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Kruzes Kanhoto

Ainda que todos, eu não!

Organizem-se, porra!

por Kruzes Kanhoto, em 12.02.17

O ser humano é lixado. Nunca está satisfeito. Queixa-se de tudo. Uma jovem escocesa lamenta-se por ter acertado no euromilhões. Diz que o prémio – um milhão de euros, que até nem é coisa por aí além – lhe arruinou a vida. Coitada. Acredito. Só não percebo é a razão que agora a leva a processar a casa de apostas que organiza aquilo no Reino Unido. Pretende, ao certo, o quê?! Ser indemnizada pelas chatices que a fortuna lhe trouxe? Pois. É capaz de ser isso. Ou, então, é o guito a chegar ao fim.

Outros que também nunca estão satisfeitos são os tugas. Fartam-se de criticar os políticos que não cumprem as promessas feitas em campanha. Mas quando algum as cumpre, ainda que estrangeiro, atiram-se às canelas do homem. Aqui d’el rei que o gajo está mesmo a fazer o que prometeu. Não há paciência para aturar tanto especialista em política internacional. É moda. Mesmo entre aqueles que, no seu quotidiano, têm tiques em tudo iguais aos do Trump. Quase todos, se puserem bem a mãozinha na consciência.

E depois há aquela coisa dos ministros que se devem ou não demitir quando dizem mentiras. Embora quanto a isso, reconheço, os portugueses manifestem um nível de coerência bastante aceitável. Se o ministro mentiroso fôr de direita, deve ir-se embora. Se é de esquerda, fica. Compreendo. É tudo uma questão de princípios. Ou de falta deles.

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Delação familiar. Deve ser um novo conceito de democracia...

por Kruzes Kanhoto, em 26.01.17

Está muito na moda criticar aquilo que chamam populismo. Um conceito a atirar para o parvo, que serve para quase tudo quando escasseiam os argumentos para justificar as opções políticas das elites ocidentais que nos estão a conduzir em direcção ao fim trágico da nossa civilização.

Está, também, muito em voga lamentar os perigos que corre a democracia. Concordo, quanto a isso. Embora pelas razões opostas às daqueles que culpam o Trump e a extrema-direita pelo Apocalipse que anunciam. A democracia está, de facto, em perigo. E quem está a fazer de tudo para acabar com ela é a esquerda e a intelectualidade bem pensante.

Veja-se o exemplo finlandês. Diz que a policia local está a instigar as crianças a denunciarem os pais que, em casa, lhes transmitam ideias politicamente incorrectas. Entre os casos denunciáveis estarão, segundo a fonte que adianta a noticia, queixas sobre o excesso de imigrantes, opiniões negativas sobre o feminismo, reprovar a homossexualidade, fazer comentários negativos sobre o islão ou associar os muçulmanos a atentados terroristas. Este plano para impedir opiniões contrárias às do ‘establishment’ conta, como não podia deixar de ser, com o apoio de partidos e organizações “progressistas”. Que é como esses velhacos gostam de ser conhecidos.

Aqui chegados, não é de admirar que a reacção do eleitorado seja aquela que se está a verificar um pouco por todo o lado. Só um idiota chapado pode ficar surpreendido com a ascensão meteórica de figurões que até há poucos anos todos odiariamos. Com democracias desta natureza ainda um destes dias vamos ter saudades de muitas ditaduras.

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Mas qual é o vosso problema com o Trump?!

por Kruzes Kanhoto, em 20.01.17

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Depois de os últimos dias terem sido dedicados a endeusar o casal Obama, hoje voltaram em força os discursos anti-Trump. Uma coisa fina, isso. Dá ares de intelectual. Ou, no mínimo, de criatura bem-pensante. Por mim não tenho pachorra para os aturar. Nomeadamente aos que se recusam a perceber que são os argumentos usados para promover os Obamas ao patamar de divindade e o ódio que destilam relativamente ao Trump – aos que o elegeram, também - que ajudam ao surgimento de mais clones do agora Presidente americano.

Por cá bem podem os pé de microfone, os paineleiros de serviço nas diversas televisões e os bloguistas de inteligência superior prepararem-se. Vão ter muito para falar. Ou teclar. França, Holanda e Alemanha são já a seguir. E se não for nestas, será nas próximas eleições que acontecerá aquilo que tanto temem. A extrema-direita no poder. A culpa, essa, não será dos russos. Será vossa. De todos os politicamente correctos. Da ditadura do pensamento único que querem impor ao povo. Ou mudam de discurso ou, mais cedo do que tarde, vamos todos ter um azar do caraças.

