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Kruzes Kanhoto

Ainda que todos, eu não!

Kruzes Kanhoto

Ainda que todos, eu não!

Inimputabilidades

Kruzes Kanhoto, 13.05.21

Enquanto adepto de futebol e fervoroso benfiquista percebo perfeitamente todas as emoções daqueles que se acabaram de sagrar campeões após quase duas décadas de jejum. Muitos nunca antes tinham visto o seu clube ganhar o campeonato. Outros já nem se lembravam e a esmagadora maioria, mesmo entre os de idade mais avançada, apenas ocasionalmente teve oportunidade de celebrar uma conquista desta grandeza.

É por isso que não os culpo pelos ajuntamentos. Nem, se as houver, pelas consequências. Há, apenas, uma ou outra coisinha que me está cá a irritar. Ainda que apenas ligeiramente e nem todas, diga-se, ao mesmo nível. A primeira é aquela lengalenga do “se fosse com outros era a mesma coisa”. Nunca saberemos. Mas, o ano passado, também houve quem festejasse a vitória no campeonato e não se viu nada disto. É verdade que é malta habituada a ganhar, mas mesmo assim... Depois aquela história de, como sempre, o Cabrita nunca ter culpa de nada. É inimputável, o homem. Culpa-se a policia e fica o assunto arrumado. A ele é que ninguém o arruma.

"Sempre juntos" ? Bom... depende!

Kruzes Kanhoto, 12.05.21

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Sempre juntos, o tanas. Juntos em quê? Juntos com quem? Sempre juntos é, obviamente, uma expressão que não significa nada, não quer dizer porra nenhuma e quem a promove sabe muito bem que não quer estar assim tão junto de tudo e todos. De  alguns desejará mesmo manter uma razoável distância. Quererá, acredito, estar junto de alguém ou de alguma coisa. Mas isso também eu. Pode é não ser o mesmo alguém ou a mesma coisa. Seguramente não será. É por estas e por outras que vou queimar o cachecol.

Agricultura da crise

Kruzes Kanhoto, 11.05.21

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As condições climatéricas não têm sido as mais favoráveis para a agricultura da crise. Diz que este tempo é especialmente adverso para os tomates. Parece que são um bocado friorentos e não apreciam frio nem chuva. Tal como o pimentão, que já sofreu algumas baixas. Mesmo o feijão, apesar de mais crescido, também aparenta ressentir-se de toda esta frialdade. Cebola, morangos e ervilhas é que não se queixam. Depois há uns exemplares únicos de outras espécies ainda indecisos quanto à sua sobrevivência. Já de toupeiras não tem havido sinal. Às tantas aquelas cenas que estão por ali espetadas resultam mesmo.  

Continuamos a querer acabar com os ricos...

Kruzes Kanhoto, 10.05.21

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De acordo com os números que têm sido divulgados pelo fisco, haverá em Portugal cerca de cinquenta e duas mil famílias com rendimentos superiores a cem mil euros anuais. Apenas. Mas os invejosos do costume não tardaram a ir para as redes sociais destilar ódio e ignorância. Acham, na sua imensa estupidez, que ninguém devia ter rendimentos desse montante. Ou seja, na melhor tradição socialista, devíamos todos ganhar igualmente pouco.

Estes números são, de facto, geradores de inquietação. Muita, até. Mas só por serem escandalosamente baixos. O número de famílias a auferir valores desta grandeza – grandeza é uma maneira de dizer, pois nem são nada de por aí além - devia ser bastante superior. Mas, infelizmente, esta é a mentalidade dominante. Muita mesquinhez e inveja. Vamos longe, assim.

A cabritada

Kruzes Kanhoto, 09.05.21

Tirando um ou outro mais empedernido indefetível esquerdista ou apoiante do governo – o que é quase a mesma coisa – já toda a gente concluiu que o assunto do surto de Covid de Odemira foi tratado com os pés. Ou com os cornos, se olharmos ao nome de um dos maiores trapalhões que alguma vez passou por ministro. Nada daquilo, desde a requisição civil até levantar pessoas da cama às quatro da manhã, seria necessário se o assunto tivesse sido tratado por responsáveis dignos dessa condição.

