, não me interessa nada quem é o especulador. Se é para pagar, que paguem todos. Se o gajo das alfaces, só porque sim, aumenta de uma semana para a outra o produto em 25%, então, nessa lógica do lucro extraordinário, também devia ser taxado. Ou, pior ainda, a mulher dos ovos. Sim, porque não me vão querer convencer que o custo de produção dos ovos do campo subiu trinta ou quarenta por cento nos últimos meses. Que eu saiba os “restos”, ervas e pequenos bicharocos que as galinhas encontram no campo continuam ao mesmo preço de sempre.

Jornalixo

Kruzes Kanhoto, 17.11.22

A reportagem da SIC sobre as alegadas actividades racistas nas redes sociais, por parte de cidadãos que por acaso são policias, pode ou não constituir um frete daquela estação de televisão em beneficio de uma qualquer causa da moda. Mas, se alcançou o objectivo junto da opinião publicada, foi um monumental tiro no pé junto da opinião pública. Aí o resultado conseguido foi exactamente o contrário do pretendido.

Deixo de lado a questão do alegado racismo. Nem vale a pena. Quando o jornalista enaltece os “jovens” e outros indivíduos “racializados” pelo facto de serem isso mesmo - “racializados” – está tudo dito acerca da moralidade que aquela gente tem para falar de comportamentos discriminatórios ou linguagem de ódio.

Prefiro salientar a simpatia com que foi apresentado um alegado caloteiro e a forma como, na parte em que falaram dos ciganos de Beja se referiram a uma comunidade de novecentas pessoas onde apenas dois trabalham. Não sei quem é que educou nem que valores foram transmitidos às criaturas que exercem funções na área do jornalismo. Sei é essa não é a educação nem esses são os valores felizmente ainda vigentes maioritariamente na nossa sociedade. A maior parte das pessoas não tem muito apreço por quem não trabalha – os que comem o pão de alguém, como dizia o Aleixo – nem especial simpatia pelo vizinho que não paga as quotas do condomínio.