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Kruzes Kanhoto

Ainda que todos, eu não!

Empatas...

por Kruzes Kanhoto, em 14.07.20

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Há malta quem nem “coisa” nem sai de cima. E depois há a minha vizinhança. Não recicla nem deixa reciclar.

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Deixai arder...

por Kruzes Kanhoto, em 13.07.20

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Uma semana foi o tempo que decorreu entre estas duas imagens. A diferença não é muita, diga-se. Ambas retratam uma realidade deplorável. O facto de ter ardido, no caso, não melhora nem piora o estado de abandono a que esta zona da cidade está votada. É que nem o facto de um dos últimos presidentes – durante vinte, dos últimos vinte seis anos – morar nas cercanias, serviu de alguma coisa. Nunca deve ter reparado, se calhar.

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E em bejecas, dá para pagar quantas?

por Kruzes Kanhoto, em 12.07.20

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A imprensa dá-nos hoje conta que as fraudes com subsídios europeus davam para pagar duas vezes a TAP. É capaz disso. Se o dizem é porque fizeram as contas. Mas, digo eu, quem diz a TAP diz pagar outra coisa qualquer. E, sem grande esforço, todos nos lembramos de várias que já pagámos, andamos a pagar, ou vamos pagar um dia destes. Tal como, pelo menos alguns de nós, também não esquecemos que entre essas fraudes e esses apoios existe muito em comum. Alegadamente, como é óbvio. Só não sei - mas, como dizia o outro, é fazer a conta - quantos apoios á comunicação social daria para pagar. Ou, como noutros tempos, Cristianos Romaldos.

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Profundamente parvos

por Kruzes Kanhoto, em 10.07.20

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Desde que Cavaco Silva – o melhor primeiro ministro que este país conheceu nos últimos cem anos – passou um fim de semana no “Pulo do Lobo” que, a propósito de tudo e principalmente de nada, a rapaziada dos jornais e comunicação social em geral não resiste a usar sempre que pode, a expressão “Alentejo profundo”. Mesmo que pouco ou nada – tirando a parte do Alentejo - tenha a ver com a realidade do local. Coisas da ignorância normalmente associada a quem a usa.

Neste caso o sitio em questão ficará, em linha recta, a uns quinze quilómetros da minha casa. Fico, assim, a saber que moro no Alentejo profundo. Nem vale a pena estar para aqui a dissertar quanto a isso da profundidade. Limito-me apenas a ser tão parvo como os que, sem conhecerem a realidade local, repetem que nem papagaios aquela idiotice só porque sim. Profundas serão as partes pudibundas das respectivas mãezinhas. Que, coitadas, se calhar nem têm culpa das parvoíces ditas/escritas pelas bestas que pariram.

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Arte urbana...

por Kruzes Kanhoto, em 06.07.20

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Que os chafarizes estejam completamente secos não constitui motivo para grande admiração. O tempo em que a água corria em todos eles já lá vai e, a menos que venha para aí um cataclismo qualquer, dificilmente voltará. Do que não havia necessidade era de servirem para deposito do lixo. Uma finalidade pouco digna, reconheça-se. Mas, afinal, ao nível – baixo – dos que lhe dão esse fim. Triste, no caso.

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Nacionalizações

por Kruzes Kanhoto, em 05.07.20

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Acordei, uma destas manhãs, com o rádio a noticiar a nacionalização de duas empresas. Ainda estremunhado olhei para o despertador e a minha primeira reacção foi: “porra, vou chegar atrasado à escola!”. Só sosseguei quando olhei para o outro lado e vi a minha Maria. Afinal não estava em Março de 1975. Nessa altura ainda dormia sozinho.

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A sombra que vem do céu...

por Kruzes Kanhoto, em 04.07.20

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Alentejo não tem sombra

Senão a que vem do céu

Chega-te aqui Maria

Para a sombra do meu chapéu”

Nesta rua, que deve ter para aí uns duzentos metros, não existe uma única árvore no espaço público. É uma mania que, desde há muito, existe por estas paragens. Quem tem poderes de decisão sobre esta matéria deve achar que assim é que é bonito, agradável para passear e sem obstáculos que nos impeçam de visualizar as deslumbrantes paisagens alentejanas. A logística que envolveria o arvoredo, desde a plantação até à manutenção, constituiria, presumo, um problema de monta que justificará esta desolação paisagística. Nomeadamente ao nível da mão-de-obra que seria necessária e que, desconfio, não existirá em quantidade suficiente.

Mas nem tudo é mau. Não temos árvores, mas temos placa toponímica. O que é bom. Nomeadamente para os carteiros. Pena é que dê pouca sombra.

