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Kruzes Kanhoto

Ainda que todos, eu não!

Os reformados são a vaca sagrada do regime

por Kruzes Kanhoto, em 02.11.17

Comove-me a obsessão dos governantes – destes e doutros – com os reformados. Com os actuais, porque dos futuros - e isso é condição a que todos chegaremos se não morrermos antes – ninguém quer saber. Já escrevi em inúmeras ocasiões que não consigo perceber a justiça que alegam existir num anunciado aumento do valor das pensões. Nem, por outro lado, detecto qualquer fundamento válido para reverter os cortes – ou, até mesmo, para não cortar ainda mais – a pessoas que se reformaram aos cinquenta anos, com trinta de serviço e com o mesmo ordenado que auferiam no dia em que deixaram de trabalhar. Isto quando, por comparação, a mim que já levo trinta e sete anos de trabalho e há muito ultrapassei os cinquenta de idade, me dizem que tenho de bulir mais dez anos. Ou, se quiser ir já, fazem o favor de me pagar uma pensão que corresponderá a um pouco menos de um terço do meu actual estipêndio. Justo, não é? Depois venham para cá contar-me histórias acerca da reposição de direitos feita pelos geringonços, da justiça social, dos direitos adquiridos e de outros conceitos tão queridos aos que estão a mamar na vaquinha enquanto eu, feito parvo, a alimento.

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Reformas ou esquema em pirâmide?

por Kruzes Kanhoto, em 23.02.17

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As conversas em torno das reformas baixaram de intensidade. Deve aquela táctica de, perante um assunto  manifestamente desagradável, garantir que o caso está encerrado. Nem sequer quando um economista de renome veio, um dia destes, dizer umas coisas acerca da sustentabilidade – ou da falta dela – do sistema de pensões as hostes se agitaram. Tirando um ou outro cão de fila. Daqueles que rosnam a tudo o que, mesmo vagamente, se assemelhe a uma critica à coligação de esquerda.   

Não sei se, como afirma o tal senhor,  o sistema de pensões é ou não sustentável. Assim de repente, olhando para a demografia, não parece. Por mim olho para aquilo e vejo um esquema em pirâmide. Desses manhosos, em que quem chega primeiro ganha muito dinheiro e os últimos perdem tudo. Com uma diferença, nesses esquemas quando se descobre a tramóia os que perderam, ao menos, sabem que já não vão perder mais. Nisto das pensões não é assim. Nós, os que vamos perder tudo o que descontámos, somos obrigados a continuar a pagar. Mesmo sabendo que dali não levaremos nada e que todo o nosso dinheiro irá parar a outros bolsos. A isto, no meu dicionário, chama-se burla.  

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A discriminação entre pensionistas - próximos e futuros - não é inconstitucional?

por Kruzes Kanhoto, em 08.02.17

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Diz a OCDE que os futuros pensionistas serão lesados nas reformas. Diz, mas não precisava. Toda a gente sabe. O problema é que poucos se importam. Anda tudo satisfeitinho da vida com as fantásticas reversões do Costa que quase ninguém quer saber disso.

A iliteracia financeira – e da outra, já agora – é a maior aliada do governo. Deste, do anterior e do próximo. Só assim se percebe que a população aceite pacificamente cortes brutais nas futuras pensões, enquanto as actuais permanecem intocáveis. Não que eu seja apologista de redução de rendimentos seja de quem fôr. Quem tiver dúvidas acerca disso leia, se tiver paciência, outros posts que por aqui fui publicando. Mas, a ter de se fazer alguma coisa para garantir a sobrevivência da Segurança Social – e pelos viste tem – então que o sacrifício se distribua por todos.

Para se perceber o que está em questão, nada melhor do que um exemplo. Os meus anteriores chefes aposentaram-se há vinte anos. Tinham, então, a idade que eu tenho hoje. O montante da pensão atribuída foi o equivalente ao valor do vencimento que auferiam na altura. Já eu, se me quiser reformar amanhã, ficarei com menos de um terço do que ganho agora. Ou, ninguém me manda ter pressa, espero mais uma dúzia de anos para, depois, ficar com cerca de oitenta por cento. Se tiver sorte. Deve ser a isto que chamam solidariedade intergeracional, ou lá o que é.

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A minha reforma continua cortada...

por Kruzes Kanhoto, em 06.10.16

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 Acho imensa piada quando António Costa - ou outro geringonço qualquer – se gaba, todo orgulhoso com o seu feito, de ter posto fim aos cortes nas reformas vilmente perpetrados pelo anterior governo. A sério. Rio-me à gargalhada. Deles e dos que neles acreditam. É que, tirando aquela parte do vilmente, isso é conversa para tontinhos. A minha reforma, a menos que alguém se tenha esquecido de me avisar, continua cortada. Mas com essa ninguém se preocupa. Só ocorrerá daqui a dez anos. Ou quinze. Ou mais. Depende da demagogia dos governos que por lá forem passando. Mas podia ser já num dos próximos meses. Só não é porque isso dos direitos adquiridos é apenas para alguns.

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Temei, velhinhos, temei...

por Kruzes Kanhoto, em 31.05.16

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Depois dos petizes que esturram mealheiros e quase passam fome para jogar no Placard, eis que surge algo igualmente perverso no âmbito da jogatina. Diz que há para aí – deve ser lá para o norte, pois por aqui ainda não soa que tal ocorra – um esquema manhoso de apostas ilegais onde os catraios gastam as mesadas e os velhotes derretem as reformas.

Suspeito que, mais uma vez, a coisa não será bem como a pintam. Com tanta oferta de jogo devidamente legalizado, seja o da Santa Casa ou na Internet, apostar em jogo clandestino parece-me uma coisa assim a modos que um bocado parva. Nomeadamente pelo risco envolvido e, digo eu, pelos prémios que dificilmente serão mais apelativos.

E depois é aquilo dos velhotes. Sempre os velhotes. Até dá a ideia que, lá por terem mais idade, são palermas. Brasileiras, jogo, burlões, filhos a gamarem-lhes as reformas...Só perigos a atormentar a existência dos idosos. Ainda bem que ali entre os dezoito e os setenta anos – ou outra idade a partir da qual se é oficialmente velho - são todos espertos e imunes a qualquer espécie de ameaça. Haja pachorra!

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