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Kruzes Kanhoto

Ainda que todos, eu não!

Somos todos turistas

por Kruzes Kanhoto, em 17.09.17

Tourists go home – Refugees welcome” é, ao que documentam uma infinidade de imagens, a palavra de ordem que cada vez mais se pode ler nas paredes de muitas cidades europeias. Claro que basta um parvo em cada cidade para a encher de bacoradas desta natureza e, como relativamente a outros assuntos alguns gostam de enfatizar, a mensagem não representa o sentimento da esmagadora maioria dos habitantes do burgo onde elas aparecem pintadas.

Nestas poucas palavras estão refletidas duas das piores características do ser humano. A ingratidão e a estupidez. O pior é que, principalmente entre os políticos esquerdelhos, já vai havendo quem simpatize com esta ideia. Sem que, com isso, ninguém os acuse de racistas, xenófobos, populistas e outros epítetos vagamente adequados à circunstância. O que não deixa de ser estranho, pois se a mensagem fosse “Refugees go home – Tourists welcome” nem quero imaginar a guincharia que teríamos de aturar...

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Malvados, vão gastar o vosso dinheiro para outro lado!

por Kruzes Kanhoto, em 15.09.17

Extraordinário como, praticamente sem perder algum tempo a pensar, os internautas enchem o facecoiso e as caixas de comentários dos jornais aplaudindo as opções da geringonça. Hoje foi aquela ideia peregrina que o governo estará a amadurecer no sentido de taxar as pensões dos estrangeiros que, nos últimos anos, tiveram a ideia de viver e gastar as suas reformas cá pelo rectangulo.

Os argumentos são do mais variado mas, em quase todos, predomina a inveja. Assim na base do “se eu pago eles também têm de pagar”. Não adianta perder tempo a explicar a estes ignorantes as inúmeras vantagens para o país de ter pessoas com elevado poder de compra a viver grande parte do ano entre nós. Nunca perceberiam. Nem, menos ainda, percebem que caso coloquemos entraves à sua presença, outros lhes oferecerão aquilo que nós lhes negamos.

Percebo que alguns achem que o dinheiro deles não faz cá falta nenhuma. Nomeadamente aqueles que “o” têm certo ao fim do mês sem que para isso necessitem de desenvolver um esforço significativo. A esses pouco importa que os velhotes endinheirados do norte da Europa contribuam para a regeneração urbana das nossas cidades ou para a dinamização do nosso comércio, restauração e hotelaria. Tanto se lhes dá. Desconfio, até, que são capazes de pensar que se os estrangeiros começarem a pagar, a receita fiscal aumenta de tal maneira que o governo baixa o IRS...Tadinhos!

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Pacóvios!

por Kruzes Kanhoto, em 30.07.17

Aí pelo final dos anos sessenta e principio dos anos setenta do século passado o modo de vida no campo causava aos “lisboetas” - entenda-se os que moravam na chamada grande Lisboa – uma certa repulsa. Era, em muitas circunstâncias, motivo de gozo ou, em alternativa, de uma certa pena perante as condições de vida que, então, se verificavam na “província”. Recordo o quanto os enojava o facto de os animais andarem à solta pelas aldeias ou os estábulos localizarem-se paredes-meias com as habitações. Mesmo a natureza das tarefas agrícolas lhes causava uma certa aversão e eram, amiúde, objecto de chacota e piadas diversas.

Hoje, todo este tempo depois, acho-lhes graça. E sinto, agora é a minha vez, um enorme nojo pela maneira como partilham a casa, o sofá, a mesa e até a cama com os bichos. A quem consideram membros da família. Mas isso, enfim, eles lá sabem os parentes que têm. Depois há aquelas coisas a que chamam “experiências”. Vêm para o campo, passam umas horas a colher uvas, ordenhar vacas ou a limpar os currais e – no inicio pensei que era anedota – pagam para fazer isso!

Por mim podem continuar a relatar nos blogues deles, cheios de orgulho, todas estas vivências. Não tenho nada contra. As silvas lá da propriedade estão em crescimento acelerado e cortá-las é coisa que não me está a apetecer mesmo nada. Talvez faça um preço especial a quem queira vir ao Alentejo vivenciar a experiência única, enriquecedora e revigorante que é passar uma manhã com uma gadanha na mão.

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Acolhimentos

por Kruzes Kanhoto, em 23.05.17

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Desconheço, até porque só vi de longe, a que espécie de acolhimento se refere a tarja afixada – presumo com a devida autorização municipal – no coreto cá do sítio. Deve ser, calculo, algo que tem a ver com o turismo. Uma maneira simpática de saudar os muitos turistas que nos visitam, provavelmente. O que, diga-se, só nos fica bem. São eles que estão a fazer crescer a nossa economia, a contribuir para a queda do desemprego e, de certa maneira, a tornar-nos um povo mais feliz e optimista. São bem-vindos e merecem o nosso agradecimento. Esses. Quanto aos outros…que saibamos honrar a memória do nosso primeiro rei.

