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Kruzes Kanhoto

Ainda que todos, eu não!

E ir à piscina de ceroulas, pode-se?

por Kruzes Kanhoto, em 08.08.17

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Foram noticia nos últimos dias diversas situações de mulheres, alegadamente seguidoras da religião islâmica, que se terão banhado vestidas nas piscinas dos hotéis onde se encontravam instaladas. Ou, na versão delas, com uma vestimenta de acordo com os preceitos a que obriga a sua crença. Mas, para todos os efeitos, estavam vestidas de alto abaixo e de fora apenas tinham o focinho, as mãos e os cascos.

Perante tão desadequado traje, na maior parte das ocorrências, os responsáveis pelas piscinas fizeram o que era esperado. Não permitiram tamanho disparate. Ora, quando esta actuação devia merecer o aplauso generalizado, não tardaram a aparecer os defensores da diversidade, do multiculturalismo e de mais uns trezentos conceitos cada um mais parvo do que o outro a condenar os responsáveis pela decisão de impedir o banho naquelas circunstâncias.

Parece, argumentam estes malucos, que aquilo de se meterem numa piscina naquela triste figura é integrador e que não devem ser discriminadas por isso. Como isto está a ir de mal a pior a cada ano que passa, desconfio que nas próximas férias a probabilidade de encontrar malta nesses preparos será bastante elevada. É por isso que já estou a tratar da indumentária que irei usar quando for chapinhar para a piscina. Uma fatiota mais ou menos como a da foto. Só para me sentir integrado. 

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Intolerância com a tolerância

por Kruzes Kanhoto, em 27.04.17

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A propósito da vinda do Papa a Fátima e da tolerância de ponto concedida aos funcionários públicos anda muita gente a evocar a laicidade do Estado para contestar a alegada liberalidade do governo para com a função pública. Com alguma razão, admito. Mas, apesar de admitir a razoabilidade dos motivos que lhes assistem para manifestarem de forma tão veemente a inveja e o ódio que lhes percorre os teclados, acho piada à selectividade da indignação. Embora, dentre a vasta multidão de indignados, reconheça dois grupos distintos cada um apontando as baterias do ódio em sua direcção. Uns, os invejosos, indignam-se por a dispensa de ir trabalhar se aplicar apenas a quem trabalha para o Estado. Outros, os esquerdosos, aproveitam a ocasião para manifestar quanto odeiam a “cristandade”. A propósito do que penso acerca de uns e de outros podia citar o presidente do sporting. Ou, até, alguém com importância. Mesmo que pequena. Mas não. Prefiro algo mais sério. Ou apenas sério. Assim tipo recordar que nem uns nem outros manifestam igual nível de irritabilidade quando o dinheiro público é usado a beneficiar outras religiões. Como construir mesquitas, por exemplo.

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Cada coisa no seu lugar...

por Kruzes Kanhoto, em 12.12.16

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Há quem goste de dar aos objectos um uso diferente daquele para que foram inventados. Atitude que, reconheça-se, revela em muitas circunstâncias uma elevada capacidade de imaginação. Noutras, há também que reconhecer, é apenas parvoíce. Como, por exemplo, aquilo de introduzir coisas em determinados orifícios. O que pode causar graves transtornos quando os ditos orifícios não reúnem as características minimamente recomendáveis para aconchegar a coisa que se pretende introduzir. Nestes casos o resultado pode ser catastrófico.

Já o uso que estas senhoras, aparentemente encaloradas, estão a dar aos crucifixos constitui para mim um enigma. Assim de repente não estou a apanhar a mensagem que, suponho, pretendem transmitir. Se a ideia é manifestar o seu desprezo por aquilo que o objecto representa, insinuar que o vão enfiar rabo acima é um bocado estúpido. É mais auto-flagelação. O que, digo eu que sou pouco dado à religiosidade, parece mais cena de crentes. Mas, se a ideia é essa, acho que deviam ser radicais à séria. Metiam aquilo ao contrário. Se calhar até nem lhes fazia muita diferença.

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