Mas, por outro lado, ainda bem que houve toda esta confusão. O debate ideológico suscitado por mais esta trapalhada – são tantas que o Santana Lopes ao pé desta gente é um menino – foi deveras esclarecedor. Nomeadamente por, entre outras coisas, ficarmos a saber que, afinal, para muitos portugueses a propriedade não é assim um direito tão importante, que o Estado pode e deve fazer o que dê na realíssima gana aos que circunstancialmente ocupem o poder e que os ordenados – além do mínimo, naturalmente - não devem resultar de um conjunto de factores entre os quais se incluem as regras de mercado. Provavelmente, foi só o que faltou, os preços também não. Diz que nos regimes comunistas, aqueles para onde ninguém emigra e de onde todos fogem, também é assim.

Toda esta história, confesso, me deixou um pouco nostálgico. Quase me corria uma lágrima, até. Lembrei-me dos hippies esquerdistas dos anos setenta do século passado que iam para os kibutz’s apanhar fruta à borla e dormiam em palheiros. Já ninguém honra a sua memória.

Não há bazucas grátis

Kruzes Kanhoto, 08.05.21

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Ando há anos a dizer isto. Nem é preciso ser muito esperto para se chegar a esta conclusão. Pelo contrário. É preciso ser muito burro para não perceber. Não tenho como discordar que foi o muito dinheiro oriundo da União Europeia que permitiu criar muitas das infraestruturas que temos hoje ao nosso dispor. Mas, também, apenas um tolinho não perceberá que muito desse dinheiro se destinou a esturrar em inutilidades, a satisfazer egos de autarcas, a criar encargos que agora nos custam os olhos da cara e, entre muitas outras coisas, a contribuir para uma gigantesca divida que mais tarde ou mais cedo alguém terá de pagar.

Claro que esse dinheiro criou riqueza. Muita, até. Basta pensar em determinados figurões para desconfiarmos que é capaz de ter ali havido mãozinha de fundo comunitário a envolver a melhoria da qualidade de vida. Não admira, por isso, que tantos se babem com a perspetiva de meter a mão na bazuca. Nós, como sempre, estaremos cá para apanhar com os estilhaços.

Empreendedores patifórios

Kruzes Kanhoto, 07.05.21

Tenho especial apreço por gente empreendedora. Daquela que faz pela vidinha. Por cá temos muito disso. Uns alegadamente e outros nem tanto. Num primeiro grupo estará incluída uma certa malta que resolveu empreender na área informática. Nomeadamente no âmbito da vigarice com o Mb Way. Aquilo, diz, ali para os lados do resort eram empresas familiares até mais não. Todas, alegadamente, com enorme sucesso. As burlas, ao que consta, eram umas atrás das outras e os proveitos ter-se-ão multiplicado. Até que os desmancha-prazeres entraram em cena e o negócio foi por água abaixo.

Na sequência de tudo isto, Estremoz é, por estes dias, um lugar a evitar. Os dinâmicos empreendedores têm estado a ser ouvidos no tribunal cá do sítio, o que tem suscitado uma imensa romaria de familiares e amigos. São mais que muitos e estão por todo o lado. Incomodam, deixam tudo sujo e dão uma péssima imagem da cidade a quem nos visita. Uma vergonha, como diria o outro. E devem estar todos de férias ou coisa parecida. São às centenas os calmeirões esparramados pelas esplanadas e bancos de jardim ou espojados pela relva. Mais valia terem deixado as criaturas continuar na sua vidinha de patifório. Só caía que é parvo, possivelmente iam conseguir roubar o suficiente para comprar uma casinha e, assim, poupar uma dezena de milhões de euros aos contribuintes. Mas, principalmente, poupavam-nos este triste e degradante espectáculo no centro da cidade a que temos assistido e que, parece, ainda vai continuar mais uns dias.