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Nada de pintar a manta...

por Kruzes Kanhoto, em 03.07.20

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As noites vão fresquinhas. Tanto que uma mantinha ao serão dá um certo jeito. Tudo culpa do maldito - espero que isto não seja considerado discurso de ódio - acentuado arrrefecimento nocturno, como lhe chamam os meteorologistas.

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Vem aí a policia da verdade suprema e da virtude...

por Kruzes Kanhoto, em 02.07.20

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Diz que o governo vai monitorizar aquilo a que chama “discurso de ódio” nas plataformas online. Parece até que já estará em vias de dar início à contratação pública de um projecto que vai espiar, acompanhar e identificar sites. Coisa para adjudicar a uma empresa formada para o efeito por especialistas da especialidade provavelmente ligados à causa. Talvez também ao partido, sabe-se lá. Ou, por outras palavras e em linguagem clara, vai reintroduzir a censura. Mas, agora, da boa. Daquela valorizável.

Nada de novo, isto, nem que me surpreenda muito. Não esperava diferente de um país que guinou bruscamente à esquerda e, isso sim, é que me deixa para lá de perplexo. Nomeadamente quando são conhecidas consequências das políticas promovidas por gente desse calibre noutras partes do mundo. E também por cá, diga-se.

Presumo que, entretanto, será determinado o que podemos ou não escrever nas redes sociais. O que poderá suscitar questões deveras inquietantes. Como, por exemplo, se o discurso de ódio pelo discurso de ódio conta como discurso de ódio. Ou, mais importante ainda, quem é que vai escolher o que é, ou não, discurso de ódio. Camaradagem abichadana, frustrados diversos, urbano deprimidos e gente tão burra que apenas conseguiu entrar em sociologia serão, quase de certeza, os comissários da polícia do ódio.

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Gatunagem sofisticada

por Kruzes Kanhoto, em 01.07.20

O “surto” de burlas com o sistema de pagamento MBWay deixa-me boquiaberto. Por todos os motivos. Desde a simplicidade do esquema à facilidade com que as vitimas caem na esparrela. Para não falar dos burlões e dos burlados. Os últimos, os enganados, serão pessoas com algum nível de literacia. Já os alegados burlões serão, ao que parece, gente praticamente analfabeta. Daquela a quem os choninhas do regime classificam como socialmente desfavorecida e para a qual faltam políticas de integração.

O esquema manhoso envolverá compras on-line, telemóveis, multibanco e, se calhar, outras modernices. Longe vai o tempo em que a trapaça pouco mais envolvia do que burros e outros muares. Hoje já não basta apenas um olho. É a evolução dos tempos, do crime e dos criminosos. Até porque o criminoso, neste caso, está longe da vista. Mas, desgraçadamente, demasiado perto da conta bancária.

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Manifestação de tolerância, civismo e democracia...

por Kruzes Kanhoto, em 30.06.20

No meio da manifestação do Chega, no sábado passado, estava um individuo com uma bandeira colorida associada a essa coisa das actividades sexuais alternativas. Ali, especado, em plena avenida e bem no meio dos manifestantes que iam desfilando. Sem que ninguém, segundo relatos insuspeitos, o maltratasse ou evidenciasse intenções de o afastar do local.

Apesar dos elogios que o contra-manifestante tem recebido nas redes sociais, não me parece que tenha sido grande ideia. Por um lado, pela comparação - legitima e que qualquer um pode fazer - com o que eventualmente aconteceria se na outra manifestação contra o racismo um adepto do Chega tivesse tido a mesma ideia e, por outro, por desmentir a convicção que se pretende transmitir de que a malta daquela agremiação é uma trupe de intolerantes, arruaceiros e fascistas do piorio. Veremos se, com aquela atitude, não foi dar argumentos a favor do Ventura...

Seja como for e independentemente das opções políticas, pessoais ou outras que o levaram a tomar aquela atitude, reconheça-se que para fazer o que ele fez é preciso tomates. Sem ofensa.

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Extremismos

por Kruzes Kanhoto, em 28.06.20

A extrema esquerda tem trinta e dois deputados no parlamento e representa, no seu conjunto, mais de dezassete por cento do eleitorado. Coisa que a poucos preocupa. A inquietação do momento, vá lá saber-se porquê, é a extrema-direita. Apesar de ter apenas um deputado e não representar mais do que uns miseráveis 1,6% dos votantes.

Por mais que me expliquem nunca hei-de perceber esta dualidade de critérios relativamente aos extremos do cenário político. Ah e tal, explicam-me com condescendência, a extrema esquerda não é extremista e defende as minorias, enquanto a extrema-direita é extremista e persegue as minorias. Pois. Deve ser, deve. Basta atentar nos modelos de sociedade que PCP e BE preconizam e saber um poucochinho de história ou, simplesmente saber ler. A União Soviética – que o Diabo a tenha - e a China são excelentes exemplos de tolerância e de respeito pelas minorias. A esquerda tem preocupações sociais e defende os mais pobres. Claro, claro, nota-se. A Venezuela, a Nicarágua, Cuba ou a antiga Europa de leste não nos deixam esquecer que a esquerda adora pobres.