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A poluição pode ser um conceito muito abrangente...

por Kruzes Kanhoto, em 14.12.16

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Acho piada aos que se manifestam contra a exploração petrolífera ao largo do Algarve. Nomeadamente os autarcas que argumentam ser esta actividade incompatível com o turismo. Apesar de, ao que se sabe, tal exploração ser feita muito longe do mais apurado dos olhares.

Curiosamente li um destes dias que existirão vários presidentes de câmara algarvios a demonstrar uma enorme vontade de acolher mais refugiados na região. Parece-me manifestamente contraditório. Deixa-me perplexo, até.  Pensava eu que isso de ter  bandos de refugiados em zonas turísticas era capaz de ser um bocadinho mau para o turismo. Basta ver o que aconteceu, no Verão passado, nas zonas de veraneio da Grécia e do sul de Itália que, por estarem povoadas desse pagode,  viram o número de turistas diminuir drasticamente.

Entre exploração de petróleo que não se vê e refugiados à vista de todos não existirão grandes dúvidas entre o que mais prejudica o turismo. E, não sendo Portugal um país rico, não pode prescindir de explorar os seus recursos. Sejam eles o petróleo ou o turismo. Quanto ao resto…”cabeças de saco” já temos que sobrem!

 

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Jornaleiros da treta!

por Kruzes Kanhoto, em 03.10.16

A maneira como foram relatados os resultados do referendo na Hungria retrata na perfeição o compromisso que os média nacionais mantém com determinada linha política e a notória falta de isenção com que a informação é transmitida. Noticiar a ocorrência como uma derrota para o governo húngaro é, no mínimo, parvo. Mas, face à conhecida postura dos jornaleiros tugas, deve ser mais manipulação da informação. Perante um resultado, ainda que não vinculativo, em que noventa e oito por cento dos votos expressos apoiam a posição defendida pelos governantes, é precisa muita lata para dizer e escrever o que foi dito e escrito. Sabe-se que a malta da comunicação social não é muito dada a números, mas não perceber isto já parece parvoíce a mais.

E se cá nos fosse colocada a mesma questão? Não tendo nós o mesmo problema a resposta do eleitorado seria, provavelmente, bastante diferente. Ou então, não. Com o radicalismo de certas posições – cada vez em maior número – que se vão lendo e ouvindo acerca da quantidade de turistas que nos visitam, já não digo nada. Ah, espera, como são os intelectuais esquerdelhos a defender que o turismo coloca em causa a nossa identidade isso já não conta para aquilo da xenofobia, ou lá o que é. Deve ser por os turistas – a maioria, pelo menos – serem gajos endinheirados. Nós gostamos é de pobrezinhos, para lhe podermos oferecer bué de solidariedade. Que é como se chama a caridade à moda de esquerda.

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Achar que há turistas em excesso conta como xenofobia?!

por Kruzes Kanhoto, em 05.09.16

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Os turistas e o turismo parecem estar a tornar-se no novo alvo de alguma intelectualidade bem pensante. Daquela, nomeadamente, que tem influência junto dos órgãos de decisão. Aborrece-os que as cidades, particularmente Lisboa que é onde o fenómeno é mais visível e moram a maior parte destes seres, estejam cheias de gente vinda de fora. Mais ainda quando esses visitantes têm os bolsos cheios de dinheiro e invadem todos os espaços onde o podem gastar, os malandrins.

Compreendo, em parte, a sua irritação. A multidão que aos sábados de manhã – lisboetas, espanhóis e pagode oriundo de todas as vilas e aldeias das redondezas – invade a minha terra para apreciar o mercado semanal também me causa um elevado nível de irritabilidade. Perturbam-me o sossego. Impedem-me de beberricar tranquilamente o meu cafezinho matinal. Lutar por uma mesa num tasco ou numa esplanada com um casal de velhotes que quer degustar o seu brinhol, com um bando de castelhanos aos berros desejosos de comer o maior número possível de pasteis de nata ou com uns tios de Lisboa eufóricos com o penico que acabaram de comprar por cinquenta euros na feira das velharias são coisas que me deixam para lá de stressado. Quase me apetece, como a tal intelectualidade, mandá-los gastar o dinheiro deles para outro lado. Mas isso sou eu. Um reacionário-fascista-xenófobo que, ao contrário da intelectualidade bem pensante, não tem particular apreço pela malta de outras paragens…

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