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Kruzes Kanhoto

Ainda que todos, eu não!

Uma campanha que me faz ter saudade do tempo em que os animais não falavam

por Kruzes Kanhoto, em 21.07.14
Ponto prévio, declaração de interesses ou o que lhe queiram chamar. Durante os mais de vinte e cinco anos que vivi no campo, mesmo à beira de uma movimentada estrada nacional, foram mais que muitos os cães e gatos abandonados que adoptei. Perdi-lhes a conta de tantos que foram. Não admito, por isso, lições de moral de ninguém acerca de como se tratam os animais. Muito menos da escória urbano depressiva, auto proclamada amiguinha da bicharada.
Isto para dizer que considero completamente estúpida, abjecta e de manifesto mau gosto a actual campanha contra o abandono de animais. Desejar a outrem a morte ou uma série de tragédias qual delas a pior, mesmo que esse outrem tenha cometido um crime - e abandonar um animal é disso que se trata, de um crime - não é digno de quem se proclama civilizado ou inteligente. Gente, diga-se, quase sempre tão tolerante relativamente a outros crimes que por aí se vão praticando.
Curiosamente ninguém reclama da dita campanha, continuando a mesma, despudoradamente, a ser emitida. O que, convenhamos, constitui um precedente deveras preocupante. Um destes dias será perfeitamente legitima a emissão de uma campanha nestes moldes – ou noutros muito piores, por serem crimes mais graves - contra a violência doméstica, a pedofilia, os homicídios ou o abandono de idosos.
Não pode valer tudo. Apesar de os animais terem voltado a falar, isto ainda não é a selva!
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