Um extremo não é melhor do que o outro. A diferença entre André Ventura, as manas Mortágua, Jerónimo de Sousa e, até mesmo, socialistas de oportunidade como Isabel Moreira ou Pedro Nuno Santos está apenas na boa imagem que a comunicação social transmite dos esquerdistas e na diabolização que faz do primeiro. O resto são tretas. Quem quiser que as compre. Por mim, passo.

 

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O privilégio e a cor da pele

por Kruzes Kanhoto, em 27.06.20

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Ao que leio no Twitter, Isabel Moreira, a escanzelada deputada do Partido Socialista, terá afirmado numa entrevista qualquer, que se sente uma privilegiada por ser branca. A mim, que não sou especialista na especialidade de racismo, parece-me uma afirmação um bocado parva. Embora, desconfio, consensual na parte que toca aos privilégios, ou não tivesse ela as ligações partidárias e familiares que se conhecem. Caso tivesse nascido na Merdaleja e fosse filha do Zé da Égua Manca, ser alva como a cal havia de lhe adiantar uma grande coisa.

Já outra Isabel, a dos Santos, não tem uma tez propriamente clara. Terá no entanto, ao que dizem que eu nunca “lho” contei, uma fortuna considerável. Ainda que, também ao que contam que dessas cenas nada sei, obtida por meios um bocado manhosos. Do que não faltarão certezas é que a senhora será, qualquer que seja o padrão utilizado para a avaliação, uma privilegiada. O que, levando à letra os considerandos da senhora magricela, poderá levar mentes mais sinuosas a conclusões demasiado inquietantes – e também deploráveis - quanto a isso do racismo.

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Tourada de desconfinamento

por Kruzes Kanhoto, em 26.06.20

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A praça de touros cá da terra vai receber a primeira tourada a realizar no pós confinamento. O que constituirá, segundo os organizadores, a reabertura mundial da cultura tauromáquica. Nada que me entusiasme. Nem, tão-pouco, me orgulhe. Causa-me, antes, alguma preocupação. O acontecimento trará à cidade ainda mais gente do que o habitual – sejam aficionados ou amiguinhos dos animais – o que, a juntar aos que resolveram vir para aqui “acampar” durante a pandemia, não augura nada de especialmente bom.

A recuperação do praça de touros foi, na minha opinião de eleitor e contribuinte que gosta de ver dar bom uso aos seus impostos, um dos piores investimentos realizados no concelho com dinheiro público. Por várias razões. Primeiro porque o imóvel tem um valor histórico irrelevante, depois por se tratar de propriedade privada – a transferência para a autarquia durante umas dezenas de anos dá um jeitão à entidade que é dona daquilo – e, finalmente, porque é usada apenas em duas ou três ocasiões por ano. Se, como tudo indica, as touradas acabarem em meia-dúzia de anos é só fazer a conta ao custo de cada uma. Que, recorde-se, não é apenas suportado pelos poucos aficionados locais que frequentam os ditos espectáculos.

O que não se pode quantificar é a má fama que estas iniciativas trazem à cidade. Nem, igualmente, os ganhos para a população se o edifício tivesse sido demolido e, naquele e no espaço envolvente, existisse algo de que todos pudessem desfrutar. Ou, até, nem existisse nada. Não seria pior.

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Um pincel a cada feminista

por Kruzes Kanhoto, em 25.06.20

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A discriminação da moda é o racismo. Mas há outras. As que se queiram, praticamente. Maneiras dos activistas das diversas causas se manifestarem, também. Agora, além das manifestações no sentido clássico, o que está a dar é vandalizar coisas. Escaqueirar ou borrar qualquer cena que incomode as alminhas mais sensíveis, nomeadamente. Por enquanto as principais vítimas têm sido as estátuas que homenageiam figuras ligadas à expansão marítima, aos descobrimentos ou a movimentos com alguma relevância na sociedade como, por exemplo, os escuteiros.

Discriminações, por estes tempos, há muitas. E símbolos a espatifar, também. O machismo e toda a simbologia que para aí há, por exemplo. Parece-me escandalosa a quantidade de desenhos do órgão sexual masculino, que borram as paredes de todos os lugarejos, por contraposição à ausência de pinturas alusivas ao equivalente feminino. Nem consigo perceber a passividade das feministas militantes perante visões desta natureza. Ou andam desatentas ou são demasiado preguiçosas para pegarem num pincel.