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Cenas que não fazem a esquerda perder a cabeça. Por enquanto.

por Kruzes Kanhoto, em 10.12.16

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O que seria impensável estará agora a acontecer em várias cidades da Europa central e do norte. Tudo isto perante a passividade, o silêncio, a cumplicidade e não raras vezes o apoio dos governos, da justiça, da comunicação social e das múltiplas comissões, comités e associações de solidariedade com tudo e mais alguma coisa que envolva migrantes, minorias e multiculturalismo. Afinal, como dizia o outro, quando o dinheiro fala tudo o resto se cala... Depois admiram-se que a extrema-direita obtenha resultados eleitorais que a colocam às portas do poder em inúmeros países europeus ou eleja o Trump presidente nos EUA. Até eu, se visse porcos na minha rua, votava nessa malta.

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Censurar a censura

por Kruzes Kanhoto, em 13.11.16

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Parece que a culpa – desde a eleição do Trump à generalizada ascensão da direita na Europa – é das redes sociais. É o que dá qualquer um desatar a comentar noticias, publicar opiniões e escrever disparates diversos no Facebook, nos blogues, no Twitter, no Instagram e onde mais lhe aprouver. Coisa que, como sempre aconteceu, apenas devia estar reservada aos jornalistas e comentadores devidamente encartados. Eles é que sabem opinar sensatamente. Eles é que sabem o que é bom para povos, os países e o progresso civilizacional.

A discussão acerca do tema ainda mal começou mas, a julgar por aquilo que nos últimos dias se tem dito e escrito, não tardará a generalizar-se. A censura vem aí. Em nome da liberdade, dizem eles. Por enquanto têm-se limitado a controlar a informação. Filtram as noticias. Esforçam-se por moldar a opinião das massas à sua visão do mundo. Boicotam quem diverge. Escondem aquilo que não lhes convém que as pessoas saibam. Manipulam-nos, em suma. A chatice é que o mundo mudou. E o conhecimento que temos dele, também. Isso do “sol na terra” e dos “amanhãs que cantam” passou à história e não volta mais. Habituem-se!

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É a democracia, estúpido...

por Kruzes Kanhoto, em 09.11.16

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E pronto, ganhou o Trump. Uma chatice. Nomeadamente para jornaleiros, comentadores, gente das artes e intelectuais diversos que se acham dotados de uma inteligência superior ao comum dos mortais. Tudo culpa dos matarruanos rurais, velhos, analfabetos e extremistas vários que, pasme-se tamanho desplante, insistem em ter opinião e, pior, traduzi-la em voto. Coisa que, como parece cada vez mais óbvia, devia estar reservada somente a jovens, urbanos e licenciados. Uma maçada, isto da democracia.

Se não fossem tão arrogantes talvez percebessem a mensagem e aprendessem a lição. Mas não acredito que alguma vez a aprendam. Não querem entender que a maioria dos povos não aceitam esta coisa do politicamente correcto que está a destruir as sociedades ocidentais. Marine Le Pen ganhará as eleições em França. As próximas ou as seguintes. O mesmo acontecerá na maioria dos países europeus. A culpa, essa, nas cabecinhas intelectualoides dos que hoje lamentam a eleição do “Trampas”, nunca será deles nem das políticas que apoiam. Será sempre dos outros. Dos parvos, como eles gostam de considerar quem não pensa como eles.

Por mim, o vencedor das eleições americanas não podia ser mais indiferente. Cada povo escolhe quem quer para o governar. Mas, confesso, não consigo esconder um sorriso perante tamanha azia que insuspeitos democratas - daqueles que só o partido deles é que é bom – hoje têm exibido. Até parecem os comentadores desportivos dos canais televisivos quando o Benfica ganha...

 

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Para parecermos tolerantes não toleramos a liberdade de expressão

por Kruzes Kanhoto, em 14.05.16

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O drama. O horror. A tragédia. O fim dos tempos, até. É mais ou menos isso que, para sermos politicamente correctos e parecermos inteligentes, devemos pensar de uma possível vitória de Donald Trump na corrida à Casa Branca. Não é que goste particularmente da criatura, mas começo a preferi-lo à Cliton. Ao que consta, a senhora – talvez na ânsia de ganhar votos entre a comunidade muçulmana – estará a equacionar a hipótese de, caso ganhe, impor nos States a chamada lei da blasfémia. O que, a verificar-se, será qualquer coisa de parecido com o retorno à idade das trevas. Algo, convenhamos, muitíssimo mais dramático, horroroso e trágico do que as parvoíces do “Trampas”. Embora muito mais do agrado das esquerdas e dos parolos do politicamento correcto.

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