Educação, emprego e borlas

Kruzes Kanhoto, 05.05.21

Pela capa de um jornal diário ficámos a saber as Câmaras Municipais gastam em educação o dobro das verbas que o Estado lhes dá. Nada de mais. A educação, que já foi a paixão de um antigo primeiro-ministro, é agora um dos grandes amores dos eleitos locais. Pudera. Aquilo dá para quase tudo. Nomeadamente ao nível da cunha. Há sempre lugar para ajeitar mais um pedido de emprego. Mesmo que numa ou noutra escola as auxiliares sejam quase tantas como os alunos, ninguém se vai importar com isso. As necessidades educativas, especiais ou não, justificarão sempre a contratação de mais e mais trabalhadores. Sem ofensa, quanto a isso do trabalho.

Para além das despesas com pessoal – a maior fatia, calculo – há tudo o resto, fornecido de forma gratuita ou a preços meramente simbólicos. Desde os livros à alimentação e dos transportes ao material informático. Só falta, lá chegaremos, pagar aos papás para que os meninos frequentem a escola. Ou não fosse isto um rico país.

Frutos vermelhos e politicos da mesma cor

Kruzes Kanhoto, 02.05.21

Muito se tem falado e escrito acerca daquela questiúncula de Odemira que envolve migrantes, covid e cenas manhosas. Vai um grande alarido por os tais migrantes, oriundos na sua esmagadora maioria de paises onde devem ter uma qualidade de vida de fazer inveja a qualquer português, viverem amontoados às dezenas em casas alugadas onde pagam cem euros por uma cama. Olha que admiração. Lá por andarem com telemóveis que custam centenas de euros não quer dizer que estejam dispostos a pagar mais de metade do ordenado para morarem sozinhos num T1. 

Depois há a ideia peregrina do governo  proceder à requisição civil - uma espécie de nacionalização provisória -  de um empreendimento turistico, com casas particulares à mistura, para instalar os trabalhadores agricolas que tenham de fazer quarentena. Apesar de ter ao dispor outras soluções, menos incomodas, mais pacificas e quase de certeza muito mais baratas, os socialistas malucos com tiques de comunista que mandam nisto tudo resolveram criar algazarra com uma opção claramente ideologica. Embora com pouca esperança, espero que os portugueses tenham a clarividência suficiente para perceber o que nos acontecerá se esta gente se mantiver no poleiro muito mais tempo. Ficar sem casa pode ser uma delas. E não, não me interessa nada se é a segunda ou a décima quinta habitação. 

Questiona-se - mais do que isso, condena-se - a prática agricola que se verifica naquela zona. Não admira. Não se pode explorar petroleo, impedem-se pesquisas de metais preciosos, proibem-se minas de litio, limita-se a agricultura e, de maneira geral, boicota-se tudo o que envolva geração de riqueza.  Desconheço que solução preconizam. Nem essa imensa horda de inúteis saberá, quase de certeza. Provavelmente pensarão que devemos todos viver sem nada produzir e à conta do Estado. Uns idiotas. Ainda não conseguiram perceber que é o Estado que vive à nossa custa e que se nada produzirmos simplesmente não há Estado que sobreviva. Quanto mais que possa sustentar quem quer que seja.

Já reivindicavam qualquer coisa que valesse a pena...

Kruzes Kanhoto, 01.05.21

Gosto do 1º de Maio, nomeadamente por ser feriado. Tenho, também, um enorme apreço por quem se dá ao incómodo de, neste ou noutros dias, ir para a rua reivindicar mais direitos, um salário maior, menos horas de trabalho e mais umas quantas coisas que agora não me ocorrem mas, de certeza, serão muito importantes para quem trabalha. Já por aqueles que, ano após ano, repetem neste dia os mesmos lugares comuns não nutro grande simpatia. O que me aborrece profundamente é nem uns nem outros se lembrarem dos impostos. Principalmente os que nos comem parte significativa do vencimento. Até parece que essa malta não sabe fazer contas. Ou, então, não percebe que pouco importa ter um salário maior se aquilo que verdadeiramente importa é o dinheiro que cada um leva para casa. Bem podiam, por isso, mudar o discurso. Repetem há quase cinquenta anos as mesmas tretas. Está na altura de começar a reivindicar o que é importante. Ou será que esta gente anda toda a fugir ao fisco e recebe o ordenado por baixo da mesa?