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Agricultura da crise

por Kruzes Kanhoto, em 23.06.20

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Feijão verde, alfaces e espinafres. Verdura em demasia para um benfiquista, provavelmente. É a agricultura da crise em tempos de pandemia e os ingredientes para um jantar de desconfinamento...

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Solidarizem-se, porra!

por Kruzes Kanhoto, em 22.06.20

Passou pelos pingos da chuva uma proposta de criação de mais um imposto. Taxa Covid, propõem chamar-lhe e visará taxar os ricaços. Será, segundo a explicação avançada pelos seus proponentes, uma cena fofinha que abrangerá apenas quem tem muito graveto e que nada terá a ver com austeridade. Apenas solidariedade, esclarecem.

Não estivesse eu farto de ser solidário – ando a sê-lo para aí desde 2009 – e ainda era gajo para achar que se tratava de uma ideia simpática. Não soubesse eu que quem ganha pouco mais do que o salário mínimo já é considerado rico, talvez não me parecesse despropositada uma taxazinha qualquer que permitisse minorar o impacto da crise. Se desconhecesse a maneira como o Estado esbanja os recursos que nos saca, era capaz de acreditar que o produto do esbulho proposto não iria parar aos bolsos dos do costume. Fosse eu parvo de todo, talvez acreditasse que isso dos ricos pagarem a crise não acontece apenas no país das maravilhas.

Mas, confesso, essa cena da solidariedade agrada-me. É por isso que via com bons olhos um impostozinho qualquer sobre todos aqueles que se reformaram na casa dos cinquenta anos de idade – ou menos se tiverem sido políticos – e que levaram a reforma completa após trinta e seis anos – ou menos – de serviço. Era capaz de ser justo solidarizarem-se comigo que, após quarenta anos de trabalho, se me aposentar agora ficarei, de acordo com o simulador on-line da CGA, com  uma pensão de quatrocentos e trinta e oito euros e oitenta e um cêntimos. E é porque, parece, não pode ser menos.

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De volta à Figueira

por Kruzes Kanhoto, em 21.06.20

Domingo, dia de sol e algum calor pareceram-me motivos mais do que suficientes para justificar uma ida à Figueira. Logo pela manhã – madrugada, quase – que a Figueira não é já ali. Se bem que, confesso, as expectativas não fossem as mais elevadas. Como, após chegado ao local, acabei por confirmar. Diria, até, que a viagem foi debalde. A passarada chegou primeiro e para eles não há cá essa cena do distanciamento social. Aquilo é tudo ao molho. Daí que o balde tenha voltado meio vazio. Ou meio cheio, dependendo do ponto de vista.

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É urgente financiar também a imprensa estrangeira...

por Kruzes Kanhoto, em 19.06.20

Os países que reabrem as suas fronteiras estão a deixar de fora os portugueses. Não nos querem lá. Por causa do vírus chinês que não há maneira de nos largar, alegam. Coisa que, compreensivelmente, está a causar enorme irritabilidade no governo e na sua imensa legião de apaniguados nas redes sociais. De facto não se compreende como é que no estrangeiro não sabem do enorme sucesso que Portugal tem tido no combate à Covid. Um caso de estudo, até, tal é a eficácia que temos demonstrado na aniquilação do bicho. É o que dá esses decisores lá da estranja não verem os telejornais dos canais tugas. Nem, ao menos, lerem o Público.

Mas, por outro lado, não se percebe a irritação governativa. Vendo bem estas restrições até vêm mesmo a calhar. Assim, se ninguém nos quer receber lá fora, mais portugueses ficam cá dentro a gastar os euros que esbanjariam noutras paragens.

Mais parva ainda é a ideia de retaliar. Ou seja, não deixar entrar em Portugal os residentes em países que não deixam entrar portugueses. Parva e estúpida, acrescente-se. Principalmente agora, que andam os estarolas todos – inclusive o estarola-mor - entretidos na caça ao turista...

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Agricultura da crise

por Kruzes Kanhoto, em 18.06.20

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Estamos em plena época de morangos. Estes não têm as dimensões gigantescas dos que se vendem nos supermercados e afins. Cá, na agricultura da crise, não se usam daqueles produtos esquisitos que fazem as coisas aumentar de volume. Nem de outras, a bem dizer. É que nem estrume, ou qualquer outra espécie de fertilizante, os desgraçados dos morangueiros apanham. Culpa do malvado compostor – oferta da empresa de gestão de resíduos da região – que parece ter uma fome absolutamente insaciável. Ando há seis meses a “alimentá-lo” e, para além de nunca mais ficar cheio, produzir um composto capaz de fertilizar o quintal afigura-se como uma realidade ainda distante. Por isso, para plantas que sobrevivem num solo de barro quase compacto, até estão muito bons.

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